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Mostrando postagens de maio, 2024

COISAS PERDIDAS

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  Já aconteceu com você, tenho certeza.  A cena é típica . Você está escolhendo uma roupa para sair e pega aquela camisa que há tempos você não usa e aí sente que tem alguma coisa no bolso. Aí é que a mágica acontece! Você achou em um bolso aquela  nota de cinquenta ou de cem reais que você nem sabia mais que existia... Aquela nota que você deixou ali para guardar mais tarde e esqueceu completamente. Pior destino terá a nota esquecida quando a peça de roupa vai para a lavadora e só depois você percebe que lavou a roupa com a nota dentro...mas quase sempre dá para salvar. É preciso medidas de emergência: Pegar com muito cuidado a nota toda molhada e retorcida, secá-la com um secador ou deixá-la quarando no sol e depois se quiser, passar um ferro para desamassar.  Se a nota já era velha, a coisa é pior, ela pode rasgar e ficar muito prejudicada. Coisa para UTI mesmo... Nunca achei cem reais perdido em algum bolso mas já encontrei dez, vinte e até cinquenta, sem falar ...

Vou te contar

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  JÁ DEVE TER ACONTECIDO COM VOCÊ. Lembro-me de pelo menos três vezes que aconteceu comigo. Sentado no hospital esperando a consulta. Nesses momentos eu estou sempre lendo alguma coisa e não me apraz engendrar conversas com desconhecidos, muito menos conversas de hospital . A senhorinha sentou-se ao meu lado, parecida ter no mínimo oitenta primaveras. Simpática.  - Sabe se o doutor Armando já chegou? Eu lia um parágrafo tenso em um livro policial.  - Parece que ainda não.  Volto minha atenção ao livro. - Qual o seu número de senha? - Eu sou o quinto. - Eu sou a sexta, vou depois de você. - É... Não sei porque,  pessoas mais idosas são pródigas em puxar conversas com desconhecidos em hospitais, bancos, dentistas, mercados... Eu geralmente gosto de conversar cm os mais idosos, eu estou caminhando célere para lá , para a eufemisticamente chamada "Melhor Idade" - melhor pra quem cara pálida? Porém, quando eu estou lendo ou escrevendo, odeio ser interrompido. Certame...

Da Janela

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  Fim de expediente.  Mais um dia de trabalho e ainda é segunda. Aquela onda de gente voltando para casa. Rotina. Pelo menos pego meu ônibus no ponto final. A janela é o lugar onde gosto de viajar, olhar a paisagem. Uma mãe segurando a mão da filha com algumas bolsas na outra mão. Dia de compras? Espero que o passeio tenha sido divertido. Muitos camelôs nas calçadas. Eles também logo, logo, vão fechar suas barracas e voltar para casa. Um homem sentado na calçada pedindo esmolas. Um engravatado com uma pasta 007 faz sinal para um taxi. Uma ciclista vestida a caráter pedala sua bike. Li ontem notícia  que um ciclista tinha sido atropelado no dia anterior. Um artista de rua faz piruetas no meio de uma pequena aglomeração. Olha, não esquece de colocar uma nota no chapéu do artista! O ônibus dá uma freada brusca que me tira do meu devaneio e ouço o motorista gritar furioso:  QUER MORRER, DESGRAÇADO?! Por favor, atravessem a rua na faixa e no sinal, é mais seguro! Quase ...

Olhai Os Lírios do Campo

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  Terminei de ler esse livro do Érico Veríssimo que eu tinha há anos em minha biblioteca e nunca tinha lido. Depois que ele se foi no incêndio, por fim, li a edição digital no meu Kindle.  Érico Veríssimo é um dos meus autores brasileiros prediletos desde que li a trilogia O Tempo e o Vento que eu reputo ser uma das maiores obras de literatura em nosso país. Em Olhai Os Lírios do Campo , Veríssimo nos apresenta Eugênio, um personagem que desde a infância busca superar uma vida de pobreza e humilhação; o seu desprezo pela falta de ação e atitude do pai alfaiate e a condescendência da mãe à situação.  Eugênio empreende uma busca de si mesmo em sua batalha interior de superar uma vida medíocre e seu complexo de inferioridade. Mas a que custo? O livro foi publicado em 1938 e foi grande sucesso de vendas o que possibilitou a Veríssimo se dedicar profissionalmente à literatura. O foco narrativo também é interessante já que presente e passado se alternam na jornada de Eugênio....

Olhar o Tempo - 3

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  PARE!!!  Olá, se estiver chegando por aqui agora, esta é a terceira e última parte desse conto. Leia as primeiras partes abaixo para se inteirar do que está acontecendo no tempo... Parte 1:  Aqui   Parte 2:  Aqui * * * * * * * * * * * * * * * * * *  O TEMPO Dez anos desde o encontro na biblioteca. Agora eles tinham uma filha, Giovana. Linda menina,  tinha os olhos de Dora. Quatro anos.  Num segundo ele estava em uma livraria tentando tomar uma decisão importante, dois anos depois, se casando. Percebeu  o olhar dela em sua direção. Percebeu seu desvio de olhar. O tempo de meio segundo. Um minuto depois ela estava sentada ao seu lado. Aquela mesma Dora que ele admirava de longe na faculdade. Se ele imaginasse  que ela o achava atraente pelo ar de mistério que ele carregava... Ele se retraiu um pouco com a impulsividade da moça. Oi, achei que você estava tendo algum ataque de paralisia. Você estava tão estático olhando para o teto da liv...

OLHAR O TEMPO - 2

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  Olá, se chegou aqui agora, leia antes a primeira parte desse conto  Aqui   FRANCISCO  Dora não tinha tempo para ficar olhando o tempo. Vida corrida. Fazia o que tinha que fazer. Pragmática.  Não deixe para amanhã o que se pode fazer hoje era um dos seus lemas.  Tinha várias boas amigas e gostava de festa, de dançar, de rock e de Assis. Capitu era sua personagem predileta. Qual mistério ainda guarda Capitu...?  Terceiro semestre da faculdade de Medicina. Queria ser médica desde criança quando ficava brincando de clinicar com as bonecas... tá com tosse, toma xarope... machucou o dedão, tem que fazer curativo...toma um remédio para dor de cabeça. ..A mãe ria e dizia Não tem jeito, vai ser médica. Teve um namorado metido a filósofo. Gostava dos metafísicos que Dora não chegava nem perto. Dora era uma existencialista. Existência vinha antes da essência e esta era construída na vida, no labor contínuo da caminhada e das experiências. Mandou o namorado pas...

OLHAR O TEMPO

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  DORA Tinha a mania de olhar o mundo , de olhar o tempo enquanto estava sendo conduzido pelo tempo. Desde muito jovem evitava se abrir muito para o mundo. O mundo lhe causava certa apreensão. Não sabia porquê estava no mundo e nem sabia porquê deveria estar no mundo e nem sabia qual sua função no mundo. Um passageiro observador do tempo. Quando jovem gostava dos livros, das revistas e evitava as festas. Tinha poucos amigos mas até estes o viam como um "cara meio esquisito" . Havia nele, porém, algo que atraia. Talvez seu rosto contemplativo de quem está sempre "olhando para cima" ou talvez seu falar manso que contrastava com a algazarra vocal dos poucos amigos. Mais velho apaixonou-se por Dora. Dora era como uma estrela, pensava ele. Brilhante, atraente mas distante...muito distante. Não tinha jeito com mulheres mas Dora tinha curiosidade de tecer conversas com aquele rapaz tão diferente que ela conhecera em uma livraria. Era até bonito, pensava ela. Dizem que o ac...