sexta-feira, 11 de setembro de 2026

Meditabunda



Era dado  a falar e escrever na mais pura norma culta da língua. Ele era vernacular. Perdoem-me se não estou à altura de narrar brevemente, sem prolixidades, sobre tal caráter incomum. Acadêmico e escritor. Professor exigente. Falava coisas que ninguém falava mais, tipo, esdrúxulo. - Sua redação está esdrúxula,  tinha dito uma vez a um aluno que ficou sem entender se era um elogio ou uma crítica.

Todavia, não era pedante.  Era só o jeito dele ser no mundo: Culto. Linguajar fino. Gramática perfeita. Um lorde intelectual inglês nascido por puro acaso e falta de sorte no Brasil. Outro dia, disse à  irmã que ela estava rotunda e deveria fazer dieta. Que é rotunda? Mas não sabes? Olha-te no espelho e verás...A irmã levou um tempo para entender, visto não pensar em dietas. Como todo rotundo que se aceita. Ou se aceitava, até a chegada do mounjaro...

Ao passear em uma praça que tinha imóveis antigos, disse ao amigo que lhe acompanhava: Uns tugúrios. Sim, o amigo concordou, sem saber do que ele estava falando. Queixou-se ao amigo de que a irmã estava nesses dias, muito meditabunda. Além de há muito tempo, rotunda. Talvez por isso mesmo, meditabunda... O amigo arregalou os olhos. Acontecia frequentemente de amigos e alunos não entenderem o que dizia o Sr Vernáculo, mas ninguém ousava perguntar o que significava tal palavra.  Isso deixava-o furioso. Para onde vamos com tamanha ignorância?

Depois do passeio, já em casa, o amigo ficou pensando naquilo. Meditabunda. Que raios era aquilo? Chegou a pensar besteira, mas logo descartou o pensamento besta, sabendo que o Professor jamais falaria uma palavra de baixo calão. Mas aquilo já era demais. Meditabunda. Foi pedir ajuda ao seu Aurélio, este bem mais acessível em matéria de explicações. 


** **** * * * * * 

PS. Eu pedi ao Gemini fazer um desenho do "Sr Vernáculo" para ilustrar esta historieta. 

Eu pedi: faça um desenho de um senhor fino e elegante, com um bigode bem inglês com um livro na mão

E ele fez isso...


Muito solícita, perguntou se eu tinha gostado, se queria fazer algum ajuste no cenário, na cor...

E eu respondi: 

Eu não pedi que ele tivesse barba, mas tudo bem. Eu só não queria que ele tivesse 3 braços...(acho que eles ainda não entendem a ironia humana).

Prontamente, ele corrigiu o desenho e me deu este aqui.


Ou seja, o mesmo desenho...

Aí eu agradeci (sempre agradeço, pois quando a IA dominar o mundo talvez não queiram me exterminar) e ainda disse que estava muito bom.


** * * * * * *

PS2 - por fim, acho que essa conversinha com o Gemini ficou mais interessante do que a historieta.

* * * * * * * *

PS 3 - E o "metitabunda" não saiu do nada. Eu nunca tinha ouvido ou lido esta palavra! Encontrei-a no romance "Humilhados e Ofendidos" do Doistoievski.


18 comentários:

  1. Há pessoas que sabem ser criativas a falar e a escrever, como é o caso do Sr. Vernáculo. As palavras são para ser usadas e quem não conhece vê no dicionário. É uma forma de aprender.
    Quanto à IA ainda não aderi. Não a quero a interferir nos meus poemas.
    Tudo de bom.
    Um beijo.

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  2. 3 braços (risos).
    Mas a foto sem falar nos braços é de um homem chique e culto.
    Abraço,

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  3. Boa tarde, Edu.
    O Sr. Vernáculo é um professor culto que usa palavras raras que ninguém entende.
    A irmã e os amigos ficam confusos com termos como “rotunda” e “meditabunda”, revelando o contraste entre o seu linguajar erudito e o quotidiano comum. A crónica brinca com essa distância e com o desconcerto que ele provoca à sua volta.
    Adorei a tua crônica!
    Beijinho e ótimo fim de semana.😘

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  4. Oi Edu,
    rindo aqui do texto que pode ter duplo sentido, criar humor ou piada. Sim, fora dos padrões normais., coisa de intelectual. Agora , tudo fica simples é só correr no Sr, Google e ele tem resposta pronta. Sabe que ultimamente recorri a IA para entender de remédios incomuns que me foi receitado e a explicação me fez desistir de usar. Mais uma crônica boa de ler, Edu.
    E o desenho? original e nada elegante. , Um abraço com 3 braços ,ok? :))

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  5. Muito bom, Edu. Realmente é sempre melhor olhar o dicionário a falar besteira, querendo se mostrar como se soubesse o que o outro está falando... Mas, com certeza, é melhor procurar saber a ficar na ignorância. Um abraço.

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  6. Olá, Eduardo
    Eu tive um professor de Teoria da História que era mais ou menos assim.
    Mandava-nos fazer resumos de textos incríveis. Também empregava palavras
    difíceis. Uma colega no final do ano lectivo fez um texto delicioso sobre os
    resumos utilizando a mitologia grega para o efeito, em que ele era o protagonista.
    Adorei o seu texto.
    Abraço
    Olinda

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  7. Oi, Eduardo! Muito bom o texto! Rapaz o homem da foto tem três braços? rsrs. Deixo aqui o meu abraço de dois braços pra ele e outro pra ti.

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  8. Observe na sua lista de seguidores, se os assuntos estão sendo atualizados.
    Abraço,

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  9. A IA nem sempre acerta. Nunca tinha ouvido falar dessa expressão!

    Boa semana!

    O JOVEM JORNALISTA está no ar com muitos posts e novidades! Não deixe de conferir!

    Jovem Jornalista
    Instagram

    Até mais, Emerson Garcia

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  10. Hahahahaha Edu, estou aqui rindo de chorar da imagem que a IA criou do senhor Vernáculo, um grande intelectual. A princípio eu adorei, pois parecia com Machado de Assis. Eu sou míope e só depois percebi que havia algo estranho ali: Tinha dois braços e uma mão sobressalente....rsrs Em seguida veio as 3 mãos e mesmo você pedindo para corrigir, a IA não percebeu nem na segunda tentativa o erro? rsrs Gente!!
    Ahh e eu amei a crônica pois adoro conversar com pessoas que falam "difícil" pois para mim é um grande aprendizado. Ultimamente, pela ausência de exercícios físicos por estar imobilizada , ando bastante meditabunda. E confesso que preciso sarar com urgência pois já me sinto uma ermitã.
    Beijos amigo e uma linda semana!! :)))

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  11. Olá, passei para dar uma olhada e gostei muito

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  12. Eduardo, o filme "uma infância alemã" está no Imovision da Prime Vídeo.
    Abraço,

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  13. Conheci um sujeito assim. Ela falava como se escreve, ou melhor como algumas pessoas muito cultas escrevem.
    Mas, mesmo que não seja uma família muito abundante,existem também palavras como vagabunda (muito utilizada!) moribunda (idem), pudibunda e tremebunda.
    E tugúrio, sim, mesmo conhecendo a palavra, nunca soube seu significado. Aurélio, vem cá!

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  14. Olá grande Eduardo! Adorei o texto e ri-me horrores com a ilustração do Sr. Vernáculo! 🤣 O contraste entre o vocabulário erudito e a "teimosia" da IA em manter os três braços ficou perfeito. É bom ver que a nossa língua ainda dá pano para mangas... ou para três braços. xD Um abraço grande! 😁

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  15. Edu, adorei. E ferramentas
    são mesmo para serem
    utilizadas e exploradas.
    Sem contar que Vc
    Arrasou no texto com esse
    cabedal linguístico, mas
    a imagem é deveras SURREAL.
    Bjins e Abraço
    CatiahôAlc.

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  16. Olá Eduardo
    Dei risada aqui com essas palavras
    Sou professora de português
    Já vivi situações parecidas.
    Muito legal a I.A.
    Abraço mineiro pra você.

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  17. Maravilha.
    Gostei muito,
    Esse professor era mesmo um espanto, principalmente com 3 braços!
    E atenção, há aqui uma situação deveras aflitiva... a teimosia da IA.
    Tem 3 braços e mais nada ! Afinal quem é que sabe ? :)
    Abraço e brisas doces ***

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