sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

Caia, Mas Levante!

 


CREIO QUE O PIOR erro que nós, pais, cometemos contra nossos filhos, é a superproteção. E este assunto me veio à baila depois de ler uma crônica do Jotabê. Em seu texto ele diz:


ninguém nunca me alertou que viver exigiria resiliência, resignação e estoicismo, que a vida seria como uma senoide, uma montanha russa que alterna alegria e tristeza, felicidade e sofrimento de forma tão dramática. Eu não me preparei para suportar isso! E, podem acreditar, este desabafo não é força de expressão. Talvez seja consequência de uma educação muito protetora que me fez crescer desfibrado, frágil, inseguro. Como poderia ter evitado isso?

Nada mais verdadeiro. Se é preciso aprender a viver, quem será nosso professor? Pais, escola,  igreja,  clube, TV, as redes sociais...

A maior invenção de todas - que é a vida - não vem com manual de instruções! A gente tem que ir aprendendo enquanto vive.

 Pais erram  na criação dos filhos e eu não os condeno. Eles também não aprenderam. Na maioria dos casos, fazem o melhor que podem com as limitações que têm.

 Meus pais eram maravilhosos mas tinham seus erros: Falta de diálogo franco e aberto sobre muitas coisas da vida e uma tentativa de superproteger a mim e a meus dois irmãos.

Quando eu fiz concurso pra Marinha em 82 e passei, fui fazer o curso em Vila Velha, Espírito Santo. Com uma semana de curso meu pai foi me visitar. A primeira semana era chamada de "semana de adaptação". Uma semana em que se tirava o couro dos jovem aprendizes de marinheiro pra ver quem iria aguentar o tranco do curso que durava um ano. Mais de 200 desistiram. 

Aí chega meu pai na escola e me vê em estado deplorável. Abatido e com os pés fervilhando de bolhas e me diz: "Filho, quer desistir, sua mãe tá preocupada". E como ele me pergunta aquilo tendo  ele  próprio  passado  o mesmo na sua época de formação? 

Apesar de ter sido um pouco mimado e protegido, me impus àquela pergunta tentadora lhe dizendo que ficaria, pois o pior tinha passado. E fiquei.

E lembrei-me de uma cena quando o Eduardinho tinha 5 anos.

 Eu vinha com ele de  mãos dadas e de repente, ele começou a reclamar querendo andar sozinho. Eu falei "aqui tem muita pedra na rua, você pode cair". Ele insistiu. "Pai, eu vô sozinho, larga.."

 E larguei. 

Não deu cinco passos e pluft! meteu a cara no chão. Ajudei-o a levantar-se. Fez cara de choro. "Quer chorar, chora, filho, mas eu lhe disse que a rua aqui é ruim de andar sozinho". Vendo que ele estava bem comecei a andar. Ele veio, me deu a mão e disse: "pai, me dá a mão".

Difícil é equilibrar proteção com autonomia.


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quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

Da Série: Coisas que Minha Mãe Dizia

 




Quando se é criança tem coisa melhor do que ganhar brinquedo? É frustrante para uma criança ganhar uma roupinha de aniversário. Roupa não, brinquedo! -  parece ser o grito estampado no rosto do infante. 

Durante 5 anos que  meu pai serviu na Base Naval de Aratu, em Salvador, BA, a base promovia festividades para os familiares dos militares.  Todas as crianças ganhavam brinquedos. Esperávamos ansiosos o Natal chegar para que meu pai levasse a família para as festividades já na expectativa de qual brinquedo ganharíamos. No ano mais memorável, a Base fez um passeio de navio pra todo mundo. Foi uma festa. Um monte de adolescentes e pré-adolescentes  deslumbrados com o navio cortando as ondas do mar. Depois da festa, em casa, era hora de brincar com os presentes ganhos. Brincava, brincava, brincava e...sempre acontecia de se quebrar um brinquedo. E aí, já sabíamos que viria a frase certeira da minha mãe: "Ganhou hoje e já quebrou!"


sábado, 7 de fevereiro de 2026

Eu Comigo Mesmo

 


Às vezes me pego pensando porquê eu sou eu e não você. Penso como seria não ser eu e como seria ser você. Ou ser o seu Joaquim da padaria. Esse negócio de sermos o que somos sempre me impressionou. O que eu seria (ou não seria) se Carlos Diogo e Valda Medeiros não se encontrassem. Haveria eu ou eu nasceria de outra barriga? Da barriga da dona jovência, por exemplo, que no caso era a bisavó da minha esposa? Mas aí o eu da minha esposa não existiria ou existiria em outro corpo, em outro lugar? Não sei bem como é ser eu e fico impressionado como seria ser você. Que voz é essa que fala em nossas cabeças, que pensa, reflete e argumenta? Quem sou, quem somos nós, se como cantou Raul, se hoje sou estrela amanhã já se apagou...? Sei que filósofos e psicanalistas se aprofundaram no assunto mas para mim, o eu será sempre um mistério.


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Ando meio ocupado. 

Estou um pouco ausente em comentar nos blogues que sigo. O grande blogueiro-escritor-cartunista André Mansim, desafiou seus leitores blogueiros a fechar os comentários de seus blogues pra ver o que acontecia. Olha, eu sempre quis fazer isso. Será que se eu deixar de visitar alguém por umas duas semanas e não comentar nenhum dos seus textos, ela vai fazer a mesma coisa comigo? Acho que sim, é assim que funciona a tal blogosfera e tudo bem.

Preciso me concentrar em escrever um livro que estou escrevendo há uns 20 anos! Sou muito preguiçoso e faltoso de talento em escrever histórias longas, daí a coisa estar empancada. A mesma facilidade que tenho em escrever um continho, uma cronicazinha, tenho na dificuldade  em escrever textos longos. 

MAS PRECISO ESCREVER ESSE LIVRO!!!! Eu prometi escrevê-lo para meu pai e meu pai já se foi...já não é o que tinha sido. Sinto-me profundamente envergonhado, mas a família ainda me cobra o livro, pois seria uma biografia romanceada dos meus pais. Vou tentar, prometo.

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POIS ENTÃO, vou me ausentar um pouco. Não vou deixar de ler meus blogues preferidos, mas acontecerá de não ser todos dias e eu poderei não comentar nada ou apenas dizer um "oi".

E vou fechar meus comentários. 

Se você vem aqui apenas para comentar e esperar a minha retribuição, fique tranquilo/a, não precisará mais fazê-lo.  Se continuar lendo as besteiras que escrevo, será por livre vontade não retributiva. 

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Caia, Mas Levante!

  CREIO QUE O PIOR erro que nós, pais, cometemos contra nossos filhos, é a superproteção. E este assunto me veio à baila depois de ler uma c...