Aí você me pergunta "Que negócio é esse aos 60 ter um filho de 15? Na tua idade eu já era avô...". Não refuto, aceito a crítica. Se é que tal coisa é criticável. Ora, hoje em dia está cheio de coroas 50 + sendo pais, e mais chocante ainda, mulheres sendo mães!
A maternidade foi sendo jogada pra frente desde que as mulheres ganharam autonomia e foram para o mercado de trabalho. Filhos aos 20 por ter casado é coisa muito do passado. Coisa do presente, infelizmente, é adolescentes de 15 que vão pro segundo filho...
Isso nos anos de antigamente seria um escândalo.
Pois então, quando Eduardinho nasceu eu tinha 45 - mas todo mundo me dava 37...abrindo um parênteses, sempre me deram uns 8 anos a menos da minha idade real, mas parece que agora, o tempo está querendo ir à forra, pois olho no espelho e digo, "Tu tem cara mesmo de 60!" - ainda que ,alguns, ainda me digam: "está muito bem pra 60, nem parece!". Sei.
Casei-me pela primeira vez aos 24 anos, ela tinha 17. Pois é. Mas o pai autorizou. Queríamos ter 2 filhos. Mas o casamento foi pras cucuias. A imaturidade de ambos foi fator relevante pro fracasso. Pra mim foi bem traumático. Eu tinha uma paixão doentia por ela. Levei uns 5 anos pra superar.
Não quero mais saber de filhos. Nem de esposas. Depois da recuperação emocional, levei 10 anos numa boa, sem compromisso. Eu era livre. Não gastava dinheiro com colégio particular, roupas, tênis, passeios de escola, passeios com amigos...
Mas aí eu conheci a mãe dele que me tirou da solteirice. Ainda não queria filhos, ela sim. Aí combinamos. Um basta. E está bastando.
Vou abrir parênteses.
O "Poema Enjoadinho" de Vinícius de Moraes retrata com humor e afeto as dores e delícias da paternidade, destacando o caos do cotidiano com crianças. (eu, já prevendo, só tive um mesmo). O texto alternado entre a vontade não ter filhos e a admiração por eles reflete a ambivalência do amor paterno.
Mas se não os temos
Como sabê-lo?
Se não os temos
Que de consulta
Quanto silêncio
Como os queremos!
Banho de mar
Diz que é um porrete...
Cônjuge voa
Transpõe o espaço
Engole água
Fica salgada
Se iodifica
Depois, que boa
Que morenaço
Que a esposa fica!
Resultado: filho.
E então começa
A aporrinhação:
Cocô está branco
Cocô está preto
Bebe amoníaco
Comeu botão.
Filhos? Filhos
Melhor não tê-los
Noites de insônia
Cãs prematuras
Prantos convulsos
Meu Deus, salvai-o!
Filhos são o demo
Melhor não tê-los...
Mas se não os temos
Como sabê-los?
Como saber
Que macieza
Nos seus cabelos
Que cheiro morno
Na sua carne
Que gosto doce
Na sua boca!
Chupam gilete
Bebem xampu
Ateiam fogo
No quarteirão
Porém, que coisa
Que coisa louca
Que coisa linda
Que os filhos são!
Desde que nasceu eu já comecei a influenciar o menino. Quando desmamou já comecei a encher seu berço de livros infantis. Começou a falar e começamos a levar altos papos. Lá pelos 5 anos, comecei a oprimi-lo lhe ensinando a fazer flexões e abdominais. Isso pode ser chamado de "opressão atlética"?? O que diz o ECA, POR FAVOR!!!?
Aos 8 foi pro judô e pra natação. E livros, livros e livros. Aqui o lema era "corpo ativo num cérebro ativo". Comecei a fazer alguns treinos junto com ele. Isso durou até mais ou menos os 12. Era treino e diversão ao mesmo tempo. Tempo cronometrado: polichinelos, flexões, corridas estáticas, agachamentos...nós é atleta, pensando o quê??
Sempre muito magro, começou a pegar musculatura. O corpo que eu queria ter hoje: magro e com músculos. No meu caso, tenho alguns músculos acompanhado de enxúndias chatas na barriga que não saiu nem por decreto do STF.
Tempo de Copa.
Esse negócio de torcer pra time é coisa que passa de pai pra filho. Meu pai não me passou nada, logo, não passei nada pra ele, a não ser, o gosto pelo esporte, incluindo, o futebol. Meu pai era digamos, um torcedor nominal do Bahia. E só. Nunca foi a um estádio ver o time jogar.
Eduardinho nunca teve jeito com bola. Eu lhe dava um passe e ele todo sem jeito, parecia que ia dar nós nas pernas. Tentei (tento até hoje) fazê-lo melhorar no domínio da bola, mas ele não nasceu pra isso. Agora, joga ele numa piscina que parece um peixe.
Não torce pra time mas torce pra seleção. Em 2014 foi sua primeira copa. Tinha 4 anos. Assistimos os jogos juntos e juntos vimos o Brasil perder de 7 a 1 pra Alemanha. tadinho, tão novinho e já com um golpe desses...
Mesmo assim, assistimos a de 2018 e 2022 - esta particularmente, o deixou furioso. "O Neymar foi lá, fez o gol , era só todo mundo ficar na defesa, mas não...deixaram a Croácia empatar!!!" - compartilhei do seu lúcido comentário.
E chegamos agora a mais uma copa. E diferente do que foi até hoje, ele me diz que vai ver o primeiro jogo do Brasil na casa do amigo...
Como assim? Sempre vimos juntos!!!!
É a tal da independência chegando. Em dezembro faz 16 anos e já poderá votar (ele retruca, "quero ver quem vai me obrigar"), tão novo e já decepcionado com nossa política...e já avisei que se o projeto for adiante, já poderá responder criminalmente aos 16. Com seu humor negro, brinca: "Quer dizer que não vou poder traficar humanos mais aos 16"? Fêlo da mãe!
E agora, absurdo dos absurdos, não quer mais treinar comigo. Agora segue o próprio plano de exercícios que ele pesquisou na Internet. No fundo, no fundo (ele não admite), deve pensar que eu não consigo mais acompanhar o seu ritmo...vê se pode? Como diria Gonzaga, "Luis, respeita os 8 baixos do seu pai..."
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