segunda-feira, 16 de março de 2026

JOSELINO BARBACENA

 







Joselino Barbacena foi um personagem vivido por Antonio Carlos Pires, criado em parceria com Chico Anysio que satirizava em forma de protesto e humor, um homem aparentemente de saúde e capacidade mental duvidosa. O bordão do personagem, "Quando eu era criança pequena lá em Barbacena...", foi reconhecido, por lei, como frase cultural da cidade localizada no Campo das Vertentes, a cerca de 100 quilômetros de Juiz de Fora.

Porém, o que passou despercebido pela maioria dos espectadores da Escolinha do Professor Raimundo(inclusive por mim), foi a origem sombria do personagem. Barbacena, cidade do interior de Minas Gerais ainda é conhecida como a “cidade dos loucos”, por ter sediado o maior hospital psiquiátrico do Brasil, o Centro de Tratamento Hospitalar e Psiquiátrico de Barbacena (mais conhecido como Colônia), palco de uma das maiores tragédias humanitárias da história do país.

Em seu livro “Holocausto Brasileiro”, Daniela Arbex denuncia a morte de 60 mil brasileiros internos do Colônia entre 1930 e 1960, muitos internados sem diagnóstico, apenas à mando daqueles a quem interessava sua prisão. 

O centro recebia diariamente, além de pacientes com diagnóstico de doença mental, homossexuais, prostitutas, epiléticos, mães solo, meninas problemáticas, mulheres engravidadas pelos patrões, moças que haviam perdido a virgindade antes do casamento, mendigos, alcoólatras, melancólicos, tímidos e todo tipo de gente considerada fora dos padrões sociais.

Daniela Arbex entrevistou ex-funcionários e sobreviventes para resgatar de maneira detalhada e emocionante as histórias de quem viveu de perto o horror perpetrado por uma instituição com um propósito de limpeza social comparável aos regimes mais abomináveis do século XX. 

O personagem até que era engraçado, mas o que aconteceu em Colônia, não teve a menor graça, na verdade, foi uma desgraça completa.


Quem quiser saber mais:



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quinta-feira, 5 de março de 2026

PARABÉNS!

 






Seu Jovinaldo  Soares, no auge dos seus 80 anos, aposentado, memória um pouco já debilitada, morava com uma filha e o genro. A filha abdicou do trabalho fora para cuidar do pai e em troca, o pai lhe dava uma mesada, mesmo a contragosto da filha. 

— O senhor não me precisa pagar nada, pai.

— Mas você saiu do emprego pra ficar cuidando aqui deste velho. E pra quê eu preciso de dinheiro? Só pros remédios de pressão e do diabetes...

Era assim, seu Jovinaldo. Um pai grato pelo carinho da filha.


Naquela tarde a filha foi comprar algumas coisas no mercado. Pai, volto logo.

O celular de Jovinaldo toca. Ele coloca os óculos, vê o número e aperta o ícone verde. Aprendera direitinho como atender esses telefones modernos.

— Alô, seu Jovinaldo? 

—  Sim? 

— Parabéns, seu Jovinaldo, eu sou Andressa da seguradora Rumo ao Norte e quero lhe comunicar que o o seu número, entre milhares de números de aposentados do INSS, foi sorteado para receber nosso produto mais desejável, que é o seguro pleno com multibenefícios progressivos a longo prazo premium. O senhor terá direito a descontos em passagens aéreas em voos internacionais, direito a uma rede de academias da terceira idade, acesso gratuito a filmes nacionais nos cinemas da rede Kornoplex; o senhor também terá direito a um cartão de crédito sem anuidade - desde que gaste pelo menos 500 reais por mês -  e certamente o senhor quererá concentrar neles todos os seus gastos -  O valor irrisório de 78 reais será descontado diretamente do seu contracheque.  O senhor quer receber todos esses benefícios, seu Jovinaldo?

— (...)  É quem que tá falando? É Hermestina?

— Não, seu Jovinaldo, é Andressa da seguradora Rumo ao Norte, o senhor entendeu seus benefícios?

— Muito bem, não...

— É que são muitos benefícios, mas o senhor vai receber tudo por escrito em seu e-mail, direitinho, tudo bem?

— Eu tô bem e você? 

— Vou bem, seu Jovinaldo, o senhor só preciso confirmar que quer receber todos os benefícios do seu seguro premiado de benefícios progressivos, entendeu? O senhor pode confirmar seu e-mail?

— Mas não é Hermestina? Você fala parecido com ela...

— Seu Jovinaldo, o senhor tem pouco tempo para aderir a todos aos seus benefícios, o senhor só precisa dizer que aceita para ficar registrado e logo, logo, estará apto a desfrutar das comodidades que nosso seguro premiado progressivo lhe proporcionará.

— É que você falou muito rápido, moça, pode repetir? 

— Claro, seu Jovinaldo, mas o senhor precisa tomar uma decisão rápido em seu próprio benefício. Escute bem...eu sou Andressa da seguradora Rumo ao Norte e quero lhe comunicar que o senhor, entre milhares de números, foi sorteado para receber nosso produto mais desejável, que é o seguro pleno com multibenefícios progressivos a longo prazo premium. O senhor terá direito a descontos em passagens aéreas em voos internacionais, direito a uma rede de academias da terceira idade, acesso gratuito a filmes nacionais nos cinemas da rede Kornoplex; o senhor também terá direito a um cartão de crédito sem anuidade desde que gaste pelo menos 500 reais por mês - e certamente o senhor quererá concentrar neles todos os seus gastos - O valor irrisório de 78 reais será descontado diretamente do seu contracheque.  O senhor quer receber todos esses benefícios, seu Jovinaldo?

— É...acho que entendi...mas você tem uma voz muito parecida com a voz da minha Hermestina quando mocinha. Eu vô ter muitos benefícios, é...?

— Sim, seu Jovinaldo, muitos. O senhor só precisa confirmar seu desejo de ter todos os benefícios do nosso seguro premiado progressivo expansivo. O senhor tem e-mail? 

— Moça, eu não sei...acho que tinha mas faz muito tempo que não uso...

— Não tem problemas, seu Jovinaldo, eu posso lhe mandar tudo por escrito para o seu endereço com as informações do seu plano progressivo expansivo multipremium premiado.

— Multi o quê?

(...)

Nessa hora chega a filha. 

— Pai, com quem tá falando?

Cai a ligação...

— Parecia tua mãe quando era mocinha...


segunda-feira, 2 de março de 2026

O ATOR, O PRESIDENTE E O IRMÃO DO ATOR

 


No século 19, Edwin Booth era considerado o melhor ator dos Estados Unidos. Era uma verdadeira lenda. Podemos dizer que Edwin era o George Clooney de hoje. Edwin realizou um ato de heroísmo que, em outras circunstâncias, o teria levado aos livros de História. Aconteceu durante a Guerra de Secessão americana, numa estação de trem em Jersey City. Um rapaz tropeçou e ia caindo no trilho quando Edwin num ato reflexo, o agarrou pela gola e o puxou de volta para a plataforma. 

Nem precisa dizer que quando o rapaz viu quem o salvara, ficou emocionado, eufórico; imagine se você tivesse caído de uma plataforma quando criança e fosse salvo por Chuck Norris. Para esse garoto foi a mesma coisa.

Após 15 dias, Edwin recebeu uma carta de congratulações de um oficial do Estado-Maior do general Ulysses S. Grant. O rapaz que Edwin salvara era, na verdade, Robert Todd Lincoln, filho do presidente Abraham Lincoln. 

Esse ato de heroísmo seria a interação única e improvável entre as famílias Booth e Lincoln se John Wilkes, irmão de Edwin, não atirasse e matasse o presidente Lincoln vários meses depois...


sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

NOME COMPOSTO

 


LUIS CLÁUDIO. PEDRO PAULO. Paulo César. Jorge Henrique. Ana Clara. Ana Júlia. Carlos Eduardo. Nomes compostos. Por quê eles existem? Sempre achei nomes compostos um exagero nominativo

Luis Cláudio? Ora, ou é Luis ou é Cláudio. "Ô Luís Cláudio, vai fazer o dever de casa!". Nome composto é chato. Parece-me coisa de pais que querem dar pompa e circunstâncias à prole. "Meu filho se chama César Augusto...". Não bastava dar um nome de imperador romano à criança, então dá logo dois!

 Eu sou Carlos Eduardo. Nunca gostei. Eu queria ser Carlos ou Eduardo. E eu fui. Até os 15 anos, meus amigos me chamavam de Carlinhos. Alguns adultos teimavam em me chamar de "Carlos Eduardo" - um absurdo. Eu gostava de ser Carlos. Meu pai era "Carlos Diogo" - também um nome composto. Sempre foi chamado de Carlos por uns e Diogo por outros. Todos amigos da Marinha lhe chamavam de Diogo (que foi seu nome de guerra) e os demais, o chamavam de Carlos. 

Não tenho certeza, mas acho que quiseram homenagear em mim, tanto o meu pai, quanto o meu avô materno que era Eduardo. 

Na infância, obviamente ululantemente, minha mãe me chamava pelo apelido de "Dudu", "Dudinha", "Edu". Meu pai, mais formal, me chamava de Eduardo mesmo. Mas como eu disse, os amigos me chamavam de Carlinhos. Hoje acho o diminutivo, horrível. 

 Minha irmã mais nova, quando pequena, por nunca conseguir me chamar de Edu, deu-me mais uma alcunha: Bu. Somente Bu. E não é que o Bu me perseguiu até a idade adulta? Ela só me deixou de me chamar de Bu depois dos 30 anos; até então, eu já era Eduardo mas todos meus amigos mais próximos,  me chamavam de Bu. 

Uma coisa horrorosa.

Deixei de ser Carlos em algum momento a partir dos 15 anos, quando nos mudamos para o Rio de Janeiro.  Como eu sempre estava mudando de Estado, o Carlos ficou prá trás e eu me apresentava agora somente como Eduardo. Um nome que eu gosto. Mas na Marinha meu nome de guerra era Medeiros. O Carlos ficou pra trás. Bu, ainda bem, se foi. Dudinha, eu até sinto falta pois saia da boca da minha mãe. 

Não quis transmitir ao meu filho o peso de ter dois nomes. Se fosse menina, seria Sofia, se fosse menino, seria Eduardo. Somente Eduardo. Mas por que teve que dar seu segundo nome ao menino? Imposição paterna filial do pátrio-poder semântico...E foi e está sendo. Temos na família, vários Eduardos, herança nominal do meu avô materno, muito estimado na família. 

 Porém, não quis impor a ele o meu nome todo. Nada de "Carlos Eduardo Medeiros de Jesus Júnior" ou "Filho", pois aí é a aberração nominal elevada ao quadrado. Sim, vai ter meu nome, mas só um. Eduardo. 

Júnior é a liquidação da individualidade. 


* * * 

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

SEMPRE FOI ASSIM

 




Um grupo de cientistas colocou cinco macacos em uma jaula. No meio, havia uma escada e sobre ela um cacho de bananas. Quando um macaco subia a escada para pegar as bananas, um jato de água fria era jogado nos que estavam no chão. Depois de um certo tempo, quando um macaco subia a escada para pegar as bananas, os outros que estavam no chão o retiravam da escada sob pancadas. Depois de algum tempo, nenhum macaco subia mais a escada, apesar da tentação das bananas.

Prosseguindo com o experimento, eles substituíram um dos macacos por um novo. A primeira coisa que ele fez foi subir a escada, dela sendo retirado pelos outros que o surraram. Depois de algumas surras, o novo integrante do grupo não subia mais a escada.

Um segundo substituto foi colocado na jaula e o mesmo ocorreu com ele, tendo o primeiro substituto participado com entusiasmo na surra do novato. Um terceiro foi trocado e o mesmo ocorreu. Um quarto e afinal o último dos cinco integrantes iniciais foi substituído.

Os pesquisadores, então, tinham na jaula um grupo de cinco macacos que, mesmo nunca tendo tomado um banho frio, continuava batendo naquele que tentasse pegar as bananas.

Se fosse possível perguntar a algum deles por que eles batiam em quem tentasse subir a escada, com certeza, dentre as respostas, a mais frequente seria: "Não sei, mas as coisas sempre foram assim por aqui"

 ...

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

Vídeos Pitorescos # 01



QUANDO o feminismo conseguiu impor a ideia de que feto humano não é vida





COISAS que acontecem...






ATÉ ONDE devemos respeitar o multiculturalismo?



 

 

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

Caia, Mas Levante!

 


CREIO QUE O PIOR erro que nós, pais, cometemos contra nossos filhos, é a superproteção. E este assunto me veio à baila depois de ler uma crônica do Jotabê. Em seu texto ele diz:


ninguém nunca me alertou que viver exigiria resiliência, resignação e estoicismo, que a vida seria como uma senoide, uma montanha russa que alterna alegria e tristeza, felicidade e sofrimento de forma tão dramática. Eu não me preparei para suportar isso! E, podem acreditar, este desabafo não é força de expressão. Talvez seja consequência de uma educação muito protetora que me fez crescer desfibrado, frágil, inseguro. Como poderia ter evitado isso?

Nada mais verdadeiro. Se é preciso aprender a viver, quem será nosso professor? Pais, escola,  igreja,  clube, TV, as redes sociais...

A maior invenção de todas - que é a vida - não vem com manual de instruções! A gente tem que ir aprendendo enquanto vive.

 Pais erram  na criação dos filhos e eu não os condeno. Eles também não aprenderam. Na maioria dos casos, fazem o melhor que podem com as limitações que têm.

 Meus pais eram maravilhosos mas tinham seus erros: Falta de diálogo franco e aberto sobre muitas coisas da vida e uma tentativa de superproteger a mim e a meus dois irmãos.

Quando eu fiz concurso pra Marinha em 82 e passei, fui fazer o curso em Vila Velha, Espírito Santo. Com uma semana de curso meu pai foi me visitar. A primeira semana era chamada de "semana de adaptação". Uma semana em que se tirava o couro dos jovem aprendizes de marinheiro pra ver quem iria aguentar o tranco do curso que durava um ano. Mais de 200 desistiram. 

Aí chega meu pai na escola e me vê em estado deplorável. Abatido e com os pés fervilhando de bolhas e me diz: "Filho, quer desistir, sua mãe tá preocupada". E como ele me pergunta aquilo tendo  ele  próprio  passado  o mesmo na sua época de formação? 

Apesar de ter sido um pouco mimado e protegido, me impus àquela pergunta tentadora lhe dizendo que ficaria, pois o pior tinha passado. E fiquei.

E lembrei-me de uma cena quando o Eduardinho tinha 5 anos.

 Eu vinha com ele de  mãos dadas e de repente, ele começou a reclamar querendo andar sozinho. Eu falei "aqui tem muita pedra na rua, você pode cair". Ele insistiu. "Pai, eu vô sozinho, larga.."

 E larguei. 

Não deu cinco passos e pluft! meteu a cara no chão. Ajudei-o a levantar-se. Fez cara de choro. "Quer chorar, chora, filho, mas eu lhe disse que a rua aqui é ruim de andar sozinho". Vendo que ele estava bem comecei a andar. Ele veio, me deu a mão e disse: "pai, me dá a mão".

Difícil é equilibrar proteção com autonomia.


* * *

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

Da Série: Coisas que Minha Mãe Dizia

 




Quando se é criança tem coisa melhor do que ganhar brinquedo? É frustrante para uma criança ganhar uma roupinha de aniversário. Roupa não, brinquedo! -  parece ser o grito estampado no rosto do infante. 

Durante 5 anos que  meu pai serviu na Base Naval de Aratu, em Salvador, BA, a base promovia festividades para os familiares dos militares.  Todas as crianças ganhavam brinquedos. Esperávamos ansiosos o Natal chegar para que meu pai levasse a família para as festividades já na expectativa de qual brinquedo ganharíamos. No ano mais memorável, a Base fez um passeio de navio pra todo mundo. Foi uma festa. Um monte de adolescentes e pré-adolescentes  deslumbrados com o navio cortando as ondas do mar. Depois da festa, em casa, era hora de brincar com os presentes ganhos. Brincava, brincava, brincava e...sempre acontecia de se quebrar um brinquedo. E aí, já sabíamos que viria a frase certeira da minha mãe: "Ganhou hoje e já quebrou!"


sábado, 7 de fevereiro de 2026

Eu Comigo Mesmo

 


Às vezes me pego pensando porquê eu sou eu e não você. Penso como seria não ser eu e como seria ser você. Ou ser o seu Joaquim da padaria. Esse negócio de sermos o que somos sempre me impressionou. O que eu seria (ou não seria) se Carlos Diogo e Valda Medeiros não se encontrassem. Haveria eu ou eu nasceria de outra barriga? Da barriga da dona jovência, por exemplo, que no caso era a bisavó da minha esposa? Mas aí o eu da minha esposa não existiria ou existiria em outro corpo, em outro lugar? Não sei bem como é ser eu e fico impressionado como seria ser você. Que voz é essa que fala em nossas cabeças, que pensa, reflete e argumenta? Quem sou, quem somos nós, se como cantou Raul, se hoje sou estrela amanhã já se apagou...? Sei que filósofos e psicanalistas se aprofundaram no assunto mas para mim, o eu será sempre um mistério.


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Ando meio ocupado. 

Estou um pouco ausente em comentar nos blogues que sigo. O grande blogueiro-escritor-cartunista André Mansim, desafiou seus leitores blogueiros a fechar os comentários de seus blogues pra ver o que acontecia. Olha, eu sempre quis fazer isso. Será que se eu deixar de visitar alguém por umas duas semanas e não comentar nenhum dos seus textos, ela vai fazer a mesma coisa comigo? Acho que sim, é assim que funciona a tal blogosfera e tudo bem.

Preciso me concentrar em escrever um livro que estou escrevendo há uns 20 anos! Sou muito preguiçoso e faltoso de talento em escrever histórias longas, daí a coisa estar empancada. A mesma facilidade que tenho em escrever um continho, uma cronicazinha, tenho na dificuldade  em escrever textos longos. 

MAS PRECISO ESCREVER ESSE LIVRO!!!! Eu prometi escrevê-lo para meu pai e meu pai já se foi...já não é o que tinha sido. Sinto-me profundamente envergonhado, mas a família ainda me cobra o livro, pois seria uma biografia romanceada dos meus pais. Vou tentar, prometo.

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POIS ENTÃO, vou me ausentar um pouco. Não vou deixar de ler meus blogues preferidos, mas acontecerá de não ser todos dias e eu poderei não comentar nada ou apenas dizer um "oi".

E vou fechar meus comentários. 

Se você vem aqui apenas para comentar e esperar a minha retribuição, fique tranquilo/a, não precisará mais fazê-lo.  Se continuar lendo as besteiras que escrevo, será por livre vontade não retributiva. 

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quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

Gênio Aposentado

 




Vinha andando, assobiando uma música dos Ramones, quando encontrei uma lâmpada daquelas das histórias de Aladim! Peguei a lâmpada e fiz o que manda o figurino: Esfrequeia-a.

Claro que o gênio, numa fumaça preta, saiu de lá de dentro. Se espreguiçou levantando os braços e emitindo um "ahhhhh"... me encarou e disse:

 —  Até que enfim! Não aguentava mais dormir, acordar, dormir....sem uma saidinha.

 —  Cacete....!! Tu é um gênio mesmo?

 —  Não, sou a Cleópatra...

 Encontrei um gênio sarcástico. Olhou em volta tentando se localizar.

 —  Que lugar é esse?

 —  Copacabana, Rio de Janeiro, Brasil, América do Sul...

—  Tá, tá, já entendi. A última vez que sai da Lâmpada foi em Bagdá....em que ano estamos? 

—  2026, depois de Cristo.

—  Depois de Cristo? Ou depois de Maomé? 

— Depois dos dois, seu gênio.

Sorriu feliz quando avistou a praia. Soltou uma gargalhada e começou a andar em direção às areias de Copacabana. Fui atrás.

— Ei, espera, e meus três pedidos?

— Hiii, isso já acabou faz tempo.

— Como assim, acabou?

— Me aposentei já tem mais de mil anos.

— Mas logo agora que eu te encontro? Que azar! Não dá pra abrir uma exceção?

— Nem que eu quisesse. Meus poderes já se extinguiram, estou aposentado, como já disse; só esperava a hora de alguém me libertar de vez para eu curtir minha aposentadoria! Muito obrigado.

Deu as costas e foi embora. Fiquei lá, olhando o sujeito ir andando todo serelepe em direção ao mar. Eu com a lâmpada na mão. É muito azar, pelo menos eu poderia ter libertado a Jeannie, adoraria ir à praia com ela.







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homenagem às histórias de gênios e às histórias de Jeanie e da Feiticeira que eu amava assistir quando adolescente.


quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

Pérolas do ENEM

 





Nós, brasileiros, somos unânimes em dizer que nossa educação pública é ruim. Para não colocarmos tudo na mesma cesta (ou seria sesta...??), reconhecemos que há colégios públicos de primeira grandeza, mas esses só estão disponíveis para quem consegue  uma boa classificação em exames exigido pela instituição. Sonhamos com o dia em que nossas escolas públicas de periferia sejam tão boas quanto um colégio  Pedro II (RJ),  Colégio de Aplicação da Universidade Federal de Viçosa (UFV) (MG), os colégios militares e poucos outros. 

Corre por aí textos que teriam sido escritos por alunos que prestaram o exame do ENEM e que são coisas totalmente disparatadas e até, engraçadas. E se é engraçada, me interessa. 

Vejamos algumas:


O calor é a quantidade de calorias armazenadas numa unidade de tempo.

O Ateísmo é uma religião anônima.

A floresta está cheia de animais já extintos. Tem que parar de desmatar para que os animais que estão extintos possam se reproduzirem e aumentarem seu número respirando um ar mais limpo.

A ciência progrediu tanto que inventou ciclones como a ovelha Dolly.

Os dois movimentos da Terra são latitude e longitude.

Ângulo é duas linhas que vão indo e se encontram.

A alimentação é o meio de digerirmos o corpo.

Lenini e Stalone eram grandes figuras do comunismo na Rússia.

povo quer coisas simples, sem muita luxúria.

A finalidade das Cruzadas era passear pelo deserto em busca de aventuras.


E por aí vai.

Não sei até que ponto isso é verdade ou se não passa de piadas, mas conhecendo o nosso sistema público de ensino, eu diria que essas afirmações são totalmente compatíveis e possíveis com nossa realidade educacional. 

sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

Sensibilidades Genéticas

 


Nem queria mais voltar ao tema da crônica anterior, mas preciso só fechar um assunto.


Existe uma diferença entre homens afeminados héteros e homens sensíveis, héteros ou não. Sobre os afeminados já escrevi antes, mas preciso falar dos homens sensíveis, pois eu mesmo sou um dos tais...

Sou a junção genética de uma mãe de alma de artista; cantava, compunha, escrevia poemas e tinha uma sensibilidade à flor da pele e de um pai durão, firme em suas convicções, que não achava graça em quase nada e que eu só vi chorando quando me ligou noticiando que minha mãe tinha falecido. 

Então vejo em mim partes desses duas criaturas abençoadas escolhidas não sei por quem ou o quê para serem meus genitores.

Posso ter momentos de dureza impositiva (muitas vezes exageradas) ou momentos de pura sensibilidade. Sou capaz de escrever um conto com muita violência ou um poeminha singelo sobre uma flor desabrochando ou uma crônica engraçadinha mas ordinária.

Aprecio homens sensíveis. Homens que choram. Homens que tem sua masculinidade segura e não liga para serem sempre "o machão", mesmo porquê, o tempo dos machões à moda antiga já passou. Ou deveria ter passado.

Então, nunca fui um machão típico como meu pai foi. Cuidei do meu filho a partir dos 7 meses para que a mãe voltasse a trabalhar, já que eu  estava reformado da Marinha quando ele nasceu. A maior parte do dia ele ficava comigo. Às vezes lamentei em não ter sido pai mais jovem, mas ao mesmo tempo, me vejo agradecendo à vida ou a Deus ou ao Destino, dele ter nascido em um momento em que eu não precisava mais trabalhar. 

Meu trabalho foi ver ele crescer, lhe ensinar coisas, brincar com ele até cansar. Que pai hoje em dia pode se dar a esse luxo?  Vejo nele também essa dualidade genética, talvez herdada também do avô?

Eu já lhe disse que homem chora. Que homem lava louça, varre casa, lava roupa, mas também faz aqueles serviços mais pesados, serviços que um homem não deixa uma mulher fazer por puro instinto masculino de saber-se mais forte e querer poupar a mulher do esforço - ainda que ela conseguisse fazer tão bem a coisa quanto um homem. Se ela não for uma feminista radical, vai se sentir privilegiada. E pra ele ter cuidado num futuro próximo com as feministas radicais...

Gente, eu chorei vendo Titanic... pode? 


Termino lembrando dos versos do Roberto Carlos.


Ama, independente da moda

Macho mas não se incomoda

De ser um doce com sua mulher...


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sábado, 10 de janeiro de 2026

Héteros Afeminados

 





Estava vendo outro dia um humorista chamado Leandro Leitte que faz um stand up sobre "homens afeminados". Conta que todo mundo acha que ele é gay, por ser muito sensível, por ter um jeitinho assim, delicado, meio afeminado. Então ele diz jocosamente querer dar voz a essa minoria esquecida e que sofre preconceitos: Os homens héteros afeminados. Sua própria namorada acha que ele é gay, conta. Perguntada então por quê ela namora com ele,  sua resposta foi que se não der certo, eles podem continuar amigas...

Pois então, esse é mesmo um assunto delicado. Eles existem. Os homens héteros delicados demais. Você deve conhecer um. Eu conheço e tenho amizade com um  há uns 20 anos. Jamais o vi com uma namorada. Mora com a mãe. É professor de francês. Tem gestos suaves e delicados. Fala manso, até com biquinho. Mas ele não é gay. Particularmente, depois de tantos anos, ainda tenho minhas dúvidas. E não que isso seja problema. Meu padrinho de casamento é um gay bem gay. Divertidíssimo.

Mas o barato da coisa é que existe um monte de homens gays brutos e nada delicados. Já viu aquela figura máscula, cheia de músculos protuberantes, aquela barbona bem tratada, aquela voz potente de homem com H? Gay...quem diz?

E tem a teoria moderna de que homem muito macho na verdade está escondendo sua real natureza sexual: gay...como se dizia antigamente, uma bichona. Acho que bichona não é mais pejorativo, pois as bichonas tomaram para si o termo e ele foi domesticado. As bichas se chamam de bichas numa boa. Parecido com os nerds que eram chamados pejorativamente de nerdolas e tomaram pra si o termo e hoje têm orgulho de se dizerem nerdolas. 

Voltando aos homens afeminados, não sei se já é o resultado da militância extremista feminista que está em plena guerra contra os homens machos e contra os filhos. Outro dia estava lendo um livro com esse título: "Contra os Filhos". Elas dizem que os machos precisam se descontruir e abraçar o feminismo militante com unhas e cílios. Os adeptos homens à seita são chamados lindamente de feministos. 

Elas não querem só derrubar o patriarcado , querem destruir a macheza... Essa mudança está em pleno vigor. Quem já não viu um filme recente onde mulheres são fodonas, batem em homens duas vezes maiores que elas, estão sempre comandando uma grande empresa ou são as chefes do grupo militar tático de ação? E o mais engraçado é que tentaram tanto destruir o jeito masculino de ser e estão se tornando aquilo que criticavam: mulheres machos. 

Bem, apesar que essas já existiam na boa música de Gonzagão, paraiba masculina mulher macho sim, senhor... 

Sou do tempo em que menino não brincava de boneca. Que menino era ensinado a falar grosso, ter atitudes de homens. Isso incluía respeitar e proteger as mulheres. Isso hoje é condenável. Aliás, até as leis hoje são feitas contra os homens em favor das mulheres. Já tem lei aí à pouco aprovada que se um homem interromper enfaticamente a fala de uma mulher ele pode ser processado e condenado.

O que as mulheres feministas fodonas mais têm prazer em dizer é que "não precisam que um homem as protejam". Isso é lindo! De cinco filmes que assisto hoje em dia, no mínimo três tem uma cena onde uma mulher diz para um homem "não preciso que me proteja". Vi uma cena em que uma mulher era atacada por um maníaco que a queria estuprar. Ele a derruba no chão e se senta em sua barriga, dominando-a por completo. Um outro homem atira no maníaco e ele cai ao lado da mulher. E a mulher, ao invés de dizer "muito obrigado" ela grita e esbraveja contra ele: "Eu não precisava da sua ajuda!".

Vai que não precisava mesmo.

Homens afeminados e mulheres machos. Coisa bem moderna e progressista. 


Volto ao assunto - talvez - na próxima semana.









sábado, 3 de janeiro de 2026

Manguaça

 



Este ano quero ser mais sério.

Quero escrever sobre os grandes temas

da humanidade. O amor, a morte, a justiça

e ...a manguaça!!!


ANO NOVO!


JÁ TINHAM BEBIDO todas. Saíram de braços dados do bar em direção ao bar vizinho. 

- Duas cachaças, Aleotério, por favor! 

A fala era arrastada, picotada, prejudicada. A marvada estava a fazer suas marvadezas.

— Cês já não beberam demais, não? Já sei que vieram do bar do Apolônio. Por que não vieram aqui primeiro? Agora cês já tão de manguaça e não aquentam mais bebê—, isso se ainda tiver dinheiro -  diz o dono do bar, seu Aleotério.

— No dia que Dom Pedro gritou "independência ou morte" e libertou os escravos, ele estava bebaço, Aleotério...

—  Não foi a princesa lá que libertou os escravos...???

—  Nada, ela só levou a fama...e nós ainda temos dinheiro sim...olha aqui! 

Tirou do bolso algumas notas amassadas. 

—  Não vou vendê mais nenhuma birita procês. Vou ligar pra tua mulher, Genival. Vai pra casa comemorar o ano novo com ela!

—  Aí, não, é jogo sujo, chute no saco, deixa a patroa do Genival fora disso, protestou o amigo Afonso.

—  Minha mulher é pior que o capeta chupando cana...liga pra ela não, Aleotério...vou tomá é uma coça porque ela marcou churrasco de ano novo às oito e já são quase uma da manhã e eu ainda estou aqui...não suporto o bando de cunhados que devem estar lá...Aliás, viva o ano novo!!

— Bem que merecia. Quase todo dia cês dois só sabem bebê, bebê e bebê. Inda mais em ano novo. E cês sempre vem prá cá por último...

—  O imperadô Nero da Austrália, que construiu a ponte Rio-Niterói também bebia...bebia muito....

—  Imperadô quem...? Aleotério, manda só uma rodada, por favor! 

Afonso olhou pro amigo Genival e protestou:

—  Mas só uma?

—  Já falei que praocês não vendo mais. Aliás, esse dinheiro toda amassado parece dinheiro de mendingo.

—   Recebi o benefício ontem! Dinheiro bom! Quando a presidenta Dilma criou o Real ela fez coisa muito boa porque a merda daquele cruzeiro e cruzado era tudo lascado, não valia nada...Aleotério, manda uma garrafa de 51, aliás, muito apreciada pelo nosso presidente!

— O Bolsonaro?

— Dêxa de ser burro, Afonso, o Bolsonaro tá preso! O presidente é o careca...o tar de Moraes!


O  ano novo prometia.






JOSELINO BARBACENA

  Joselino Barbacena foi um personagem vivido por  Antonio Carlos Pires, criado em parceria com Chico Anysio que satirizava em forma de pro...