Clube de Detetives Pão de Queijo

sexta-feira, 28 de março de 2025

Meu Pet Bebê

 VOCÊS TÃO LIGADOS  nessa onda atual mas que vem de longe, de considerar animais domésticos como "Bebê". Meu bebê pra lá, meu bebê pra cá. Não sei se Freud explica mas acho que deve haver uma boa explicação psicanalista para essa dependência emocional que muita gente hoje tem com bichos e em muitos casos, em oposição ao convívio com gente. Sempre convivi e gostei de animais, principalmente cachorros. Na minha vida sempre houve um Totó em casa, desde a infância. Ah, alguém que tem "Pet Bebê" deve ficar ofendido de eu generalizar os bichos com o nome "Totó", nome genérico muito usado na antiguidade para todo tipo de cachorros. Nome de bicho hoje é outro nível. Conheci uma dona cujo nome da cachorrinha era "Stefanny" - assim mesmo, com dois enes e ipsolon no final. Chique pra caramba. No meu tempo de criança cachorro era Totó ou Rex, em sua maioria. Meu pai teve um pastor alemão misturado (vou contar sobre ele brevemente) que se chamava "Leão" e o nome condizia com o tamanho e atitudes. 

Houve tempo de eu ter cinco cachorros aqui em casa. Era uma zona cachorral incrível...meu sogro, aquele que me chamava de "Edualdo" não era chegado aos bichos. Contava que um cachorro tinha lhe mordido e seu destino foi o cemitério. No caso, um rio que passava perto da casa. Falando nisso, hoje tem hotel pra Pet, plano de saúde pra Pet, cemitério pra Pet, roupas para Pet, festas de aniversário para Pet. Tem muita gente por aí querendo levar uma vida de cão...Eu brinco e dou atenção aos meus três cachorros, dois viralatas (ops, olha o politicamente correto!!!! O nome agora é Raça Não Definida) e um labrador babão mas eles não são "meus filhos", eles são meus cachorros. Aliás, não pode mais dizer "eu sou dono de cachorro", não é politicamente correto, e sim, "eu sou tutor de cachorro" - mas o cachorro tá cagando e andando se tu é dono ou tutor. Os três não se dão. Se matam em rosnadas, patadas e mordidas se ficarem juntos. Assim, um fica no quintal de baixo e os outros dois ficam na varanda de cima. 

Quase não me contive quando vi na rua uma mulher levando um cachorrinho que usava sapatinhos...Ahh gente, que bonitinho...!!! Coisa nenhuma! Estão mudando a natureza canina com toda essa baboseira capitalista, no final das contas. Sim, olha quanto se gasta pra deixar o Pet bem tratado e alimentado! E como se não bastasse, dá beijo na boca do bicho e chamá-lo de "meu bebê"? Não dá, né? Desculpe-me se você é pai/mãe de Pet, não quero ofender mas talvez, já ofendendo...E pior, sempre que vejo esses Pets mais bem tratados do que muita criança pobre por aí, sempre me vêm à memória a debochada e crítica canção de Eduardo Dusek, "Rock da Cachorra" já lá nos idos de 1982.


E pro deleite de vocês, consegui tirar uma foto ruim do Simba e do Loki (olha os nomes...). Estavam ferrados no sono já que na madrugada ficam me acordando latindo pra qualquer barulho que ouvem. Não fotografei o Tor porque eu tinha que descer e procurá-lo lá no quintal e estou com preguiça. Tô pensando seriamente de trocar os três por uma tartaruga que dá menos despesas.






quarta-feira, 26 de março de 2025

SITUAÇÃO CRÔNICA!

 

O BRASIL está fadado a andar sempre pra trás. O bom no Brasil é que não tem marasmo, tem sempre alguma coisa interessante acontecendo. Brasil, país do futuro! O futuro tá correndo rápido demais e nós atrás...A política brasileira então, é sempre dinâmica, alvissareira, criativa, retumbante. Tal qual o brado do Hino.

A mídia alvoroçada. Julgamento do Bolsonaro e sua trupe. Advogados de defesa e um dos ministros julgadores, apontando falhas técnicas no processo. As mesmas falhas que levaram a anular a condenação do atual presidente. Descondenado é como chamam por ai. Que está no Japão junto com uma penca de políticos e com Janja-Sacode-As- Cadeiras-E-Manda-Elon-Se-Fuder. 

Ele precisa agradar, popularidade em queda, ano que vem, eleição. E tome dinheiro pra bolsa aquilo, bolsa isso, bolsa bolsa bolsa bolsa bolsonaro...cadê a bolsa pra cronista amador desenvolver seus talentos? Olha a cultura, presidente, olha a cultura...!!!

Quem lembra da festança da Zélia bloqueando a poupança de todo mundo e o Caçador de Marajás gritando com punho em riste que só tinha uma bala para matar o tigre da inflação?  E toma alta de juros! Mas o problema era o Campos Neto, que jogava contra o governo? 

Ah, Brasil, meu Brasil brasileiro...meu mulato inzoneiro..vixe Maria e José e Sandy e Júnior, que não pode mais falar hoje em dia "mulato" senão alguma ONG antirracista vem me cagoetar pro  Moraes. Guardião da nossa democracia relativa. Aliás, a palavra inzoneiro significa  enganador, trapaceiro, ardiloso...

Brasil, mostra tua cara! Brasileiras, pintai de baton nossas estátuas! Brasileiros de camisa amarela rezemos pra Deus e Malafaia, cadê o golpe que não veio? Faiô? 

O legado do Capitão foi isentar jet ski de imposto. Eu comprei dois e uso muito no rio aqui perto de casa! Do Barba foi a tomada de três pinos. Rá rá rá rá. Piada livremente inspirada no Ciro-Veja-Bem.

O legado de Figueiredo foi inflação alta. Sarney, hiperinflação. Itamar, se deixar fotografar ao lado de um mulher sem calcinha no carnaval. Atrás do Trio Elétrico só não vai quem já morreu...NOTA DEZ! NOTA DEZ! FHC, a compra de votos no Congresso. Lulinha inaugurou o Paz e Amor e depois seguindo FHC, comprou todo mundo, fez mensalão petrolão no Brasil é assim tudo ÃO ÃO ÃO.  Sítio de Atibaia deixa que a empreiteira de um amigo meu faz as reformas. Eu não sou coveiro, deixa de ser maricas, tem que enfrentar de cara aberta o Corona vírus! Tomara que chova três dias sem parar... o sol estava quente e queimou a nossa cara...alalá Ô Ô Ô...O CARNAVAL NINGUÉM NOS TIRA!!!!

Pois sim, 

Inspirado pelas emanações celestiais de Paulo Cézar Farias e Dorival Caymmi, compus gentis versos:


O Brasil é a esquizofrenia da repimboca da parafuseta

Descontrolada e magnânima.

O Brasil é um surto. É um furto. É um luto.

O Brasil é uma roupa tosca que não combina

E pra cerejar o bolo, perdeu de quatro ontem para a Argentina!

Nem falei da Caçadora de Ventos presidentA do banco dos BRICS que já tem tanto membro entrando (sem dupla intenção, por favor) que vai ter que virar sigla LGBTRFDETUYVXXX mais mais mais. Será que fui fóbico? Vou deixar como está. Valha-me patriota agarrado no para-choque do caminhão!!!!

NÃO NÃO NÃO NÃO NÃOOOOOO!!!!!!

Valha-me meu bom Senhor dos Aflitos e desanimados!! Valha-me meu Bom Senhor dos Patriotas Incansáveis, porque estou maldizendo este país tão lindo quando visto de cima?




sexta-feira, 21 de março de 2025

Fazer 80 anos

 


(crônica de RAQUEL DE QUEIROZ de 17/11/1990)


O QUE ME DIZEM com mais frequência é: "oitenta anos, quem me dera, com tanta vitalidade!". E a verdade é que não estou com essa bola toda, tenho lá meus achaques, vários. Em todo caso é mesmo um milagre de durabilidade este nosso corpo humano. Uma combinação aparentemente precária de músculos, ossos, nervos, vísceras, pele, que tinha tudo para não dar certo, e no entanto funciona ininterruptamente durante 80, 90, e às vezes passando dos 100 anos! As pernas, ainda serviçais, 80 anos cada uma! O sofrido coração, quantas vezes terá batido - milhões, bilhões de vezes? - nestas oito décadas sem interrupções, sem fadiga, tum-tum, tum-tum, consciencioso, fiel? E os pulmões, tocando os seus foles, na batida do coração, querendo competir com ele. E a cabeça meio louca, coitada, fazendo o que pode.

Um aparelho de TV é cem mil vezes menos complicado e vive dando prego. Mas o corpo da gente não. Trasteja, bate pino, se fere, enfrenta micróbio, fratura, desgaste, mas vai em frente. É mesmo um prodígio. Mas como dói" Aliás, a dor é o seu melhor sinal de vida. Só não dói depois de morto. Dói por dentro, dói por fora, emite invisíveis antenas por todo ele, procurando captar a dor - ou as dores.

E a alma? Embora muitos não acreditemos que ele seja movido a alma, como dói, ah, como dói também essa controvertida essência do corpo! 

Pois todo esse inventário de obstinações e misérias somos nós, com os nossos 80 anos de vida. Se empurrando, se medindo, lutando acordado ou dormindo para não parar de repente, pra não perder o famoso lugar ao sol. Gritando pra ser notado. Pente fiel de rebanho  ao mesmo tempo fazendo coisas incríveis para marcar uma identidade pessoal, um destaque. Uma superioridade! 

Quem quiser que goste. Eu não. Nunca fui fanática por esse ciclo de prantos e lutas que começa num grito de choro e termina num suspiro. O temido último suspiro. Embora a gente se iluda, pensando que monitora o próprio destino e comanda as suas ambições, na verdade somos um engenhoso, um resistente robô que Deus cria e apaga não se sabe por quê. Nem pra quê. A gente nasce sem ter ideia disso e em geral morre quando não espera ou quando não deseja. Se vinga das partidas do destino gerando filhos que perpetuem a nossa passagem, com um nome, memórias, amor e saudade. Tudo absolutamente ilusório, mas já é um lugar-comum dizer que a vida, suas glórias, suas conquistas, sua bravura e miséria, é tudo uma ilusão.

A gente vive um sonho de carne e osso que acaba no acordar que é a morte.

É isso aí.

Aos que me festejaram, abraçaram, felicitaram, telefonaram, escreveram, telegrafaram, agradeço de coração as palavras de carinho e de solidariedade. E, principalmente, peço perdão por este desabafo meio incoerente.

Mas, eu tinha o direito a ele. Afinal, fui eu que fiz 80 anos!


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A escritora Rachel de Queiroz morreu em 4 de novembro de 2003, aos 92 anos, no Rio de Janeiro. Ela é considerada uma das vozes mais importantes da literatura brasileira do século XX e uma das maiores autoras da segunda geração modernista no Brasil. Autora de destaque na ficção social nordestina, foi a primeira mulher a ingressar na Academia Brasileira de Letras, em 1977.

A trajetória de Rachel de Queiroz na literatura começou cedo, quando ainda era adolescente, com a publicação de seu primeiro romance, "O Quinze", em 1930. O livro trata da seca no Nordeste brasileiro e suas consequências sociais, e é um retrato contundente das condições de vida na região. Com essa obra, Rachel ficou nacionalmente conhecida, conquistando um lugar de destaque na literatura brasileira.

Sou muito fã de tudo que Raquel escreveu, suas crônicas e romances. E para mim, seu romance Memorial de Maria Moura é uma obra-prima. 


Meu Pet Bebê

 VOCÊS TÃO LIGADOS   nessa onda atual mas que vem de longe, de considerar animais domésticos como "Bebê". Meu bebê pra lá, meu beb...