O NOSSO CONHECIDO jeitinho do "toma lá dá cá", me parece, começou cedo, antes mesmo de haver Brasil. Serei leviano em dizer que herdamos esse jeitinho que hoje é tão nosso dos colonizadores portugueses?
Senão, vejamos.
Todo mundo conhece ou já ouviu falar (mesmo sem ter lido) a famosa carta que Pero Vaz de Caminha escreveu ao Rei D. Manuel I em 1500, informando da recente descoberta (ou invasão para os anticolonialistas), do que é hoje, Porto Seguro, Bahia, Brasil. Como também é sabido (ou não), Pero Vaz era o escrivão da armada portuguesa chefiada pelo famoso Pedro Álvares Cabral, nosso descobridor ou invasor, conforme queiram. Ele era responsável por registrar oficialmente os acontecimentos da viagem. Podemos dizer que foi o primeiro cronista que pisou nestas terras abençoadas por Deus. Ele escreveu suas impressões sobre os nativos e sobre a terra que acertadamente, observou que "Nela, em se plantando, tudo dá".
Mas ao final da sua carta, Pero Vaz muda totalmente de assunto e deixa registrado ao Rei um pedido puramente pessoal e familiar: Ele solicita o perdão e o retorno do seu genro, Jorge de Osório, que estava exilado (degredado) na Ilha de São Tomé por ter roubado uma igreja e agredido um clérigo. Será que em troca do trabalho de cronista ele procurou emplacar um favor real de volta? Olha que bom trabalho eu fiz, ó rei Manuel, quebra esse galho pra mim?
O trecho exato diz:
"E pois que Senhor, é certo que tanto neste cargo que levo como em outra qualquer coisa que de Vosso serviço for, Vossa Alteza há de ser de mim muito bem servida, a Ela peço que, por me fazer singular mercê, mande vir da ilha de São Tomé a Jorge de Osório, meu genro — o que receberei em muita mercê."
Eu acredito que o Rei Manuel pode ter atendido ao pedido de Pero Vaz, mas não há registros históricos para confirmar. Coisas do Destino, o escrivão morreu quando estava em combate na Índia, apenas sete meses após escrever a famosa carta. Parece que o seu genro, Jorge de Osório ficou mofando na cadeia.
* * *
Dissecando a história em pequenos detalhes para uma autópsia do caráter do brasileiro e português com pitadas de humor e ironia, que nos levam à reflexão. E, assim, vamos tirando lições deste roçado e da emaranhada carta de Pero Vaz...
ResponderExcluirUm abraço, Eduardo!
A nossa história é cheia dessas surpresas. Adorei o post.
ResponderExcluirBoa semana!
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Até mais, Emerson Garcia
A certidão de batismo do Brasil registrou também a sina de país de trambiqueiros e espertalhões.
ResponderExcluirUma carta é uma forma íntima de comunicação, capaz de transmitir sentimentos, pensamentos e memórias. Escrever ou receber palavras assim fortalece laços, aproxima pessoas e preserva recordações de forma especial.
ResponderExcluirBeijinhos,
Daniela Silva 🩷
Alma Leve
Estou a navegar pelos mares de Pero Vaz de Caminha, cantando feliz com meus alunos, por anos, muitos anos a nossa "História" e desenhando o mar com as caravelas, índios espreitando, coqueiros nas laterais e eu orgulhosamente depois os penduravas em varaiszinhos de barbantes pelas paredes e éramos tão angelicais, de verdade mesmo! Quanta história minha, nem lhe conto, mas valeu sua crônica e valeu a lembrança! Santa Semana Santa!
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