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A CARTA

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  O NOSSO CONHECIDO jeitinho do "toma lá dá cá", me parece,  começou cedo, antes mesmo de haver Brasil. Serei leviano em dizer que herdamos esse jeitinho que hoje é tão nosso dos  colonizadores portugueses?  Senão, vejamos. Todo mundo conhece ou já ouviu falar ( mesmo sem ter lido ) a famosa carta que Pero Vaz de Caminha escreveu ao Rei D. Manuel I em 1500, informando da recente descoberta (ou invasão para os anticolonialistas), do que é hoje, Porto Seguro, Bahia, Brasil. Como também é sabido (ou não), Pero Vaz era o escrivão da armada portuguesa chefiada pelo famoso Pedro Álvares Cabral, nosso descobridor ou invasor, conforme queiram.  Ele era  responsável por registrar oficialmente os acontecimentos da viagem. Podemos dizer que foi o primeiro cronista que pisou nestas terras abençoadas por Deus. Ele escreveu suas impressões sobre os nativos e sobre a terra que acertadamente, observou que  "Nela, em se plantando, tudo dá". Mas ao final da sua car...

UMA IRANIANA

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  "As pessoas preferiram morrer a continuar vivendo sob este regime" , diz escritora iraniana Azar Nafisi Do exílio nos EUA, autora do best-seller ‘Lendo Lolita em Teerã’ conta como mantém a esperança em dias de guerra e violência ‘de todos os lados’ em seu país Por Marcelo Ninio Apesar de tudo, Azar Nafisi ainda acredita no poder da imaginação. Autora do best-seller “Lendo Lolita em Teerã” (Record), testemunho lírico e dolorido da literatura como refúgio do totalitarismo teocrático, Nafisi acompanha a guerra no Irã angustiada e com uma sensação de impotência. Mas não perde a esperança em dias melhores no país em que nasceu e de onde se sentiu forçada a sair diante da repressão do regime islâmico. Em seu livro mais famoso, traduzido para 32 idiomas e que vendeu mais de 1,5 milhão de cópias em todo o mundo, Nafisi, de 77 anos, desafia o leitor a imaginar um cena: um grupo de mulheres reunidas clandestinamente num apartamento em Teerã para ler e discutir obras vetadas pelas aut...

SOLUCIONÁTICA

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  DADÁ MARAVILHA foi a prova cabal futebolística de que pra ter sucesso no esporte e fazer gol como quem bebe água, não precisa ter a técnica de um Zico, a malandragem de um Romário, a magia de um Ronaldinho Gaúcho ou Ronaldo Fenômeno e nem a genialidade de um Pelé ou de um Messi ou Maradona.  Dario José dos Santos, o Dadá Maravilha, foi uma das figuras mais folclóricas e letais da história do futebol brasileiro. Ele não era um primor técnico com a bola nos pés, mas tinha um faro de gol e uma impulsão que desafiavam as leis da física. Começou tarde no futebol aos 19 anos no clube aqui do meu bairro, o Campo Grande Futebol Club (que já foi maior do que é hoje). Foi ídolo no Atlético-MG: É o segundo maior artilheiro da história do Galo (211 gols). Foi o herói do título do Brasileirão de 1971, marcando o gol da vitória na final contra o Botafogo. Copa de 1970: Foi convocado para o Tri no México, diz a lenda, por uma sugestão direta do presidente Emílio Médici ao técnico Zagallo...

JOSELINO BARBACENA

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  Joselino Barbacena foi um personagem vivido por  Antonio Carlos Pires, criado em parceria com Chico Anysio que satirizava em forma de protesto e humor, um homem aparentemente de saúde e capacidade mental duvidosa. O bordão do personagem, "Quando eu era criança pequena lá em Barbacena..." , foi reconhecido, por lei, como frase cultural da cidade localizada no Campo das Vertentes, a cerca de 100 quilômetros de Juiz de Fora. Porém, o que passou despercebido pela maioria dos espectadores da Escolinha do Professor Raimundo(inclusive por mim), foi a origem sombria do personagem. Barbacena, cidade do interior de Minas Gerais ainda é conhecida como a “cidade dos loucos”, por ter sediado o maior hospital psiquiátrico do Brasil, o Centro de Tratamento Hospitalar e Psiquiátrico de Barbacena (mais conhecido como Colônia), palco de uma das maiores tragédias humanitárias da história do país. Em seu livro “Holocausto Brasileiro” , Daniela Arbex denuncia a morte de 60 mil brasileiros...

PARABÉNS!

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  Seu Jovinaldo  Soares, no auge dos seus 80 anos, aposentado, memória um pouco já debilitada, morava com uma filha e o genro. A filha abdicou do trabalho fora para cuidar do pai e em troca, o pai lhe dava uma mesada, mesmo a contragosto da filha.  — O senhor não me precisa pagar nada, pai. — Mas você saiu do emprego pra ficar cuidando aqui deste velho. E pra quê eu preciso de dinheiro? Só pros remédios de pressão e do diabetes... Era assim, seu Jovinaldo. Um pai grato pelo carinho da filha. Naquela tarde a filha foi comprar algumas coisas no mercado. Pai, volto logo. O celular de Jovinaldo toca. Ele coloca os óculos, vê o número e aperta o ícone verde. Aprendera direitinho como atender esses telefones modernos. — Alô, seu Jovinaldo?  —  Sim?  — Parabéns, seu Jovinaldo, eu sou Andressa da seguradora Rumo ao Norte e quero lhe comunicar que o o seu número, entre milhares de números de aposentados do INSS, foi sorteado para receber nosso produto mais desejável...

O ATOR, O PRESIDENTE E O IRMÃO DO ATOR

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  No século 19, Edwin Booth era considerado o melhor ator dos Estados Unidos. Era uma verdadeira lenda. Podemos dizer que Edwin era o George Clooney de hoje. Edwin realizou um ato de heroísmo que, em outras circunstâncias, o teria levado aos livros de História. Aconteceu durante a Guerra de Secessão americana, numa estação de trem em Jersey City. Um rapaz tropeçou e ia caindo no trilho quando Edwin num ato reflexo, o agarrou pela gola e o puxou de volta para a plataforma.  Nem precisa dizer que quando o rapaz viu quem o salvara, ficou emocionado, eufórico; imagine se você tivesse caído de uma plataforma quando criança e fosse salvo por Chuck Norris. Para esse garoto foi a mesma coisa. Após 15 dias, Edwin recebeu uma carta de congratulações de um oficial do Estado-Maior do general Ulysses S. Grant. O rapaz que Edwin salvara era, na verdade, Robert Todd Lincoln , filho do presidente Abraham Lincoln.  Esse ato de heroísmo seria a interação única e improvável entre as família...

NOME COMPOSTO

  LUIS CLÁUDIO. PEDRO PAULO. Paulo César. Jorge Henrique. Ana Clara. Ana Júlia. Carlos Eduardo. Nomes compostos. Por quê eles existem? Sempre achei nomes compostos um exagero nominativo .  Luis Cláudio? Ora, ou é Luis ou é Cláudio. "Ô Luís Cláudio, vai fazer o dever de casa!". Nome composto é chato. Parece-me coisa de pais que querem dar pompa e circunstâncias à prole. "Meu filho se chama César Augusto...". Não bastava dar um nome de imperador romano à criança, então dá logo dois!  Eu sou Carlos Eduardo. Nunca gostei. Eu queria ser Carlos ou Eduardo. E eu fui. Até os 15 anos, meus amigos me chamavam de Carlinhos. Alguns adultos teimavam em me chamar de "Carlos Eduardo" - um absurdo. Eu gostava de ser Carlos. Meu pai era "Carlos Diogo" - também um nome composto. Sempre foi chamado de Carlos por uns e Diogo por outros. Todos amigos da Marinha lhe chamavam de Diogo (que foi seu nome de guerra) e os demais, o chamavam de Carlos.  Não tenho certeza...

SEMPRE FOI ASSIM

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  Um grupo de cientistas colocou cinco macacos em uma jaula. No meio, havia uma escada e sobre ela um cacho de bananas. Quando um macaco subia a escada para pegar as bananas, um jato de água fria era jogado nos que estavam no chão. Depois de um certo tempo, quando um macaco subia a escada para pegar as bananas, os outros que estavam no chão o retiravam da escada sob pancadas. Depois de algum tempo, nenhum macaco subia mais a escada, apesar da tentação das bananas. Prosseguindo com o experimento, eles substituíram um dos macacos por um novo. A primeira coisa que ele fez foi subir a escada, dela sendo retirado pelos outros que o surraram. Depois de algumas surras, o novo integrante do grupo não subia mais a escada. Um segundo substituto foi colocado na jaula e o mesmo ocorreu com ele, tendo o primeiro substituto participado com entusiasmo na surra do novato. Um terceiro foi trocado e o mesmo ocorreu. Um quarto e afinal o último dos cinco integrantes iniciais foi substituído. Os pesq...

Vídeos Pitorescos # 01

QUANDO o feminismo conseguiu impor a ideia de que feto humano não é vida COISAS que acontecem... ATÉ ONDE devemos respeitar o multiculturalismo?    

Caia, Mas Levante!

  CREIO QUE O PIOR erro que nós, pais, cometemos contra nossos filhos, é a superproteção. E este assunto me veio à baila depois de ler uma crônica do Jotabê. Em seu texto ele diz: ninguém nunca me alertou que viver exigiria resiliência, resignação e estoicismo, que a vida seria como uma senoide, uma montanha russa que alterna alegria e tristeza, felicidade e sofrimento de forma tão dramática. Eu não me preparei para suportar isso! E, podem acreditar, este desabafo não é força de expressão. Talvez seja consequência de uma educação muito protetora que me fez crescer desfibrado, frágil, inseguro. Como poderia ter evitado isso? Nada mais verdadeiro. Se é preciso aprender a viver, quem será nosso professor? Pais, escola,  igreja,  clube, TV, as redes sociais... A maior invenção de todas - que é a vida - não vem com manual de instruções! A gente tem que ir aprendendo enquanto vive.  Pais erram  na criação dos filhos e eu não os condeno. Eles também não aprenderam. Na ...

Da Série: Coisas que Minha Mãe Dizia

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  Quando se é criança tem coisa melhor do que ganhar brinquedo? É frustrante para uma criança ganhar uma roupinha de aniversário. Roupa não, brinquedo! -   parece ser o grito estampado no rosto do infante.  Durante 5 anos que  meu pai serviu na Base Naval de Aratu, em Salvador, BA, a base promovia festividades para os familiares dos militares.  Todas as crianças ganhavam brinquedos. Esperávamos ansiosos o Natal chegar para que meu pai levasse a família para as festividades já na expectativa de qual brinquedo ganharíamos. No ano mais memorável, a Base fez um passeio de navio pra todo mundo. Foi uma festa. Um monte de adolescentes e pré-adolescentes  deslumbrados com o navio cortando as ondas do mar. Depois da festa, em casa, era hora de brincar com os presentes ganhos. Brincava, brincava, brincava e...sempre acontecia de se quebrar um brinquedo. E aí, já sabíamos que viria a frase certeira da minha mãe: "Ganhou hoje e já quebrou!"

Eu Comigo Mesmo

  Às vezes me pego pensando porquê eu sou eu e não você. Penso como seria não ser eu e como seria ser você. Ou ser o seu Joaquim da padaria. Esse negócio de sermos o que somos sempre me impressionou. O que eu seria (ou não seria) se Carlos Diogo e Valda Medeiros não se encontrassem. Haveria eu ou eu nasceria de outra barriga? Da barriga da dona jovência, por exemplo, que no caso era a bisavó da minha esposa? Mas aí o eu da minha esposa não existiria ou existiria em outro corpo, em outro lugar? Não sei bem como é ser eu e fico impressionado como seria ser você. Que voz é essa que fala em nossas cabeças, que pensa, reflete e argumenta? Quem sou, quem somos nós, se como cantou Raul, se hoje sou estrela amanhã já se apagou...? Sei que filósofos e psicanalistas se aprofundaram no assunto mas para mim, o eu será sempre um mistério. ************************ Ando meio ocupado.  Estou um pouco ausente em comentar nos blogues que sigo. O grande blogueiro-escritor-cartunista André Mansim...