terça-feira, 24 de março de 2026

SOLUCIONÁTICA

 



DADÁ MARAVILHA foi a prova cabal futebolística de que pra ter sucesso no esporte e fazer gol como quem bebe água, não precisa ter a técnica de um Zico, a malandragem de um Romário, a magia de um Ronaldinho Gaúcho ou Ronaldo Fenômeno e nem a genialidade de um Pelé ou de um Messi ou Maradona. 

Dario José dos Santos, o Dadá Maravilha, foi uma das figuras mais folclóricas e letais da história do futebol brasileiro. Ele não era um primor técnico com a bola nos pés, mas tinha um faro de gol e uma impulsão que desafiavam as leis da física.

Começou tarde no futebol aos 19 anos no clube aqui do meu bairro, o Campo Grande Futebol Club (que já foi maior do que é hoje).

Foi ídolo no Atlético-MG: É o segundo maior artilheiro da história do Galo (211 gols). Foi o herói do título do Brasileirão de 1971, marcando o gol da vitória na final contra o Botafogo.

Copa de 1970: Foi convocado para o Tri no México, diz a lenda, por uma sugestão direta do presidente Emílio Médici ao técnico Zagallo (o que gerou a famosa frase de Zagallo: "O presidente escala o ministério, eu escalo o time"). Dadá não jogou, mas é campeão mundial.

Números Impressionantes: Marcou 926 gols na carreira. Em 1976, jogando pelo Sport, ele marcou 10 gols em uma única partida (contra o Santo Amaro). Ele conta que disse para o rei Pelé: "Pelé, eu vou bater seu record, você tem 8 gols em uma partida e eu vou fazer mais" - e fez.



Dadá ficou também conhecido pela capacidade de construir frases memoráveis. Talvez a mais famosa seja:  "me venha com a problemática, que eu tenho a solucionática". Problemática é uma frase do vocabulário acadêmico filosófico, mas Dadá a usou de forma irreverente e folclórica para destacar a sua incrível capacidade de resolver jogos difíceis com seus gols.

Outra frase célebre foi: "Só três coisas param no ar: Beija-flor, Helicóptero e Dadá Maravilha" - isso porque de fato, sua impulsão foi lendária, que o permitia "parar no ar".

Dadá entendia de marketing antes mesmo do termo ser popular no futebol. Ele usava a terceira pessoa para falar de si mesmo:

Sobre sua técnica: "Não existe gol feio, feio é não fazer gol."

Sobre sua autoconfiança: "Com o Dadá em campo, não tem placar em branco."

Sobre sua origem: "Eu não aprendi a jogar futebol porque perdi muito tempo fazendo gols."

Ele costumava dizer que "Dadá não corre, Dadá se desloca", enfatizando que o importante era estar no lugar certo em campo.

Chegou a ser o artilheiro do Campeonato Brasileiro por três vezes em dois clubes diferentes. 

DADÁ MARAVILHA continua firme e forte aos 80 anos completados em março deste ano.





Só encontrei vídeos muito ruins no Youtube com gols de Dadá. Escolhi o menos pior.




* * *


2 comentários:

  1. Dadá era goleador.
    E ser goleador é uma forma de ser craque também.
    Tem jogador que tem muita tecnica, mas não decide jogo e não ganha títulos.
    O Serginho Chulapa, maior artilheiro do maior time do Brasil, também não tinha técnica.
    Foi meu ídolo, antes de aparecer o Careca, que esse sim, marcava muitos gols e tinha tecnica.
    Eu sempre joguei rachas com os amigos e até em campeonatos em clubes. Fazia bastante gol, mas também sem tecnica nehuma. Geralmente de bico ou de trombada com os zagueiros.
    Mas marcava gols.
    Hoje em dia, Dudualdo Bú, a coisa tá feia.
    Renovaram com o Luciano no São Paulo, porque dizem que ele entrega 16 gols por temporada.
    Meu Deus!!!!!!
    Os caras faziam isso nos estaduais.
    terminavam o ano com mais de 30.
    Quase todos os centroavantes das séries A e B, pelo menos 20 a 25 eles faziam.
    Hoje reina a mediocridade.

    Um abraço!

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  2. Bah, Edu! Que linda crônica essa! Foi um ídolo e eu, mesmo sem acompanhar futebol, muito dele ouvi, pois kiko gosta muito! Uma bela homenagem e adoro os ditos dele.Bem engraçados! O bom é que ele ainda está vivo e bem! abração,chica

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Se não gostou, perdoe-me a falta de talento "escriturístico..."

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