quarta-feira, 1 de abril de 2026

BOBOS DE ABRIL

 




POIS ENTÃO, não é hoje o tal do "Dia da Mentira"? 

Não sei por quanto anda nos mais jovens, esta data que já foi célebre em tempos pretéritos. Acho que eles não dão muita bola pro Primeiro de Abril. 

No meu tempo de garoto éramos magnânimos em engendrar lorotas aos amigos. Hoje tem prova surpresa de matemática....PRIMEIRO DE ABRIL!!! Sabe a Silvana, aquela gata? Me disse que está caidinha por você...PRIMEIRO DE ABRIL!!! As possibilidades eram praticamente infinitas. Até meu pai me pregava peças. Este mês vou te dar vinte cruzeiros de mesada...PRIMEIRO DE ABRIL!!!

Pois então, acabo de ser informado pelo meu Assessor Para Assuntos Juvenis, que existe sim, "trolagens" de Primeiro de Abril entre eles, mas agora, são mais fortes no meio digital, tipo esse negócio de Tik Treku.  Tik Tok, pai, Ele me corrige...os meninos e meninas que ficam famosos fazendo dancinhas (estou pensando em me aventurar no Tik Treku e fazer dancinhas pramodevê se fico famoso!) costumam gravar vídeos de pegadinhas. Ah, tá, entendi.

Porém, em tempos em que nosso Grande Irmão Defensor da Democracia Suprema criminaliza "fake news", até brincar de mentir pode te deixar na mira da Justiça Suprema! Então, cuidado! 

Como eu não sabia, fui pesquisar.

A origem do Dia da Mentira não é consenso entre historiadores, mas a teoria mais aceita remonta à França do século XVI, ligada a uma grande mudança no calendário. Até meados do século XVI, o Ano Novo na França era comemorado na chegada da primavera, por volta de 25 de março, e as festividades duravam uma semana, terminando em 1º de abril. 

Em 1564, o rei Carlos IX determinou, pelo Edito de Roussillon, que o ano novo passaria a ser em 1º de janeiro.

Muitas pessoas resistiram à mudança ou demoraram a saber da novidade e continuaram celebrando na data antiga.

Aqueles que seguiam o novo calendário passaram a ridicularizar os "atrasados", enviando presentes estranhos ou convites para festas inexistentes no dia 1º de abril. Essas vítimas ficaram conhecidas como "bobos de abril".

Aqui no Brasil, a data se popularizou por volta de 1828, em Minas Gerais. 

O jornal mineiro O Mentira publicou, em sua primeira edição em 1º de abril de 1828, a notícia falsa da morte de Dom Pedro I.

A notícia causou grande alvoroço e precisou ser desmentida oficialmente. O episódio marcou o início da tradição de pregar peças e espalhar boatos inofensivos nesta data no país...

Olha, O Mentira merecia um prêmio pela ousadia e criatividade. Noticiar a morte do Imperador!!!


Lá em 1964, o Primeiro de Abril também foi marcado por um grande evento: Sim, estou falando da Revolução ou Golpe de 64 - escolha sua nomenclatura. Apesar de que...sugerir hoje chamar  a Coisa de "revolução" pode ser entendido pelo Grande Irmão Defensor da Democracia Suprema como golpismo, fascismo ou bolsonarismo...corrijo-me: SIM, GOLPE, GOLPE, GOLPE DE 64, pra ficar bem estabelecido que este pseudocronista segue as normais linguísticas politicamente corretas dos nossos tempos. 

ARREGOU!! vão gritar meus amigos da extrema-ultra-mega-direita. Não se deixe manipular pelo Sistema, me dirão. Posso dizer então que o  golpe revolucionário começou como Redentor e acabou como Corruptor. Tá bom assim para ambas as partes? 

Não, meus amigos progressistas-esquerdistas-identitários-antifascistas, certamente vão dizer que essa minha frase tem cheiro de golpismo... 

Mas até a Coisa (pronto, nem golpe nem revolução, pois eu tenho opinião!) que de fato, se impôs em primeiro de abril, foi comemorada durante 21 anos no dia 31 de março. Era uma data mais simpática.


Sem mais delongas, deixem-me informar-vos que:

A guerra acabou. Israel, Irã, Estados Unidos, Hamas, Hezbollah,  resolveram conversar e chegar a um acordo. Israelenses e Palestinos vão viver juntos em uma grande pátria judaica-palestinense. Acabaram-se os atos de terrorismo e ações belicosas ideológicas e religiosas.  A perspicácia, engenhosidade, resiliência e bravura do espírito judaico e árabe, farão da Palestina o lugar mais próspero e feliz do mundo. 


                                                                         * * * 

segunda-feira, 30 de março de 2026

A CARTA

 






O NOSSO CONHECIDO jeitinho do "toma lá dá cá", me parece, começou cedo, antes mesmo de haver Brasil. Serei leviano em dizer que herdamos esse jeitinho que hoje é tão nosso dos  colonizadores portugueses? 

Senão, vejamos.

Todo mundo conhece ou já ouviu falar (mesmo sem ter lido) a famosa carta que Pero Vaz de Caminha escreveu ao Rei D. Manuel I em 1500, informando da recente descoberta (ou invasão para os anticolonialistas), do que é hoje, Porto Seguro, Bahia, Brasil. Como também é sabido (ou não), Pero Vaz era o escrivão da armada portuguesa chefiada pelo famoso Pedro Álvares Cabral, nosso descobridor ou invasor, conforme queiram.  Ele era  responsável por registrar oficialmente os acontecimentos da viagem. Podemos dizer que foi o primeiro cronista que pisou nestas terras abençoadas por Deus. Ele escreveu suas impressões sobre os nativos e sobre a terra que acertadamente, observou que "Nela, em se plantando, tudo dá".

Mas ao final da sua carta, Pero Vaz muda totalmente de assunto e deixa registrado ao Rei um pedido puramente pessoal e familiar: Ele solicita o perdão e o retorno do seu genro, Jorge de Osório, que estava exilado (degredado) na Ilha de São Tomé por ter roubado uma igreja e agredido um clérigo. Será que em troca do trabalho de cronista ele procurou emplacar um favor real de volta? Olha que bom trabalho eu fiz, ó rei Manuel, quebra esse galho pra mim?

O trecho exato diz:

"E pois que Senhor, é certo que tanto neste cargo que levo como em outra qualquer coisa que de Vosso serviço for, Vossa Alteza há de ser de mim muito bem servida, a Ela peço que, por me fazer singular mercê, mande vir da ilha de São Tomé a Jorge de Osório, meu genro — o que receberei em muita mercê." 

Eu acredito que o Rei Manuel pode ter atendido ao pedido de Pero Vaz, mas não há registros históricos para confirmar. Coisas do Destino, o escrivão morreu quando estava em combate na Índia, apenas sete meses após escrever a famosa carta. Parece que o seu genro, Jorge de Osório ficou mofando na cadeia. 



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BOBOS DE ABRIL

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