CREIO QUE O PIOR erro que nós, pais, cometemos contra nossos filhos, é a superproteção. E este assunto me veio à baila depois de ler uma crônica do Jotabê. Em seu texto ele diz:
ninguém nunca me alertou que viver exigiria resiliência, resignação e estoicismo, que a vida seria como uma senoide, uma montanha russa que alterna alegria e tristeza, felicidade e sofrimento de forma tão dramática. Eu não me preparei para suportar isso! E, podem acreditar, este desabafo não é força de expressão. Talvez seja consequência de uma educação muito protetora que me fez crescer desfibrado, frágil, inseguro. Como poderia ter evitado isso?
Nada mais verdadeiro. Se é preciso aprender a viver, quem será nosso professor? Pais, escola, igreja, clube, TV, as redes sociais...
A maior invenção de todas - que é a vida - não vem com manual de instruções! A gente tem que ir aprendendo enquanto vive.
Pais erram na criação dos filhos e eu não os condeno. Eles também não aprenderam. Na maioria dos casos, fazem o melhor que podem com as limitações que têm.
Meus pais eram maravilhosos mas tinham seus erros: Falta de diálogo franco e aberto sobre muitas coisas da vida e uma tentativa de superproteger a mim e a meus dois irmãos.
Quando eu fiz concurso pra Marinha em 82 e passei, fui fazer o curso em Vila Velha, Espírito Santo. Com uma semana de curso meu pai foi me visitar. A primeira semana era chamada de "semana de adaptação". Uma semana em que se tirava o couro dos jovem aprendizes de marinheiro pra ver quem iria aguentar o tranco do curso que durava um ano. Mais de 200 desistiram.
Aí chega meu pai na escola e me vê em estado deplorável. Abatido e com os pés fervilhando de bolhas e me diz: "Filho, quer desistir, sua mãe tá preocupada". E como ele me pergunta aquilo tendo ele próprio passado o mesmo na sua época de formação?
Apesar de ter sido um pouco mimado e protegido, me impus àquela pergunta tentadora lhe dizendo que ficaria, pois o pior tinha passado. E fiquei.
E lembrei-me de uma cena quando o Eduardinho tinha 5 anos.
Eu vinha com ele de mãos dadas e de repente, ele começou a reclamar querendo andar sozinho. Eu falei "aqui tem muita pedra na rua, você pode cair". Ele insistiu. "Pai, eu vô sozinho, larga.."
E larguei.
Não deu cinco passos e pluft! meteu a cara no chão. Ajudei-o a levantar-se. Fez cara de choro. "Quer chorar, chora, filho, mas eu lhe disse que a rua aqui é ruim de andar sozinho". Vendo que ele estava bem comecei a andar. Ele veio, me deu a mão e disse: "pai, me dá a mão".
Difícil é equilibrar proteção com autonomia.
* * *
Mansim, pra tu não se sentir culpado....rs
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ResponderExcluirQue bom que colocou de novo nos comentários.
ResponderExcluirMuito bom,Edu e é bem assim...Se não os deixarmos tentar, nada hão de conseguir. Cuidar, amparar, mas não os tolher de brincar e se divertir! Bom que os comentários voltaram! abração, boas folias de Momo,rs... chica
ResponderExcluirBom que liberou os comentários e obrigado pela citação. Uma vez eu ouvi alguém dizer: "Ser filho é fácil, difícil é ser pai"; e completou: "Ser pai é fácil, difícil é ser filho". Bem disse o Millôr Fernandes quando escreveu que "Viver é desenhar sem borracha". Abraços
ResponderExcluirCair não custa. O que custa é depois levantar.
ResponderExcluir.
Fim de semana muito feliz
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Oi, Edu, sim, é difícil, até que minha geração aceitava bem as coisas,
ResponderExcluira dos meus filhos não, queriam muita liberdade, e não tinham noção...
Mas, educamos aqui como achamos, cuidamos com certa liberdade, mas com olhos bem abertos. Mas os filhos sempre vão reclamar de algumas coisinhas... Ser pai e mãe não é mole...
Um bom carnaval, samba no pé!!!! 😄☺️🙋♀️
Dudualdo, meu amigo cientista estatistico blogsférico!
ResponderExcluirEu acho que você está correto.
Superprotegemos nossos filhos.
Por mim não seria tanto, mas pela minha esposa, o tratamento para o meu filho é até demais.
Até hoje, com 13 anos, ele não pode ir no bar, 4 quarteirões de casa para comparar um guaraná.
Meu Deus!!!
Rapaz... Meus pais eram relapsos.
Não faltava o básico, mas carinho e preocupação com escola e com a vida, nunca existiu.
Fiz faculdade porque eu quis, e hoje minha mãe ainda tem coragem de falar que eu deveria ter feito outra coisa, sendo que ela nunca ajudou com nem 1 real do que eu consegui fazer.
É triste isso.
Mas, tudo bem.
Um abraço meu amigo.
Cair faz bem, pois aprende a se levantar, Eduardo feliz segunda-feira abraços.
ResponderExcluirBem sei eu sobre esse Período de Adaptação da Marinha. Tive uma febre e dor de garganta infernais e um sargento, que me viu na enfermaria, disse: "Se achas que não vai conseguir, desiste."
ResponderExcluirMe formei MN- RC, com Carta de Apresentação e tudo.
Uma verdadeira aula de que a vida não vem com manual Edu!
ResponderExcluirPrimeiramente parabéns por ter suportado o pior no curso de Aprendizes marinheiros! Você foi guerreiro demais!! Aliás, há poucos dias eu vi a fila de jovens que estavam na fila para ingressar no curso lá na Prainha, em Vila Velha. Confesso que não senti muita firmeza nos garotos, pois estavam acoplados aos celulares ...rsrs
Nada melhor do que passar por um momento difícil para crescer e se desenvolver!!!
No filme Tropa de Elite o personagem Capitão Nascimento ( Wagner Moura) sempre usava a frase "pede pra sair" no rigoroso treinamento dos aspirantes a policial do BOPE.
E a maioria desistia... E desistir jamais não é amigo?
Beijos e um ótimo restante de feriado!!!
Oi!
ResponderExcluirConcordei demais com a frase de que a vida não vem com manual de instruções!
https://deiumjeito.blogspot.com/
Oi, Eduardo! Acho que você tem razão. Os pais, por melhores que sejam, ainda têm suas falhas, pois somos todos falhos. Acho que os avós ajudam muito pois têm mais experiência de vida. E hoje em dia, acho que os pais estão falhando muito da aducação dos filhos. Enfim, tem coisas que só a vida ensina mesmo. Um abraço! 🌺
ResponderExcluirQue reflexão necessária, Eduardo! Como é difícil educar e dar segurança. Mas precisamos estar seguros conosco para nos mantermos firmes nesta tarefa!
ResponderExcluirGrata pela reflexão!