quinta-feira, 23 de abril de 2026

Visceral

 


FUTEBOL é uma coisa que apaixona. Nenhum esporte é capaz de produzir tantas emoções: euforia, alegria, tristeza, raiva, dor...o futebol é visceral. Não existe isso no tênis, que eu gosto muito de acompanhar. Não existem guerras de torcidas com pancadarias nas arquibancadas de um grande jogo de tênis. É um jogo civilizado. Aplaude-se a boa jogado de quem você está torcendo contra. É assim também no vôlei, no basquete,  natação, atletismo. No futebol a história é outra...

Tinha o Francezinho. Nome de batismo Francisco. Um apaixonado por futebol. Conhecia de cor a história - em detalhes - do seu time de coração, o Flamengo, assim como da seleção brasileira. Era uma enciclopédia do futebol. Inteligente, de bom trato, parecia um lorde inglês - ou francês, já que recebeu o apelido por ter se formado em francês e ser professor dessa língua. 

Pois então, confirmava-se a tese de que o futebol é visceral quando Francezinho, em qualquer segunda-feira pós uma derrota do Flamengo, chegava ao trabalho existencialmente acabado. Sofrido. Se alguém lhe vinha caçoar sobre a derrota, ele se transformava. O lorde francês se transformava em um viking de cara pintada com um machado na mão em posição de ataque.

Ah, futebol, esse velho esporte bretão é capaz de muita coisa. Em 1969, durante uma guerra civil na Nigéria, o Santos Futebol Clube excursionava em alguns países e chegou a vez da Nigéria. Diante da presença mítica do Rei do Futebol, as partes em conflito resolveram dar uma trégua para que os nigerianos pudessem assistir Pelé jogando futebol!

Eu  tenho um grande defeito em matéria de futebol. Apesar de gostar do jogo, de torcer pela seleção canarinha, não torço para time algum. Não, não torço para o Flamengo - apesar de ter acompanhado o timaço dos anos 80 com Zico e Cia. Mas aí eu também gostava de ver Roberto Dinamite no Vasco....

Um torcedor não de time, mas de craques. Devo admitir que perdi muito do interesse pelo futebol de hoje. Falta magia. Falta ginga. Falta Pelé, Tostão, Garrincha, Eusébio, Yashin, Beckenbauer, Zico, Rivelino, Maradona, Platini, Ronaldo...Não há hoje jogadores como estes. O futebol virou uma coisa para mim, sem graça, pois os craques de hoje não são dignos de amarrar as chuteiras dos craques de outrora. 

Apesar disto, continuo a cada 4 anos, vendo o máximo de jogos das copas do mundo. Torcendo sempre pelo Brasil, apesar do Brasil...2002 foi a última copa onde pudemos ver craques de nível superior em nossa seleção. Hoje são todos medianos. Dá pra ganhar copa? Como diria Pelé, "Sei lá, entende"?

15 comentários:

  1. Oi, Eduardo! Ganhar a Copa do Mundo é possível, embora pouco provável que aconteça, mas no futebol acontece muitas vezes até, de o melhor time não vencer e o time inferior ser campeão. Futebol é um esporte que em geral não há lógica de o time mais forte vencer, e é exatamente aí que a Seleção Brasileira deve ter esperança. Um abraço!

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    1. é, o time pior pode vencer. Não vou dizer que nossa seleção é a pior, mas também não a vejo em um patamar tão elevado. Se chegar em terceiro lugar eu até fico satisfeito. Não sou visceral com futebol rs

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  2. Hoje em dia escasseiam os grandes jogadores. Está tudo mais equilibrado.
    Bom fim de semana

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  3. O futebol é exaustivo dentro e fora de campo. São jogos demais. Passam na TV dia e noite, reprisam de madrugada e ainda fazem resenhas... WOW! Tirem a bola e chutem uma nota de um dólar. E nem me venham chamar o VAR... rsrsrsrs

    Nova Tirinha Publicada. 😼

    Abraços 🐾 Garfield Tirinhas Oficial.

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  4. Tua crônica muito legal,Edu. Aqui em casa maridão adora futebol e assiste a muitos jogos. Eu não me empolgo nem com a Copa! Como será a desse ano? Vamos esperar! abração, lindo fds! chica

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  5. Oi Edu
    Verdade que o futebol é uma coqueluche , contagia a todos e é sempre o foco das atenções. Gosto da Copa do Mundo e acompanho com entusiasmo a maioria dos jogos, é um intercâmbio bonito, independente de quem ganha ou não.
    Por causa do pai digo sempre que sou vascaína , nunca paro para ver jogar, mas me interesso pelo resultado rsrs
    Suas crônicas sempre gosto de ler , não atoa que recebeu boas notas da crítica.
    Um abraço, Edu e bom fim de semana.
    Obrigada pela presença na minha casa. É meu o prazer.

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  6. Com efeito o futebol já não é o que era. Como diz no texto:" Devo admitir que perdi muito do interesse pelo futebol de hoje. Falta magia. Falta ginga. Falta Pelé, Tostão, Garrincha, Eusébio...". Virou quase uma guerra entre equipas.
    Tudo de bom.
    Um beijo.

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  7. Tenho dificuldade de opinar sobre esta crônica pois não assisto a nenhum jogo, nem mesmo final de copa do mundo. Trauma de infância...

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  8. Dizendo melhor: não gosto de futebol.

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  9. Dudualdo Bú!
    Eu torço.
    Fico bravo.
    Me transformo quando assisto o São Paulo Futebol Clube.
    No momento (que já dura decada), estou muito mais bravo que feliz.
    Ótima crônica.

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  10. Oi, Edu, uauuu, crônica lindamente escrita!
    Concordo com tudinho, não tenho time, a Seleção
    não é mais aquela... perdi o interesse no futebol
    devido a tantas agressões que vejo, que coisa terrível isso!
    A época do Pelé, Garrincha...não era assim, tenho horror
    àquelas manifestações, nem olho para televisão.
    Como se não bastassem as guerras, violência ainda no esporte?
    Eu fora, amigo! Não há isso nos outros esportes...Péssimo exemplo
    do futebol.
    Bom fim de semana,
    abraços.

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  11. Bom dia Edu,
    Salgueiro Maia um dos Capitães da Revolução dos Cravos, de apenas 29 anos na época, que teve uma acção determinante no sucesso da mesma.
    Vale a pena pesquisar na Net, como foi a história desta honrosa data para o Povo Português, cuja ditadura sucumbiu ao fim de longos 48 anos.
    Bom domingo.
    Beijinhos,
    Emília

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  12. O futebol é mesmo o desporto que move milhões de pessoas! Eu pessoalmente apenas vejo os jogos da seleção nacional!

    Bjxxx,
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  13. Também gosto de acompanhar a copa, torço para o Brasil, mas não torço para time algum. Saudades do futebol de 2002, quando ganhamos o pentacampeonato.

    Boa semana!

    O JOVEM JORNALISTA está no ar cheio de posts novos e novidades! Não deixe de conferir!

    Jovem Jornalista
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    Até mais, Emerson Garcia

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  14. Salve, salve Edu !!! O futebol realmente mexe com um lugar da gente que nenhum outro esporte alcança. É quase irracional, visceral mesmo, como você disse. E a história do Francezinho é perfeita pra ilustrar isso — todo mundo conhece (ou já foi) alguém assim, que vive o resultado como se fosse um capítulo da própria vida.

    E essa comparação com outros esportes é interessante… no tênis, no vôlei, há respeito, admiração pelo adversário. Já no futebol, parece que a emoção vem com uma carga extra de identidade, de pertencimento, que às vezes transborda — pro bem e pro mal.

    Também me identifiquei com essa sua relação com o jogo… mais apaixonado pelos craques do que por clubes. Porque, de fato, o futebol de hoje parece mais técnico, mais físico, mais comercial… mas menos mágico. Aquela ginga, aquela criatividade que encantava o mundo, faz falta.

    Mas, mesmo assim, quando chega Copa do Mundo… não tem jeito. A gente volta a acreditar, volta a torcer, volta a sentir. Porque no fundo, o futebol continua sendo essa linguagem universal que emociona, conecta e faz a gente sonhar.

    Abração, irmão !
    Daniel

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