"Ofensismo" é um termo que não encontrei no dicionário. Então eu criei um neologismo? Não, certamente outros já usaram o termo. Por que as pessoas se ofendem com qualquer coisa hoje em dia?
Pessoas emocionalmente e politicamente frágeis que se ofendem com uma piada! Humoristas que fazem seus shows em teatros onde o público paga para assisti-lo, de repente se tornando inimigos públicos número um, com direito a processos e tudo mais.
O movimento político-comportamental conhecido como "woke" quis redefinir todo o tecido das relações humanas aqui no Ocidente. Lá pelas bandas do Oriente ele não se criou muito.
Movimentos identitários, militâncias LGBTQIA+, feminismo, o politicamente correto, os cancelamentos, tudo isso está no guarda-chuva do movimento woke. O objetivo do movimento, em teoria muito humano, pretendia ampliar a consciência geral contra injustiças sociais, preconceitos e discriminações que grupos de pessoas sofrem na sociedade patriarcal-capitalista-branca-cristã. O termo virou mantra na boca dos wokers.
Mas como de boas intenções o inferno está cheio, o movimento logo se mostrou ser exatamente aquilo que criticava: opressor, autoritário, nada democrático. Como alguém já disse, todo revolucionário acaba se tornando depois um opressor quando vence sua revolução.
Um exemplo banal disso foi a tentativa do Movimento de emplacar a linguagem neutra em toda sociedade. Quem discordasse, claro, era preconceituoso, intolerante, racista e opressor. Quem não lembra do fiasco de se cantar o Hino Nacional com linguagem neutra, com um "Dos filhEs desses solo és mãe gential..." e discursos de vários componentes do atual governo abrindo suas falas com um "Bom dia a todos, todas e todEs"...até emociona o grau de inclusividade da expressão!
Como já diz um yotuber branco-conservador (e fascista, sexista, homófobico, etc etc), "todos e todas é redundância, todos, todas e todes é demência". Como ele ousa dizer tal coisa! Veja quantos grupos de oprimidos da sociedade ele ofende!!!
O movimento woke, cuja essência é basicamente revolucionária de esquerda, pretende que todo mundo aja de acordo com o que ele acha certo, pois eles são "virtuosos", "esclarecidos" e "humanos" - todos os demais que não concordem com seus pressupostos, são o oposto disso, ou seja, o movimento desumaniza quem não seguir sua cartilha.
O movimento teve sua primeira fase entre 2013 e 2016, impulsionado pelas redes sociais e com o surgimento de movimentos como o Black Lives Matter, após casos de violência policial contra negros nos EUA. Quem dirá que é uma questão menor, sem importância?
Em uma segunda fase, o movimento conseguiu influenciar grandes empresas, universidades, mídia, redes sociais com as pautas identitárias como raça, gênero, orientação sexual. Foi aqui que todo homem virou "potencialmente um estuprador" e o homem branco se tornou o grande vilão da humanidade; que homens muito másculos, se tornaram "tóxicos" pois o novo padrão aceitável para homens devia ser o "homem afeminado que usa maquiagem, saia e sapatos altos"; que mulheres trans começaram a acreditar que eram mulheres de fato, e que contrariá-las era a fina flor do machismo estrutural e da transfobia; que filmes de ação abandonaram os atores fortões e puseram em seu lugar atrizes magrelas que eram capazes de derrubar dez homens somente com as próprias mãos.
Porém, depois de 2021, o movimento perdeu força. Se polarizou. Discussões entre os próprios militantes começou a aparecer. Grandes empresas que tinham criados departamento de "diversidade e inclusão" descontinuaram esses departamentos. Muitos filmes feitos principalmente para servir de discurso político - isso aconteceu muito no meio "nerd ou geek", começaram a ser criticados.
O movimento perdeu força mas ainda resiste. Temos exemplos aqui no Brasil em que uma deputada trans designa mulheres de nascimento como "pessoas que gestam" e que atualmente, mulher é um termo mais abrangente: Ela pode até ter testículos e pênis...A deputada chegou a processar quem lhe chamava de "homem" - mas é exatamente o que ela é biologicamente! Num surto de mediana sanidade, o STF declarou que chamar mulher trans de homem biológico não era transfobia, de acordo com o contexto da situação e se o objetivo não fosse apenas a intenção de ofender.
Outra batalha do movimento woke é reescrever o passado. Tirar da cultura tudo o que não seja mais aceito pelos "Iluminados". Por aqui já quiseram colocar na fogueira os livros de Monteiro Lobato, tidos como racistas. Alguém tocou foco na estátua do Borba Gato. Ruas com nomes de certos personagens (principalmente ligado ao termo "marechal") deveriam ser mudados.
O Banco da Inglaterra decidiu remover a figura de Winston Churchill e de outras personalidades históricas dos versos das cédulas de libra esterlina para substituí-las por imagens da fauna, flora e paisagens nativas britânicas.
Parece que o herói britânico da Segunda Guerra causa incômodo em algum desses "grupos oprimidos". O Banco declarou que um dos motivos da mudança foi que a maioria dos ingleses que responderam a uma pesquisa, preferiam fotos de animais fofos nas notas ( como ouriços, texugos, raposas, golfinhos e corujas) ao invés de personalidades.
Consultores do Banco recomendaram o abandono de personalidades. O relatório indicou que homenagear rostos do passado trazia uma "visão retrógrada" do país, além de carregar um risco excessivo de controvérsia(não se pode contrariar os "oprimidos"). Figuras consagradas como o próprio Churchill, a escritora Jane Austen e o matemático Alan Turing passaram a ser apontadas como "elitistas e divisivas", que já não representam com fidelidade a diversidade cultural do Reino Unido atual.
Veja só, Churchill, você se tornou na sua terra, "elitista". O que você fez para derrotar o nazismo hoje é "retrógado". A esquerda fica muito ofendida ao olhar sua foto em uma nota! A grande escritora Jane Austem também não está nos padrões da atual diversidade, talvez por que escrevesse de forma muito "elevada"(elitista?) que meninos e meninas de cabelo azul hoje em dia não conseguem ler? Alan Turing, um brilhante matemático, lógico e criptógrafo britânico, amplamente considerado o pai da ciência da computação teórica e da inteligência, de repente, se tornou "tóxico", talvez por ofender a inteligência medíocre de grande parte da turma woke?
Agora, o Banco da Inglaterra não ousou tirar a foto do rei Charles III, pois a mudança será só no lado reverso das cédulas - o lado da ofensa. Por enquanto, Charles, tua cara tá salva do humanismo esclarecido atual.

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