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Mostrando postagens de outubro, 2026

Boca de Urna

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  Domingo de sol quente. Quente já às oito, hora de abrir as sessões de votação. A ansiedade da população naquela eleição estava em nível elevado à moda Everest. Os dois principais candidatos disputavam  pau a pau, voto a voto.  Quente, Já às oito, hora de abrir as sessões de votação, a fila de eleitores no Colégio Estadual Paulo Freire - outrora nomeado Colégio Estadual Presidente João Figueiredo - mas mudado de nome por uma intensa campanha de militantes de um dos candidatos - já que o nome evocava o tempo da ditadura militar - ainda que, João Figueiredo tivesse sido o presidente general que pôs o fim na ditadura, isso não foi levando em conta - era preciso extirpar de todo lugar público qualquer nome histórico que não estivesse estado no "lugar certo da história" - os militantes se autodeclaravam estando no lugar certo da história.  Seus adversários também... Sol quente. Fila já enorme à moda Everest. Lá pelo meio da fila, dois eleitores de cada um dos candidatos...

Reclame Aqui!

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  TODO MUNDO conhece o site Reclame Aqui, onde consumidores insatisfeitos com o atendimento de empresas vão lá expor os capitalistas malvadões. O site conseguiu tal credibilidade que as empresas, pelo menos a maioria delas, fazem questão de ir lá no site responder as reclamações feitas, pois ignorar uma reclamação pública dos seus serviços podem não ser bom para os negócios.  Pensei no Reclame Aqui quando li em algum  lugar a proposta: Tente viver somente um dia da sua vida sem reclamar de nada. Cá com meus botões, pensei: "mas que merda de proposta é essa"? Ou seja, já comecei reclamando da proposta de não reclamar... Depois fiquei matutando. Será que eu já passei algum dia sem reclamar de nada? Eu acho que não. A gente reclama de qualquer coisa, desde as irrelevantes até as que de fato merecem ser reclamadas.  Então fiz um inventário das coisas das quais eu mais reclamo. De deixar panela no fogo e só lembrar quando o cheiro de queimado invade o lugar onde estou...

O Impacto de João Gilberto

 Rio de Janeiro, 1957  Nelson Mota Eu não gostava de música. Só as de carnaval, nas chanchadas da Atlântida. O rádio era para futebol e programas humorísticos. Com 13 anos, meus maiores interesses eram literários, esportivos e sexuais. A música, pelo menos a que se ouvia no rádio e nos discos, era insuportável para um adolescente de Copacabana no final dos anos 50. Boleros e sambas-canções falavam de encontros e desencontros amorosos infinitamente distantes de nossas vidas de praia e cinema, de livros e quadrinhos, de início da televisão e da ânsia de modernização. Para nós, garotos de classe média de Copacabana, aqueles cantores da Rádio Nacional e suas grandes vozes, dizendo coisas que não nos interessavam em uma linguagem que não entendíamos, eram abomináveis.  Gostávamos mesmo era de praia e futebol, de ver Pelé e Garrincha no Maracanã, dos folhetins de Nelson Rodrigues na Última Hora, das gostosonas da coluna de Stanislaw Ponte Preta, das crônicas de Antonio Maria so...

Ojeriza ao Sucesso

  Cena.  Oswaldo deu a boa notícia ao vizinho Francisco de que o filho tinha sido aceito em uma faculdade inglesa. Ali, na hora, deu parabéns ao vizinho e ao filho. Depois, em casa, rasgou-se em críticas ao sucesso do vizinho, taxando-o de "metido", "soberbo" e "querendo se mostrar". Por que somos assim? Ou não somos? Não é verdade que o brasileiro, talvez por sua cultura católica romana ainda muito presente, tem ojeriza ao sucesso, à riqueza? Por que sempre vemos os ricos como "opressores", "exploradores"? Não que não haja os tais, mas a questão é mais profunda...é a nossa visão pequena das coisas. Será porque, outra vez, o catolicismo exalta a pobreza? Fazer voto de pobreza é algo muito católico e visto como o suprassumo da virtude, principalmente entre os franciscanos. Diferente do que aconteceu nos EUA de cultura protestante, que via no sucesso financeiro, um sinal de que Deus estava presente na vida da pessoa. Outro aspecto do mesm...