sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

Sensibilidades Genéticas

 


Nem queria mais voltar ao tema da crônica anterior, mas preciso só fechar um assunto.


Existe uma diferença entre homens afeminados héteros e homens sensíveis, héteros ou não. Sobre os afeminados já escrevi antes, mas preciso falar dos homens sensíveis, pois eu mesmo sou um dos tais...

Sou a junção genética de uma mãe de alma de artista; cantava, compunha, escrevia poemas e tinha uma sensibilidade à flor da pele e de um pai durão, firme em suas convicções, que não achava graça em quase nada e que eu só vi chorando quando me ligou noticiando que minha mãe tinha falecido. 

Então vejo em mim partes desses duas criaturas abençoadas escolhidas não sei por quem ou o quê para serem meus genitores.

Posso ter momentos de dureza impositiva (muitas vezes exageradas) ou momentos de pura sensibilidade. Sou capaz de escrever um conto com muita violência ou um poeminha singelo sobre uma flor desabrochando ou uma crônica engraçadinha mas ordinária.

Aprecio homens sensíveis. Homens que choram. Homens que tem sua masculinidade segura e não liga para serem sempre "o machão", mesmo porquê, o tempo dos machões à moda antiga já passou. Ou deveria ter passado.

Então, nunca fui um machão típico como meu pai foi. Cuidei do meu filho a partir dos 7 meses para que a mãe voltasse a trabalhar, já que eu  estava reformado da Marinha quando ele nasceu. A maior parte do dia ele ficava comigo. Às vezes lamentei em não ter sido pai mais jovem, mas ao mesmo tempo, me vejo agradecendo à vida ou a Deus ou ao Destino, dele ter nascido em um momento em que eu não precisava mais trabalhar. 

Meu trabalho foi ver ele crescer, lhe ensinar coisas, brincar com ele até cansar. Que pai hoje em dia pode se dar a esse luxo?  Vejo nele também essa dualidade genética, talvez herdada também do avô?

Eu já lhe disse que homem chora. Que homem lava louça, varre casa, lava roupa, mas também faz aqueles serviços mais pesados, serviços que um homem não deixa uma mulher fazer por puro instinto masculino de saber-se mais forte e querer poupar a mulher do esforço - ainda que ela conseguisse fazer tão bem a coisa quanto um homem. Se ela não for uma feminista radical, vai se sentir privilegiada. E pra ele ter cuidado num futuro próximo com as feministas radicais...

Gente, eu chorei vendo Titanic... pode? 


Termino lembrando dos versos do Roberto Carlos.


Ama, independente da moda

Macho mas não se incomoda

De ser um doce com sua mulher...


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14 comentários:

  1. Acho que a sensibilidade seja em homens ,seja em mulheres, é motivo de orgulho. Ninguém quer ai seu lado pedras em forma de gente....
    Lindo fds e continua sendo capaz de te emocionar, chorar...Faz bem! abração, chica

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  2. Eu tinha 22 anos na primeira vez em que eu me permiti chorar. Era o velório de minha avó. Saiu um choro espasmódico, inesperado (que meu pai tentou impedir, pois para ele chorar em enterro de familiares era totalmente inadequado. Coitado...). Depois disso me libertei e virei um chorão da melhor qualidade (ultimamente, então...). O grande drama está nas certezas abolutas, no radicalismo. Ensine a seu filho para ter cuidado não só com as feministas radicais, mas com qualquer radical. Como disse o Belchior, "viver é melhor que sonhar". E seu filho terá sempre ótimas lembranças de um pai sensível mas, principalmente, muito presente. Abração.

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  3. Oi, Eduardo! Atualmente, muito se fala sobre os rótulos e estereótipos que a sociedade impôs a homens e mulheres. No entanto, é importante lembrar que essas questões já existiam no passado, só que sem a mesma atenção que recebem hoje. Acredito que ser pai ou mãe nos dias de hoje é mais desafiador do que antigamente. Cuidar de uma criança nunca foi uma tarefa fácil, certo? Eu não sou pai e nunca poderei ser, pois sou estéril desde o nascimento. Para muitos, porém, ser pai ou mãe é um grande sonho. Pessoalmente, acho muito bonito ver pessoas assumindo esse papel. Abraço!

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  4. Ei Edu,
    Hoje passando para ler aqui,
    por onde passo hoje e amanhã
    eu leio sem comentar os assuntos.
    e para deixar meu desejo
    de que você e sua família tenham
    um final de semana incrivel!
    Bjins e Abraço
    CatiahôAlc.

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  5. Amigo Eduardo, boa tarde de paz!
    Sim, os sensíveis tem lugar de honra no mundo feminino.
    Chorar é típicos das pessoas bem resolvidas.
    Tenha dias abençoados!
    Abraços fraternos

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  6. Olá, Eduardo
    Um texto lindo, sensível e humano.
    A sensibilidade fica bem em todos, seja homem ou mulher.
    Antigamente a educação dos rapazes era no sentido de
    que o homem não chora, de que tinha de ser forte e machão.
    Essa educação que vinha corroborar a "fraqueza" e a menoridade
    das mulheres e que até hoje, apesar das lutas levadas a
    efeito, ainda estão para durar. A mudança de mentalidades é
    premente e que todos nós tenhamos a convicção de que ela
    é necessária e sem fanatismos.
    Uma boa semana lhe desejo.
    Abraço
    Olinda

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  7. Um post interessante, onde se mostra sem qualquer receio.
    Não sabia que esteve na Marinha. Eu trabalhei no setor naval e estive no RJ para uma reunião com a Marinha, creio que em 2010, para apresentar projetos (com a inclusão do Apoio Logístico Integrado, usado na NATO) que poderiam interessar a ambas as partes. Estava tudo a encaminhar-se bem, mas a saída de Lula em 2011 comprometeu tudo.
    Boa semana.
    Um abraço.

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  8. Também sou bem sensível e emocional.

    Boa semana!

    O JOVEM JORNALISTA está no ar cheio de posts novos e novidades! Não deixe de conferir!

    Jovem Jornalista
    Instagram

    Até mais, Emerson Garcia

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  9. Edu,
    Voltei para comentar, então,
    eu detesto que a sociedade seja
    tão rotulista. Somos todos gente.
    Não importa de seres suaves ou
    mais abrutalhados, somos gente
    e ao longo da vida passamos por várias
    fases e vamos aprendendo quer
    queiramos ou não. Hpje quando digo
    nos grupos que participo, que sou mulher
    bancada, me olham torto e as vezes eu
    explico: optei por parar de trabalhar
    para cuidar dos meus filhos, e o trabalho
    do meu marido sempre nos sustentou.
    Voltei a trabalhar fora já quando eles eram
    adultos e independentes e não me arrependo
    porque tive as mesmas possiblidades que você
    e hoje quando tentam me prender com as netas,
    eu digo: Já criei o pai delas, e sem sofrimento
    digo meus Nãos. Se homens ou mulheres, o imporante
    é ser gente que sabe bem como o ser.
    òtimo esse seu artigo complentar.
    Bjins
    CatiahôAlc.

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  10. Muitos homens não querem ser sensíveis e acho uma pena, Eduardo feliz terça-feira bjs.

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  11. Dudualdo!
    Texto muito bom.
    Eu me identifico com ele.
    Sou chorão também.
    Choro em filmes tão bobos... Choro em final de livros e até em crônicas bem escritas.
    Minha esposa dá risada.
    Também nunca fui o machão que chega e arrebenta e quer se impôr.
    A não ser jogando futebol, que parece que tem uma magia maluca e deixa a gente mais neanderthal.

    Muito bom!
    Gostei.

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  12. Querido Eduardo,

    Seu texto é um sopro de lucidez num tema que ainda carrega tantos rótulos, preconceitos e caricaturas. Você escreve com coragem ao assumir essa dualidade firmeza e sensibilidade como algo natural, bonito e profundamente verdadeiro.

    Achei especialmente tocante quando você fala da herança afetiva dos seus pais. Ali o texto ganha força. Somos mesmo esse encontro de histórias, temperamentos e memórias emocionais que nos moldam sem pedir licença. E reconhecer isso é sinal de maturidade emocional.

    Sua experiência como pai é, para mim, um dos pontos mais fortes da crônica. Cuidar, estar presente, educar pelo exemplo, ensinar que homem também chora, cuida da casa, abraça e sente isso é revolução silenciosa. Não aquela barulhenta das redes, mas a que transforma gerações dentro de casa.

    E confesso que sorri com o Titanic… porque ali você sensibiliza ainda mais essa masculinidade que não tem medo de sentir. Sensibilidade não diminui ninguém amplia.

    Seu texto não defende um “novo homem” artificial, mas o homem inteiro: aquele que trabalha, protege, sente, ama, erra, aprende e se reconstrói. Isso é bonito de ler e necessário de ser dito.

    Obrigada por essa partilha honesta, afetiva e consciente.

    Um abraço fraterno,
    Fernanda

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