LUIS CLÁUDIO. PEDRO PAULO. Paulo César. Jorge Henrique. Ana Clara. Ana Júlia. Carlos Eduardo. Nomes compostos. Por quê eles existem? Sempre achei nomes compostos um exagero nominativo.
Luis Cláudio? Ora, ou é Luis ou é Cláudio. "Ô Luís Cláudio, vai fazer o dever de casa!". Nome composto é chato. Parece-me coisa de pais que querem dar pompa e circunstâncias à prole. "Meu filho se chama César Augusto...". Não bastava dar um nome de imperador romano à criança, então dá logo dois!
Eu sou Carlos Eduardo. Nunca gostei. Eu queria ser Carlos ou Eduardo. E eu fui. Até os 15 anos, meus amigos me chamavam de Carlinhos. Alguns adultos teimavam em me chamar de "Carlos Eduardo" - um absurdo. Eu gostava de ser Carlos. Meu pai era "Carlos Diogo" - também um nome composto. Sempre foi chamado de Carlos por uns e Diogo por outros. Todos amigos da Marinha lhe chamavam de Diogo (que foi seu nome de guerra) e os demais, o chamavam de Carlos.
Não tenho certeza, mas acho que quiseram homenagear em mim, tanto o meu pai, quanto o meu avô materno que era Eduardo.
Na infância, obviamente ululantemente, minha mãe me chamava pelo apelido de "Dudu", "Dudinha", "Edu". Meu pai, mais formal, me chamava de Eduardo mesmo. Mas como eu disse, os amigos me chamavam de Carlinhos. Hoje acho o diminutivo, horrível.
Minha irmã mais nova, quando pequena, por nunca conseguir me chamar de Edu, deu-me mais uma alcunha: Bu. Somente Bu. E não é que o Bu me perseguiu até a idade adulta? Ela só me deixou de me chamar de Bu depois dos 30 anos; até então, eu já era Eduardo mas todos meus amigos mais próximos, me chamavam de Bu.
Uma coisa horrorosa.
Deixei de ser Carlos em algum momento a partir dos 15 anos, quando nos mudamos para o Rio de Janeiro. Como eu sempre estava mudando de Estado, o Carlos ficou prá trás e eu me apresentava agora somente como Eduardo. Um nome que eu gosto. Mas na Marinha meu nome de guerra era Medeiros. O Carlos ficou pra trás. Bu, ainda bem, se foi. Dudinha, eu até sinto falta pois saia da boca da minha mãe.
Não quis transmitir ao meu filho o peso de ter dois nomes. Se fosse menina, seria Sofia, se fosse menino, seria Eduardo. Somente Eduardo. Mas por que teve que dar seu segundo nome ao menino? Imposição paterna filial do pátrio-poder semântico...E foi e está sendo. Temos na família, vários Eduardos, herança nominal do meu avô materno, muito estimado na família.
Porém, não quis impor a ele o meu nome todo. Nada de "Carlos Eduardo Medeiros de Jesus Júnior" ou "Filho", pois aí é a aberração nominal elevada ao quadrado. Sim, vai ter meu nome, mas só um. Eduardo.
Júnior é a liquidação da individualidade.
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