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domingo, 16 de agosto de 2026

Daisy Bell

 

JÁ OUVIRAM A MÚSICA "DAISY BELL"? E você sabia que ela se tornou o primeiro registro de uma canção cantada por um computador na história? . A gravação foi o primórdio da síntese de voz digital e da computação musical. E a gente (eu, pelo menos) achando que isso era coisa muito moderrrrna! Ali foi o início do  que viria ser a Suno.

E como eu sabia disso? Não sabia. Ouvi meu filho ouvindo a música cantada pelo computador em 1961 e perguntei: "Que música é essa? Parece cantada com voz robótica...." ; "E é, pai, essa foi a primeira música cantada por um computador". E eu, "ah, é?" . E fui pesquisar. 

O evento aconteceu nos laboratórios da Bell Labs utilizando um mainframe IBM 7094, que era o computador mais potente da época. Abrindo um parêntese, quando ouço essa frase "computador mais potente da época", lembro do meu poderoso top max ultra Pentium comprado em 1993 (se não me falha a memória, e ela sempre falha) com seus grandiosos 80 MB de HD e incríveis 8 MB de memória RAM!

Quem programou os vocais do experimento foram os cientistas John Kelly e Carol Lockbaum, e o pioneiro da música digital Max Mathews, desenvolveu o acompanhamento instrumental. O processamento era tão lento que o computador levava uma hora para renderizar os dados e gerar poucos segundos de áudio.

A música "Daisy Bell" foi composta em 1892 pelo compositor anglo-irlandês Harry Dacre. A primeira gravação conhecida foi feita em 1893 por Dan W. Quinn.

E como o Youtube é uma coisa maravilhosa onde você encontra quase tudo o que já se gravou no mundo, lá encontrei tanto a canção original de 1893 quanto a que foi gravada pelo computador IBM. Ei-las:


A original 


A gravada pelo computador IBM em 1961



Tradução da letra:


Daisy Bell

Daisy Bell

Há uma flor em meu coração

Uma margarida, uma margarida

Daisy, daisy

Plantada um dia por um olhar penetrante

Dado por Daisy Bell

Se ela me ama ou não

É difícil dizer

Mas anseio por compartilhar a sorte

Da bela Daisy Bell

Nós iremos juntos, como homem e mulher

Daisy, Daisy

Daisy, Daisy

Pedalando pela estrada da vida

Eu e a minha Daisy Bell

E quando a estrada estiver escura, desdenharemos

Dos policiais e dos postes de iluminação também

Há luzes brilhantes nos olhos deslumbrantes

Da bela Daisy Bell

Daisy, Daisy, me dê sua resposta, sim

Estou meio louco de tanto amor por você

Não será um casamento elegante

Não posso pagar uma carruagem

Mas você ficará tão linda

No assento de uma bicicleta de dois lugares

Ficarei ao seu lado na alegria e na tristeza

Daisy, Daisy

Daisy, Daisy

Você será o sino que eu tocarei, você sabe

Doce Daisy Bell

Você assumirá a direção em cada passeio que dermos

Então, se eu não me sair bem

Permitirei que você use o freio

Minha bela Daisy Bell

Daisy, Daisy, me dê sua resposta, sim

Estou meio louco de tanto amor por você ...



terça-feira, 23 de junho de 2026

A Era do Ofensismo

 



"Ofensismo" é um termo que não encontrei no dicionário. Então eu criei um neologismo? Não, certamente outros já usaram o termo. Por que as pessoas se ofendem com qualquer coisa hoje em dia? 

Pessoas emocionalmente e politicamente frágeis que se ofendem com uma piada! Humoristas que fazem seus shows em teatros onde o público paga para assisti-lo, de repente se tornando inimigos públicos número um, com direito a processos e tudo mais.

O movimento político-comportamental conhecido como "woke" quis redefinir todo o tecido das relações humanas aqui no Ocidente. Lá pelas bandas do Oriente ele não se criou muito. 

Movimentos identitários, militâncias LGBTQIA+, feminismo, o politicamente correto, os cancelamentos, tudo isso está no guarda-chuva do movimento woke. O objetivo do movimento, em teoria muito humano, pretendia ampliar a consciência geral contra injustiças sociais, preconceitos e discriminações que grupos de pessoas sofrem na sociedade patriarcal-capitalista-branca-cristã. O termo virou mantra na boca dos wokers.

Mas como de boas intenções o inferno está cheio, o movimento logo se mostrou ser exatamente aquilo que criticava: opressor, autoritário, nada democrático. Como alguém já disse, todo revolucionário acaba se tornando depois um opressor quando vence sua revolução. 

Um exemplo banal disso foi a tentativa do Movimento de emplacar a linguagem neutra em toda sociedade. Quem discordasse, claro, era preconceituoso, intolerante, racista e opressor. Quem não lembra do fiasco de se cantar o Hino Nacional com linguagem neutra, com um "Dos filhEs desses solo és mãe gential..." e discursos de vários componentes do atual governo abrindo suas falas com um "Bom dia a todos, todas e todEs"...até emociona o grau de inclusividade da expressão!

Como já diz um yotuber branco-conservador (e fascista, sexista, homófobico, etc etc), "todos e todas é redundância, todos, todas e todes é demência". Como ele ousa dizer tal coisa! Veja quantos grupos de oprimidos da sociedade ele ofende!!! 

O movimento woke, cuja essência é basicamente revolucionária de esquerda, pretende que todo mundo aja de acordo com o que ele acha certo, pois eles são "virtuosos", "esclarecidos" e "humanos" - todos os demais que não concordem com seus pressupostos, são o oposto disso, ou seja, o movimento desumaniza quem não seguir sua cartilha.

O movimento teve sua primeira fase entre 2013 e 2016, impulsionado pelas redes sociais e com o surgimento de movimentos como o Black Lives Matter, após casos de violência policial contra negros nos EUA. Quem dirá que é uma questão menor, sem importância?

Em uma segunda fase, o movimento conseguiu influenciar grandes empresas, universidades, mídia, redes sociais com as pautas identitárias como raça, gênero, orientação sexual. Foi aqui que todo homem virou "potencialmente um estuprador" e o homem branco se tornou o grande vilão da humanidade; que homens muito másculos, se tornaram "tóxicos" pois  o novo padrão aceitável para homens devia ser o "homem afeminado que usa maquiagem, saia e sapatos altos";  que mulheres trans começaram a acreditar que eram mulheres de fato, e que contrariá-las era a fina flor do machismo estrutural e da transfobia; que filmes de ação abandonaram os atores fortões e puseram  em seu lugar atrizes magrelas que eram capazes de derrubar dez homens somente com as próprias mãos.  

Porém, depois de 2021, o movimento perdeu força. Se polarizou. Discussões entre os próprios militantes começou a aparecer. Grandes empresas que tinham criados departamento de "diversidade e inclusão" descontinuaram esses departamentos. Muitos filmes feitos principalmente para servir de discurso político - isso aconteceu muito no meio "nerd ou geek", começaram a ser criticados.

O movimento perdeu força mas ainda resiste. Temos exemplos aqui no Brasil em que uma deputada trans designa mulheres de nascimento como "pessoas que gestam" e que atualmente, mulher é um termo mais abrangente: Ela pode até ter testículos e pênis...A deputada chegou a processar quem lhe chamava de "homem" - mas é exatamente o que ela é biologicamente! Num surto de mediana sanidade, o STF declarou que chamar mulher trans de homem biológico não era transfobia, de acordo com o contexto da situação e se o objetivo não fosse apenas a intenção de ofender.

Outra batalha do movimento woke é reescrever o passado. Tirar da cultura tudo o que não seja mais aceito pelos "Iluminados". Por aqui já quiseram colocar na fogueira os livros de Monteiro Lobato, tidos como racistas. Alguém tocou foco na estátua do Borba Gato. Ruas com nomes de certos personagens (principalmente ligado ao termo "marechal") deveriam ser mudados.

O Banco da Inglaterra  decidiu remover a figura de Winston Churchill e de outras personalidades históricas dos versos das cédulas de libra esterlina para substituí-las por imagens da fauna, flora e paisagens nativas britânicas. 

Parece que o herói britânico da Segunda Guerra causa incômodo em algum desses "grupos oprimidos". O Banco declarou que um dos motivos da mudança foi que a maioria dos ingleses que responderam a uma pesquisa, preferiam fotos de animais fofos nas notas ( como ouriços, texugos, raposas, golfinhos e corujas)  ao invés de personalidades. 

Consultores do Banco recomendaram o abandono de personalidades. O relatório indicou que homenagear rostos do passado trazia uma "visão retrógrada" do país, além de carregar um risco excessivo de controvérsia(não se pode contrariar os "oprimidos").  Figuras consagradas como o próprio Churchill, a escritora Jane Austen e o matemático Alan Turing passaram a ser apontadas como "elitistas e divisivas", que já não representam com fidelidade a diversidade cultural do Reino Unido atual.

Veja só, Churchill, você se tornou na sua terra, "elitista". O que você fez para derrotar o nazismo hoje é "retrógado". A esquerda  fica muito ofendida ao olhar sua foto em uma nota! A grande escritora Jane Austem também não está nos padrões da atual diversidade, talvez por que escrevesse de forma muito "elevada"(elitista?) que meninos e meninas de cabelo azul hoje em dia não conseguem ler? Alan Turing, um brilhante matemático, lógico e criptógrafo britânico, amplamente considerado o pai da ciência da computação teórica e da inteligência, de repente, se tornou "tóxico", talvez por ofender a inteligência medíocre de grande parte da turma woke?

Agora, o Banco da Inglaterra não ousou tirar a foto do rei Charles III, pois a mudança será só no lado reverso das cédulas - o lado da ofensa. Por enquanto, Charles, tua cara tá salva do humanismo esclarecido atual. 




quinta-feira, 4 de junho de 2026

A Despedida de Nazário

 





E o fenômeno parou

E como ficamos nós? 

Ficamos um pouco órfãos.


Dos que eu vi jogar, não vi muitos maior do que você.

Força aliada à técnica.

Carisma que iluminou os campos com um sorriso dentuço.


Vai, Nazário, vai descansar

Pois eternamente, serás gênio.


Teu corpo já não acompanha tua vontade.

Em copas, ninguém marcou mais que você. 


Vai Nazário, não esqueceremos de você, de tudo o que você

Pintou no futebol.

Sim, craque não joga bola, faz pinturas...

E a tua arte está registrada, para quem um dia

Num gesto de insanidade, negar que tu fostes gênio.


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Post Scriptum:

Ronaldo Fenômeno anunciou oficialmente sua aposentadoria do futebol no dia 14 de fevereiro de 2011, durante uma coletiva de imprensa. O jogador, que na época defendia o Corinthians, encerrou a carreira aos 34 anos devido a problemas físicos, incluindo dores constantes e o diagnóstico de hipotireoidismo.

O Alemão Miroslav Klose ultrapassou Ronaldo em 2014 no número de gols em copa. Ele tem 16 gols, mas Ronaldo vem na segunda posição com 15 gols em Copas do Mundo.

Gosto de futebol mas não torço pra nenhum clube em particular. Gosto de ver os jogos de Copa do Mundo, torcer pelo Brasil, mesmo sabendo que as chances do Brasil vencer este ano devem estar em uns 20%.

Escrevi esse poeminha em 2011, por conta da sua aposentadoria.





quarta-feira, 29 de abril de 2026

O CARAMELO É NOSSO!

 





EXTRA! EXTRA!

     Algo impactante para a cultura pátria canina aconteceu: Nos tomaram o Caramelo! Sim, o Vira-Lata Caramelo, símbolo animal brasileiro por excelência - quem nunca teve um Caramelo atravessando seu caminho? - acaba de ser usurpado pelo mexicanos, aqueles dos sombreiros e dos tacos. Vejam só que absurdo: O México acabou de decretar que o nosso - O NOSSO! - Caramelo foi classificado oficialmente como raça, onde é chamado de "perrito amarillo". O animal passou a integrar a lista de raças mexicanas ao lado do Xoloitzcuintli, do Chihuahua e do Calupoh.

    Um absurdo! Que desgraça é essa de "perrito amarillo"? Isso é uma verdadeira afronta ao Brasil. O mundo todo sabe que o Caramelo é o nosso maior símbolo canino. Onipresente em nossas ruas, becos e vielas. Eles são resistentes e dóceis. Se adaptam a qualquer lugar, se misturam e estão sempre com uma cara feliz, principalmente quando estão perseguindo rodas de motocicletas.

     Então, como o México decreta que o Caramelo agora lá é uma "raça nacional"? Todo brasileiro sabe que o charme, a pompa, a desenvoltura, a capacidade de sobrevivência, vem exatamente do fato do Caramelo não ter raça definida. Ele é uma entidade que paira acima dessas designações limitantes: Pastor Alemão. Buldog. Fila. Spitz Alemão. Rottweiler. Border Collie. Nomes pomposos que não esgotam a riqueza genética do nosso Caramelo-Sem-Raça-Definida. E como agora vem os muchachos decretando que o nosso SRD, é uma raça mexicana? Chamem a polícia, chamem o Mossad, o MI-5, a Abin, a ONU...todos podem atestar a nacionalidade afetiva do Caramelo ao povo brasileiro.

    Ontem mesmo conversei com o Pacheco. Pacheco é um Caramelo que passa o dia todo deitado na entrada do mercadinho aqui perto de casa esperando a hora do gerente liberar uma coxa de frango assada para ele. Fiz um comício à porta do mercado informando aos clientes que querem nos roubar o Pacheco. Que os mexicanos tomaram para eles a paternidade dos caramelos e os rebatizaram com o nome sonoricamente ridículo de "perrito amarillo". O protesto foi geral. Pacheco, como vítima de roubo de identidade nacional, latia e até uivava para o povo, protestando.

    Nossas autoridades já estão atentas à afronta. Diante da negativa mexicana de não desistir desse projeto vil, a nossa diplomacia diz que as vias do diálogo se esgotaram. Tudo fizeram para que os comedores de pimenta desistissem do intento e agora, a coisa será resolvida pela força. Reservistas e titularistas das Forças Armadas Brasileiras, se apresentem para a contenda - é de suma importância mantermos o Caramelo como símbolo brasileiro.


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Post Scriputum: 

A notícia é verdadeira, o México decretou o Caramelo como raça nacional.

Que diabos é um "Xoloitzcuintli"?? Quem já tem uma raça com esse nome pra quê querem nosso Caramelo?

quinta-feira, 23 de abril de 2026

Visceral

 


FUTEBOL é uma coisa que apaixona. Nenhum esporte é capaz de produzir tantas emoções: euforia, alegria, tristeza, raiva, dor...o futebol é visceral. Não existe isso no tênis, que eu gosto muito de acompanhar. Não existem guerras de torcidas com pancadarias nas arquibancadas de um grande jogo de tênis. É um jogo civilizado. Aplaude-se a boa jogado de quem você está torcendo contra. É assim também no vôlei, no basquete,  natação, atletismo. No futebol a história é outra...

Tinha o Francezinho. Nome de batismo Francisco. Um apaixonado por futebol. Conhecia de cor a história - em detalhes - do seu time de coração, o Flamengo, assim como da seleção brasileira. Era uma enciclopédia do futebol. Inteligente, de bom trato, parecia um lorde inglês - ou francês, já que recebeu o apelido por ter se formado em francês e ser professor dessa língua. 

Pois então, confirmava-se a tese de que o futebol é visceral quando Francezinho, em qualquer segunda-feira pós uma derrota do Flamengo, chegava ao trabalho existencialmente acabado. Sofrido. Se alguém lhe vinha caçoar sobre a derrota, ele se transformava. O lorde francês se transformava em um viking de cara pintada com um machado na mão em posição de ataque.

Ah, futebol, esse velho esporte bretão é capaz de muita coisa. Em 1969, durante uma guerra civil na Nigéria, o Santos Futebol Clube excursionava em alguns países e chegou a vez da Nigéria. Diante da presença mítica do Rei do Futebol, as partes em conflito resolveram dar uma trégua para que os nigerianos pudessem assistir Pelé jogando futebol!

Eu  tenho um grande defeito em matéria de futebol. Apesar de gostar do jogo, de torcer pela seleção canarinha, não torço para time algum. Não, não torço para o Flamengo - apesar de ter acompanhado o timaço dos anos 80 com Zico e Cia. Mas aí eu também gostava de ver Roberto Dinamite no Vasco....

Um torcedor não de time, mas de craques. Devo admitir que perdi muito do interesse pelo futebol de hoje. Falta magia. Falta ginga. Falta Pelé, Tostão, Garrincha, Eusébio, Yashin, Beckenbauer, Zico, Rivelino, Maradona, Platini, Ronaldo...Não há hoje jogadores como estes. O futebol virou uma coisa para mim, sem graça, pois os craques de hoje não são dignos de amarrar as chuteiras dos craques de outrora. 

Apesar disto, continuo a cada 4 anos, vendo o máximo de jogos das copas do mundo. Torcendo sempre pelo Brasil, apesar do Brasil...2002 foi a última copa onde pudemos ver craques de nível superior em nossa seleção. Hoje são todos medianos. Dá pra ganhar copa? Como diria Pelé, "Sei lá, entende"?

domingo, 5 de abril de 2026

PASSAGEM

 





Todos as festas religiosas que temos no Ocidente foram ao longo do tempo, para o bem ou para o mal, dessacralizadas, reformatadas ao gosto do mercado, do comércio, e perderam sua aura reflexiva e devocional. Ficando apenas com as duas maiores festas cristãs - o Natal e a Páscoa - nelas, há muito, seus símbolos originais e significados espirituais foram sendo modificados ao gosto talvez, do tão cultuado "humanismo"- que tirou o sagrado do palco e o fez se esconder na coxia e ao mercado que a tudo transforma em  produto vendável e lucrativo.

Natal já não é sobre o nascimento do Salvador do mundo, do Messias esperado, do Deus encarnado que em ato supremo de amor, a si mesmo se faz carne e se doa à humanidade como sacrifício perfeito que redime e dá nova vida a quem crê(no cristianismo, o conceito de "escolha" é fundamental). Não, o nascimento de Jesus hoje tem como símbolo maior um vovô gordo, nórdico, barba branca que traz presente para todo mundo entrando pela chaminé. 

A Páscoa original é celebração judaica. O "Pessah" é uma das principais festas religiosas e identitária do povo judeu que comemora nela a libertação dos antigos hebreus quando foram escravos no Egito. Pessah, é "passagem" - que evoca a história do Anjo da Morte que "passou" pelas casas dos escravos e porque viram nos umbrais das portas a marca de sangue sacrificial, poupou seus primogênitos, diferentemente dos primogênitos egípcios que foram todos mortos o que levou o Faraó a concordar em deixar o povo hebreu ir embora para Canaã (atual Palestina).

O cristianismo ressignificou a festa judaica e passou a celebrar sua própria "passagem" na figura da morte e ressurreição de Jesus Cristo. Sua morte e sua vitória sobre a morte, foi a passagem da vida para a morte para quem nele crê.

Hoje a páscoa cristã tem como símbolo um coelhinho fofo que nos traz ovos de chocolate.

Como já dizia a célebre frase, "nada se cria, tudo se transforma". A própria páscoa cristã incorporou elementos de religiões pagãs do Império romano com o tempo. E estamos vendo ao vivo e à cores, uma passagem às avessas no Ocidente cristão. Enquanto a cada dia o Ocidente se descristianiza com templos se tornando boates em lugares da Europa, a política da inclusão acrítica do progressismo europeu está abrindo as portas da sua civilização para milhares de imigrantes islâmicos que não têm nenhum apreço pelos valores ocidentais, como Estado laico, liberdade e diversidade. 

Tenho visto vídeos interessantes dos problemas que esse choque de culturas está produzindo. O único país que vi até agora se preocupar com a laicidade em vista ao avanço do Islã radical é a França. Na Inglaterra, por exemplo, tenho visto casos em que cristãos são proibidos de anunciar a sua fé em praça pública para não "oprimir a comunidade islâmica". Ontem mesmo vi um vídeo em que um muçulmano entra em uma igreja católica no meio da missa, vai até o altar, põe seu tapetinho no chão e começa a fazer suas orações a Alah com a cabeça em direção à Meca. E ai de quem for lá lhe dizer que ele entrou no lugar errado, que ali não é uma mesquita - certamente o discurso progressista taxaria de "intolerância".

A Europa está sendo tolerante com os intolerantes e isso pode ser a ruína do seu modo de vida.

Não estou dizendo de forma alguma que os países de religião islâmica são todos teocracias ditatoriais como Irã e Afeganistão,  mas em muitos deles que possuem um governo civil e tem o Islã como religião de Estado como Egito, Jordânia e Marrocos, mudar de religião pode ser temerário. Por outro lado, a Turquia é um exemplo de país totalmente laico de maioria muçulmana mas que possui liberdade de consciência e de escolhas.

Então, ao mesmo tempo em que o Ocidente esquece seus ritos, seus símbolos, sua devoção, a política progressista inclusiva sem limites abraçada pela Europa, está corroendo todo o tecido social que fizeram da Europa ser a Europa, que foi o tecido judaico-cristão em nome da tolerância com os intolerantes. 

O que estou dizendo vai soar como "extremismo de direita", "fascismo" ou "Xenofobia" para alguns. Mas será que pensar, questionar e problematizar a questão, diante dos inúmeros casos que estão acontecendo, em que imigrantes islâmicos praticam atos de violência gratuito contra europeus cristãos e a Europa cristã acolhe, em nome da diversidade tais atos, é intolerância?

O simpático velhinho de barba branca comeu todos os ovos que o coelhinho fofo trouxe.


quarta-feira, 1 de abril de 2026

BOBOS DE ABRIL

 




POIS ENTÃO, não é hoje o tal do "Dia da Mentira"? 

Não sei por quanto anda nos mais jovens, esta data que já foi célebre em tempos pretéritos. Acho que eles não dão muita bola pro Primeiro de Abril. 

No meu tempo de garoto éramos magnânimos em engendrar lorotas aos amigos. Hoje tem prova surpresa de matemática....PRIMEIRO DE ABRIL!!! Sabe a Silvana, aquela gata? Me disse que está caidinha por você...PRIMEIRO DE ABRIL!!! As possibilidades eram praticamente infinitas. Até meu pai me pregava peças. Este mês vou te dar vinte cruzeiros de mesada...PRIMEIRO DE ABRIL!!!

Pois então, acabo de ser informado pelo meu Assessor Para Assuntos Juvenis, que existe sim, "trolagens" de Primeiro de Abril entre eles, mas agora, são mais fortes no meio digital, tipo esse negócio de Tik Treku.  Tik Tok, pai, Ele me corrige...os meninos e meninas que ficam famosos fazendo dancinhas (estou pensando em me aventurar no Tik Treku e fazer dancinhas pramodevê se fico famoso!) costumam gravar vídeos de pegadinhas. Ah, tá, entendi.

Porém, em tempos em que nosso Grande Irmão Defensor da Democracia Suprema criminaliza "fake news", até brincar de mentir pode te deixar na mira da Justiça Suprema! Então, cuidado! 

Como eu não sabia, fui pesquisar.

A origem do Dia da Mentira não é consenso entre historiadores, mas a teoria mais aceita remonta à França do século XVI, ligada a uma grande mudança no calendário. Até meados do século XVI, o Ano Novo na França era comemorado na chegada da primavera, por volta de 25 de março, e as festividades duravam uma semana, terminando em 1º de abril. 

Em 1564, o rei Carlos IX determinou, pelo Edito de Roussillon, que o ano novo passaria a ser em 1º de janeiro.

Muitas pessoas resistiram à mudança ou demoraram a saber da novidade e continuaram celebrando na data antiga.

Aqueles que seguiam o novo calendário passaram a ridicularizar os "atrasados", enviando presentes estranhos ou convites para festas inexistentes no dia 1º de abril. Essas vítimas ficaram conhecidas como "bobos de abril".

Aqui no Brasil, a data se popularizou por volta de 1828, em Minas Gerais. 

O jornal mineiro O Mentira publicou, em sua primeira edição em 1º de abril de 1828, a notícia falsa da morte de Dom Pedro I.

A notícia causou grande alvoroço e precisou ser desmentida oficialmente. O episódio marcou o início da tradição de pregar peças e espalhar boatos inofensivos nesta data no país...

Olha, O Mentira merecia um prêmio pela ousadia e criatividade. Noticiar a morte do Imperador!!!


Lá em 1964, o Primeiro de Abril também foi marcado por um grande evento: Sim, estou falando da Revolução ou Golpe de 64 - escolha sua nomenclatura. Apesar de que...sugerir hoje chamar  a Coisa de "revolução" pode ser entendido pelo Grande Irmão Defensor da Democracia Suprema como golpismo, fascismo ou bolsonarismo...corrijo-me: SIM, GOLPE, GOLPE, GOLPE DE 64, pra ficar bem estabelecido que este pseudocronista segue as normais linguísticas politicamente corretas dos nossos tempos. 

ARREGOU!! vão gritar meus amigos da extrema-ultra-mega-direita. Não se deixe manipular pelo Sistema, me dirão. Posso dizer então que o  golpe revolucionário começou como Redentor e acabou como Corruptor. Tá bom assim para ambas as partes? 

Não, meus amigos progressistas-esquerdistas-identitários-antifascistas, certamente vão dizer que essa minha frase tem cheiro de golpismo... 

Mas até a Coisa (pronto, nem golpe nem revolução, pois eu tenho opinião!) que de fato, se impôs em primeiro de abril, foi comemorada durante 21 anos no dia 31 de março. Era uma data mais simpática.


Sem mais delongas, deixem-me informar-vos que:

A guerra acabou. Israel, Irã, Estados Unidos, Hamas, Hezbollah,  resolveram conversar e chegar a um acordo. Israelenses e Palestinos vão viver juntos em uma grande pátria judaica-palestinense. Acabaram-se os atos de terrorismo e ações belicosas ideológicas e religiosas.  A perspicácia, engenhosidade, resiliência e bravura do espírito judaico e árabe, farão da Palestina o lugar mais próspero e feliz do mundo. 


                                                                         * * * 

segunda-feira, 30 de março de 2026

A CARTA

 






O NOSSO CONHECIDO jeitinho do "toma lá dá cá", me parece, começou cedo, antes mesmo de haver Brasil. Serei leviano em dizer que herdamos esse jeitinho que hoje é tão nosso dos  colonizadores portugueses? 

Senão, vejamos.

Todo mundo conhece ou já ouviu falar (mesmo sem ter lido) a famosa carta que Pero Vaz de Caminha escreveu ao Rei D. Manuel I em 1500, informando da recente descoberta (ou invasão para os anticolonialistas), do que é hoje, Porto Seguro, Bahia, Brasil. Como também é sabido (ou não), Pero Vaz era o escrivão da armada portuguesa chefiada pelo famoso Pedro Álvares Cabral, nosso descobridor ou invasor, conforme queiram.  Ele era  responsável por registrar oficialmente os acontecimentos da viagem. Podemos dizer que foi o primeiro cronista que pisou nestas terras abençoadas por Deus. Ele escreveu suas impressões sobre os nativos e sobre a terra que acertadamente, observou que "Nela, em se plantando, tudo dá".

Mas ao final da sua carta, Pero Vaz muda totalmente de assunto e deixa registrado ao Rei um pedido puramente pessoal e familiar: Ele solicita o perdão e o retorno do seu genro, Jorge de Osório, que estava exilado (degredado) na Ilha de São Tomé por ter roubado uma igreja e agredido um clérigo. Será que em troca do trabalho de cronista ele procurou emplacar um favor real de volta? Olha que bom trabalho eu fiz, ó rei Manuel, quebra esse galho pra mim?

O trecho exato diz:

"E pois que Senhor, é certo que tanto neste cargo que levo como em outra qualquer coisa que de Vosso serviço for, Vossa Alteza há de ser de mim muito bem servida, a Ela peço que, por me fazer singular mercê, mande vir da ilha de São Tomé a Jorge de Osório, meu genro — o que receberei em muita mercê." 

Eu acredito que o Rei Manuel pode ter atendido ao pedido de Pero Vaz, mas não há registros históricos para confirmar. Coisas do Destino, o escrivão morreu quando estava em combate na Índia, apenas sete meses após escrever a famosa carta. Parece que o seu genro, Jorge de Osório ficou mofando na cadeia. 



* * * 



quinta-feira, 26 de março de 2026

UMA IRANIANA

 



"As pessoas preferiram morrer a continuar vivendo sob este regime", diz escritora iraniana Azar Nafisi


Do exílio nos EUA, autora do best-seller ‘Lendo Lolita em Teerã’ conta como mantém a esperança em dias de guerra e violência ‘de todos os lados’ em seu país


Por Marcelo Ninio

Apesar de tudo, Azar Nafisi ainda acredita no poder da imaginação. Autora do best-seller “Lendo Lolita em Teerã” (Record), testemunho lírico e dolorido da literatura como refúgio do totalitarismo teocrático, Nafisi acompanha a guerra no Irã angustiada e com uma sensação de impotência. Mas não perde a esperança em dias melhores no país em que nasceu e de onde se sentiu forçada a sair diante da repressão do regime islâmico.

Em seu livro mais famoso, traduzido para 32 idiomas e que vendeu mais de 1,5 milhão de cópias em todo o mundo, Nafisi, de 77 anos, desafia o leitor a imaginar um cena: um grupo de mulheres reunidas clandestinamente num apartamento em Teerã para ler e discutir obras vetadas pelas autoridades religiosas — como o clássico do escritor russo Vladimir Nabokov. A história começa quando ela perde a liberdade de lecionar literatura na Universidade Allameh Tabataba’i, diante das restrições impostas pelos clérigos.

Surge então o clube de leitura organizado por Nafisi em sua casa, que se torna o enredo de não-ficção do livro. Hoje, seu exercício de imaginação é sonhar com um Irã democrático, em que a autocracia dos aiatolás seja página virada, um país livre para exercer sua vocação poética...




Extraído e adaptado de uma publicação no jornal O Globo.


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O MUNDO ESTARIA BEM MELHOR sem todos os regimes teocráticos muçulmanos e também sem Trump na Casa Branca. Por outro lado, apesar de Trump, já passou da hora das potências democráticas do Ocidente derrubarem o regime assassino iraniano pois teriam todo apoio do bom e milenar povo persa, que  tinham um regime com bastante liberdade antes da malfadada revolução islâmica. 

Uma cosia que jamais entenderei é porque as pessoas da esquerda progressista identitária como LGBTs e feministas, apoiam um regime que mata pessoas LGBTs e cala, prende e mata qualquer mulher iraniana que ouse levantar a voz contra o regime. Igualmente faz nosso atual governo que em nome de uma tal de "autodeterminação dos povos" defende o regime dos Iatolás e relativiza os grupos terroristas que querem destruir o Estado de Israel. Aliás, desconfio: em nome do ódio que sentem pelo Estado de Israel, progressista e democrático que "oprime a Palestina" e contra o "império capitalista" americano aliado a Israel, vale até se aliar a quem lhes mata.  

Os donos do Regime aceitam de bom grado esse apoio, desde que seja de idiotas úteis ocidentais.


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ABAIXO, UMA MOSTRA DO QUE O REGIME TOTALITÁRIO TEOCRÁTICO FEZ COM AS MULHERES:




Antes da revolução...







Depois da revolução...






terça-feira, 24 de março de 2026

SOLUCIONÁTICA

 



DADÁ MARAVILHA foi a prova cabal futebolística de que pra ter sucesso no esporte e fazer gol como quem bebe água, não precisa ter a técnica de um Zico, a malandragem de um Romário, a magia de um Ronaldinho Gaúcho ou Ronaldo Fenômeno e nem a genialidade de um Pelé ou de um Messi ou Maradona. 

Dario José dos Santos, o Dadá Maravilha, foi uma das figuras mais folclóricas e letais da história do futebol brasileiro. Ele não era um primor técnico com a bola nos pés, mas tinha um faro de gol e uma impulsão que desafiavam as leis da física.

Começou tarde no futebol aos 19 anos no clube aqui do meu bairro, o Campo Grande Futebol Club (que já foi maior do que é hoje).

Foi ídolo no Atlético-MG: É o segundo maior artilheiro da história do Galo (211 gols). Foi o herói do título do Brasileirão de 1971, marcando o gol da vitória na final contra o Botafogo.

Copa de 1970: Foi convocado para o Tri no México, diz a lenda, por uma sugestão direta do presidente Emílio Médici ao técnico Zagallo (o que gerou a famosa frase de Zagallo: "O presidente escala o ministério, eu escalo o time"). Dadá não jogou, mas é campeão mundial.

Números Impressionantes: Marcou 926 gols na carreira. Em 1976, jogando pelo Sport, ele marcou 10 gols em uma única partida (contra o Santo Amaro). Ele conta que disse para o rei Pelé: "Pelé, eu vou bater seu record, você tem 8 gols em uma partida e eu vou fazer mais" - e fez.



Dadá ficou também conhecido pela capacidade de construir frases memoráveis. Talvez a mais famosa seja:  "me venha com a problemática, que eu tenho a solucionática". Problemática é uma palavra do vocabulário acadêmico filosófico, mas Dadá a usou de forma irreverente e folclórica para destacar a sua incrível capacidade de resolver jogos difíceis com seus gols.

Outra frase célebre foi: "Só três coisas param no ar: Beija-flor, Helicóptero e Dadá Maravilha" - isso porque de fato, sua impulsão foi lendária, que o permitia "parar no ar".

Dadá entendia de marketing antes mesmo do termo ser popular no futebol. Ele usava a terceira pessoa para falar de si mesmo:

Sobre sua técnica: "Não existe gol feio, feio é não fazer gol."

Sobre sua autoconfiança: "Com o Dadá em campo, não tem placar em branco."

Sobre sua origem: "Eu não aprendi a jogar futebol porque perdi muito tempo fazendo gols."

Ele costumava dizer que "Dadá não corre, Dadá se desloca", enfatizando que o importante era estar no lugar certo em campo.

Chegou a ser o artilheiro do Campeonato Brasileiro por três vezes em dois clubes diferentes. 

DADÁ MARAVILHA continua firme e forte aos 80 anos completados em março deste ano.





Só encontrei vídeos muito ruins no Youtube com gols de Dadá. Escolhi o menos pior.




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segunda-feira, 16 de março de 2026

JOSELINO BARBACENA

 







Joselino Barbacena foi um personagem vivido por Antonio Carlos Pires, criado em parceria com Chico Anysio que satirizava em forma de protesto e humor, um homem aparentemente de saúde e capacidade mental duvidosa. O bordão do personagem, "Quando eu era criança pequena lá em Barbacena...", foi reconhecido, por lei, como frase cultural da cidade localizada no Campo das Vertentes, a cerca de 100 quilômetros de Juiz de Fora.

Porém, o que passou despercebido pela maioria dos espectadores da Escolinha do Professor Raimundo(inclusive por mim), foi a origem sombria do personagem. Barbacena, cidade do interior de Minas Gerais ainda é conhecida como a “cidade dos loucos”, por ter sediado o maior hospital psiquiátrico do Brasil, o Centro de Tratamento Hospitalar e Psiquiátrico de Barbacena (mais conhecido como Colônia), palco de uma das maiores tragédias humanitárias da história do país.

Em seu livro “Holocausto Brasileiro”, Daniela Arbex denuncia a morte de 60 mil brasileiros internos do Colônia entre 1930 e 1960, muitos internados sem diagnóstico, apenas à mando daqueles a quem interessava sua prisão. 

O centro recebia diariamente, além de pacientes com diagnóstico de doença mental, homossexuais, prostitutas, epiléticos, mães solo, meninas problemáticas, mulheres engravidadas pelos patrões, moças que haviam perdido a virgindade antes do casamento, mendigos, alcoólatras, melancólicos, tímidos e todo tipo de gente considerada fora dos padrões sociais.

Daniela Arbex entrevistou ex-funcionários e sobreviventes para resgatar de maneira detalhada e emocionante as histórias de quem viveu de perto o horror perpetrado por uma instituição com um propósito de limpeza social comparável aos regimes mais abomináveis do século XX. 

O personagem até que era engraçado, mas o que aconteceu em Colônia, não teve a menor graça, na verdade, foi uma desgraça completa.


Quem quiser saber mais:



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segunda-feira, 2 de março de 2026

O ATOR, O PRESIDENTE E O IRMÃO DO ATOR

 


No século 19, Edwin Booth era considerado o melhor ator dos Estados Unidos. Era uma verdadeira lenda. Podemos dizer que Edwin era o George Clooney de hoje. Edwin realizou um ato de heroísmo que, em outras circunstâncias, o teria levado aos livros de História. Aconteceu durante a Guerra de Secessão americana, numa estação de trem em Jersey City. Um rapaz tropeçou e ia caindo no trilho quando Edwin num ato reflexo, o agarrou pela gola e o puxou de volta para a plataforma. 

Nem precisa dizer que quando o rapaz viu quem o salvara, ficou emocionado, eufórico; imagine se você tivesse caído de uma plataforma quando criança e fosse salvo por Chuck Norris. Para esse garoto foi a mesma coisa.

Após 15 dias, Edwin recebeu uma carta de congratulações de um oficial do Estado-Maior do general Ulysses S. Grant. O rapaz que Edwin salvara era, na verdade, Robert Todd Lincoln, filho do presidente Abraham Lincoln. 

Esse ato de heroísmo seria a interação única e improvável entre as famílias Booth e Lincoln se John Wilkes, irmão de Edwin, não atirasse e matasse o presidente Lincoln vários meses depois...


quinta-feira, 8 de maio de 2025

A Política Nos Tempos de Machado e Habemus Papam





E habemus papam!

Os católicos do mundo comemoram a eleição do seu novo líder, o Papa Leão 14. Um líder espiritual mas também político. Bom lembrar que o Vaticano é um Estado. O Papa politicamente mais ativo do século 20 foi João Paulo II, que junto com Ronald Reagan e Margaret Thatcher, trabalharam para implodir o comunismo no mundo.  

Isso não quer dizer que outros papas do século 20 foram somente iminências pardas politicamente falando. O Papa  Pio 12(1939–1958) é criticado até hoje por seu silêncio em relação ao Holocausto, porém, teve uma posição anticomunista firme e muito fez pela diplomacia do Vaticano no mundo.

Papa João 23 (1958–1963) que governou o mundo católico nos tempos quentes da Guerra Fria, convocou o Concílio Vaticano II, que trouxe impactos políticos e sociais na Igreja. Trabalhou muito pela paz e teve papel crucial na Crise dos Mísseis de Cuba em 1962, ocasião em que o mundo esteve ao aperto de um botão para que começasse uma Terceira Guerra Mundial. 

Papa Paulo 6 (1963–1978) foi o primeiro a discursar na ONU em 1965, ano em que este que vos escreve nascia de parto natural no bairro da Tijuca no Rio de Janeiro... (sim, comentário totalmente desnecessário). Paulo VI travou diálogos com regimes comunistas da Europa Oriental e defendeu o desenvolvimento econômico como condição de paz mundial.

E aí chegamos a João Paulo 2 (1978-2005), sem dúvida  o papa mais politicamente ativo do século 20. Apoiou o movimento Solidariedade na sua Polônia que contribuiu para a queda do comunismo no Leste Europeu. Foi um duro crítico tanto do capitalismo selvagem quanto do comunismo marxista. Mediou conflitos tanto na América Latina quanto no Oriente Médio.

E ainda tivemos Bento 16(2005–2013), que foi menos ativo politicamente mas teve impacto nas questões culturais e das relações entre fé e razão. Não tinha vocação para Papa, sua vocação era a teologia. Foi ele quem impôs um "silêncio obsequioso" quando ainda era cardeal a Leonardo Boff  que o proibiu de falar, escrever ou ensinar publicamente sobre alguns temas. Boff era ligado à Teologia da Libertação, de cunho marxista e tinha escrito um livro chamado "Igreja, Carisma e Poder" no qual criticava a estrutura hierárquica e autoritária da Igreja Católica e defendia uma Igreja mais voltada aos pobres, como fez Francisco, que foi ativo em questões de justiça social, meio ambiente, imigração e fez críticas ao capitalismo, tinha um discurso de acolhimento à comunidade LGBT...daí ter sido taxado de "comunista". Trabalhou para a reaproximação dos EUA com Cuba.


E O MACHADO?




POIS ENTÃO, LEIAMOS MACHADO.

O que há de política? É a pergunta que naturalmente ocorre a todos, e a que me fará o meu leitor, se não é ministro. O silêncio é a resposta. Não há nada, absolutamente nada. A tela da atualidade política é uma paisagem uniforme; nada a perturba, nada a modifica. Dissera-se um país onde o povo só sabe que existe politicamente quando ouve o fisco bater-lhe à porta. O que dá razão a este marasmo? Causas gerais...

Assim Macho de Assis falava sobre nossa política em uma de suas crônicas. Incrível como de lá pra cá, nada mudou. O que há de política com P maiúsculo hoje em Brasília? Absolutamente nada, como disse Machado, "nada a modifica". Continuaremos sendo politicamente medíocres enquanto formos cidadãos medíocres.

Habemus Papam em Roma , mas cá, não habemus politicam!! (é, ficou ruim e desnecessário também)

Meditabunda

Era dado  a falar e escrever na mais pura norma culta da língua. Ele era vernacular. Perdoem-me se não estou à altura de narrar brevemente, ...