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Mostrando postagens de abril, 2025

Pai e Filho - O Manuscrito

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  MEXENDO em uns papéis velhos da escola do Eduardinho, encontrei um já rasgado com uma história escrita. Perguntei-lhe quando  tinha escrito o texto. " Faz tempo, pai, foi antes da casa pegar fogo..." (depois eu conto essa história). Então ele tinha dez anos.  Muito se discute hoje como fazer os jovens gostarem de ler e muitas opiniões são dadas mas para mim uma coisa é básica: Uma criança terá o gosto pela leitura em uma razão proporcionalmente direta ao quanto ela encontra de livros em casa e quanto os pais leem. Desde que ele aprendeu o alfabeto em casa com vídeos educativos e começou a ler com 4 anos, comprei uma penca de livros infantis para ele. Eu lia para ele antes de dormir. Quando fez 8 anos, comprei a coleção completa dos livros de Monteiro Lobato e lhe pedi que a cada livro que lesse, fizesse uma anotação em um caderno do que ele tinha achado. Hoje em dia ele confessou que achava aquilo muito chato mas fazia porque eu mandava...pô, eu só pedia com carinho...m...

Deixa de Arte, Menino!

  NA MINHA CRÔNICA anterior, recebi comentários muitos  auspiciosos! Perdão, não sou assim tão formal(só quando incorporo um autor do século 19), eu só queria mesmo uma oportunidade de usar essa palavrinha que acho tão legal... Os blogueiros que comentam por aqui sempre deixam colaborações interessantes que enriquecem o meu texto. Tem comentário tão interessante que dá vontade de colar aqui e tecer novas crônicas a partir deles! (acho que vou começar a fazer isso e abrir uma nova temática: Crônicas Reagentes ). Isso aconteceu com um comentário do poeta  Dan André . Ele entendeu de forma diversa uma expressão que eu usei:  "quem faz arte não tem tempo de fazer arte" e apesar dele não ter captado o significado simbólico que eu dei à expressão, fez um comentário belíssimo que eu precisei repetir aqui:  Essa tua frase bateu fundo: “quem faz arte não tem tempo pra fazer arte”. Te entendo sim — é o paradoxo de viver mergulhado no sentir, mas nem sempre conseguir tra...

A Arte Pode Salvar

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  EU ACREDITO MESMO nessa frase, de que a arte pode salvar. Quem faz arte não tem tempo pra fazer arte , se é que você me entende. A banda materna da minha família é toda mergulhada na música. Meu avô era compositor e maestro. Compôs a que até hoje é considerada a música que mais representa a cidade de Natal, RN(conto esse caso depois).  Todos meus tios, incluindo minha mãe, eram envolvidos com música. Um tio, Vivaldo Medeiros , tinha um estúdio aqui no Rio onde ensinava violão clássico, popular e cavaquinho. Acompanhou  muitos cantores, apareceu até em filme da velha Atlântida. Quando menino, contava minha mãe, solou o Hino Nacional no cavaquinho diante da escola toda formada.  Minha mãe Valda cantava muito bem, muito afinada. Como era evangélica, só cantava na igreja. Teve uma época que meu pai cogitou levá-la a uma gravadora cristã. Ela declinou e agradeceu. Era extremamente humilde e dizia que não saberia se portar na igreja tendo um disco gravado. Uma prima mi...

Vai, Nazareno

  HÁ MUITO ESCREVI um poema sobre Jesus e a páscoa cristã que se perdeu na multidão de meus arquivos digitais. Sei que tinha publicado no Face mas achar uma postagem de tanto tempo por lá é uma "Via-Crúsis"... Então, decidi rememorar e reescrever o poema. Era como se fosse a ressureição do poema...ideia bem propícia à época.  Ficou assim:  Vai, Nazareno Olha esse povo como te segue Como ovelhas desgarradas Em busca de um pastor Vai, Nazareno Proclama  palavras de esperança Fala outra vez de um novo reino Que está prestes a chegar Fala com o  Samaritano Fala com o romano Fala com o fariseu  Fala até comigo, Um pobre ateu Vai, Nazareno vai cumprir tua sina vai de peito aberto potestades não te calarão Vai, Nazareno Tua manjedoura foi pobre mas  alegre,  Teve bichos e magos e estrela no céu Mas teu derradeiro ato, Nazareno,  Será de sofrimento, angústia, dúvidas e fel Vai, Nazareno  Cumprir tua sina Vai nos ensinar o que é ter coragem,...

Procópio, o Retardatário

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  ERA TÃO SEM PRESA , MAS TANTO, TANTO, que levou mais de vinte e quatro horas para nascer. Ficava no vai não vai ou vem não vem. A mãe já  prostrada, exausta, sem forças para fazer força quando a médica lhe dizia "Forçaaaaaa!!!" Quando a médica já ponderava fazer uma cesária pra arrancar o menino lá de dentro,  depois de muitos "Aiiinn", "Ughhhh", "Sai, seu filho da puta. .." berrados pela mãe, viram que por baixo ele não sairia mesmo, confirmando as ponderações da médica. "Ele subiu, o danadinho tá se escondendo.." disse a médica à uma enfermeira. Cesária feita, eis que ele vem ao mundo contrariado. Levou 5 minutos para chorar. De raiva.  Aos 5 anos ele perguntou ao pai: - Pai, porque meu nome é Procópio?  - Procópio era o nome do seu bisavô, um importante empresário do ramo de calçados, seu nome é uma homenagem a ele. Sem falar que Procópio também era o nome de um grande ator brasileiro, o Procópio Ferreira... -Mas pai, meus colegas...

Naquela Mesa (Crônica de Pai, Filho e Avô)

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ANO PASSADO eu e meu filho conversávamos sobre o avô Diogo, meu pai. Como não teve uma relação muito extensa de neto-avô, já que meu pai faleceu quando ele tinha apenas 8 anos, eu contava  para ele como era a minha relação com o meu pai. Acho que a maior lembrança que ele tem foi quando sem querer, o avô o trancou do lado de fora do apartamento quando estavam sozinhos em casa e levou um bom tempo para perceber que o neto tinha sumido...(depois eu conto esse caso). Eu contava para meu filho os defeitos e as virtudes do avô.  Lembranças eternas e tocantes para mim. Meu pai era um leão quando o caso era nos defender  e fazer tudo o que pudesse para nos ajudar em qualquer situação. Um pai presente. Rígido em alguns aspectos e extremamente flexível em outros. Irritantemente, gostava de repetir para nós sua máxima: " Faça o que eu digo mas não faça o que eu faço" . Ou então, "coma o que sua mãe colocar no prato pois menino não tem gosto" .  Contava histórias à mesa ou na ...

Love Story

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  Maria Tereza e Maria da Glória passeavam  pela calçada à beira-mar. O sol já se ia longe num belo entardecer. João Vicente vinha em sentido oposto. Logo viu Maria Tereza, apaixonou-se. Aquelas paixões imediatas, impositivas, quase perturbadoras, mas foi Maria da Glória que antes, por ele se apaixonou.  Aquelas paixões imediatas, impositivas, quase perturbadoras. O sorriso que João Vicente endereçou aos lindos olhos de Maria Tereza foram recebidos com desprezo. Não sabia (como poderia saber?) que o coração de Maria Tereza era terreno árido, impenetrável e  o olhar mavioso e receptivo que Maria da Glória endereçava ao olhar de João Vicente, da mesma forma ignorado foi. Os olhos que o moço queria eram os olhos de Maria Tereza, não os olhos de Maria da Glória. Em angustiante desconexão do acaso, os três por si passaram, João Vicente de chapéu na mão, estatuado em uma reverência decorosa para Maria Tereza que semblante fechado, o  ignorou mais uma vez. O rapaz sofr...