Adeus a Veríssimo
AOS 88 ANOS, um dos meus escritores preferidos, filho do meu escritor brasileiro favorito, nos deixou. Nos deixou fisicamente e nos deixou escritos memoráveis que eu nunca me canso de ler e reler. Obrigado, Luiz Fernando Veríssimo, obrigado Érico Veríssimo. DEIXO AÍ UMA HISTÓRIA de um dos seus personagens mais marcantes: O Analista de Bagé. Contam que Lindaura, a recepcionista do analista de Bagé (segundo ele, “mais eficiente que purgante de maná e japonês na roça”), desenvolveu um método para separar os casos graves dos que são só — como diz o analista de Bagé — “loucos de faceiros”. Enquanto preenche a ficha, ela dá a cada paciente em potencial uma cuia de chimarrão no formato de um seio. Depois vai anotando: “Quis chupar a cuia em vez da bomba”, “Começou a gemer e acariciar a cuia”, “Atirou contra a parede”, etc. Assim, quando recebe o paciente, o analista de Bagé já sabe o que esperar. Mas nada preparou o analista de Bagé para a entrada no seu consultório do megalôman...