quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

Gênio Aposentado

 




Vinha andando, assobiando uma música dos Ramones, quando encontrei uma lâmpada daquelas das histórias de Aladim! Peguei a lâmpada e fiz o que manda o figurino: Esfrequeia-a.

Claro que o gênio, numa fumaça preta, saiu de lá de dentro. Se espreguiçou levantando os braços e emitindo um "ahhhhh"... me encarou e disse:

 —  Até que enfim! Não aguentava mais dormir, acordar, dormir....sem uma saidinha.

 —  Cacete....!! Tu é um gênio mesmo?

 —  Não, sou a Cleópatra...

 Encontrei um gênio sarcástico. Olhou em volta tentando se localizar.

 —  Que lugar é esse?

 —  Copacabana, Rio de Janeiro, Brasil, América do Sul...

—  Tá, tá, já entendi. A última vez que sai da Lâmpada foi em Bagdá....em que ano estamos? 

—  2026, depois de Cristo.

—  Depois de Cristo? Ou depois de Maomé? 

— Depois dos dois, seu gênio.

Sorriu feliz quando avistou a praia. Soltou uma gargalhada e começou a andar em direção às areias de Copacabana. Fui atrás.

— Ei, espera, e meus três pedidos?

— Hiii, isso já acabou faz tempo.

— Como assim, acabou?

— Me aposentei já tem mais de mil anos.

— Mas logo agora que eu te encontro? Que azar! Não dá pra abrir uma exceção?

— Nem que eu quisesse. Meus poderes já se extinguiram, estou aposentado, como já disse; só esperava a hora de alguém me libertar de vez para eu curtir minha aposentadoria! Muito obrigado.

Deu as costas e foi embora. Fiquei lá, olhando o sujeito ir andando todo serelepe em direção ao mar. Eu com a lâmpada na mão. É muito azar, pelo menos eu poderia ter libertado a Jeannie, adoraria ir à praia com ela.







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homenagem às histórias de gênios e às histórias de Jeanie e da Feiticeira que eu amava assistir quando adolescente.


quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

Pérolas do ENEM

 





Nós, brasileiros, somos unânimes em dizer que nossa educação pública é ruim. Para não colocarmos tudo na mesma cesta (ou seria sesta...??), reconhecemos que há colégios públicos de primeira grandeza, mas esses só estão disponíveis para quem consegue  uma boa classificação em exames exigido pela instituição. Sonhamos com o dia em que nossas escolas públicas de periferia sejam tão boas quanto um colégio  Pedro II (RJ),  Colégio de Aplicação da Universidade Federal de Viçosa (UFV) (MG), os colégios militares e poucos outros. 

Corre por aí textos que teriam sido escritos por alunos que prestaram o exame do ENEM e que são coisas totalmente disparatadas e até, engraçadas. E se é engraçada, me interessa. 

Vejamos algumas:


O calor é a quantidade de calorias armazenadas numa unidade de tempo.

O Ateísmo é uma religião anônima.

A floresta está cheia de animais já extintos. Tem que parar de desmatar para que os animais que estão extintos possam se reproduzirem e aumentarem seu número respirando um ar mais limpo.

A ciência progrediu tanto que inventou ciclones como a ovelha Dolly.

Os dois movimentos da Terra são latitude e longitude.

Ângulo é duas linhas que vão indo e se encontram.

A alimentação é o meio de digerirmos o corpo.

Lenini e Stalone eram grandes figuras do comunismo na Rússia.

povo quer coisas simples, sem muita luxúria.

A finalidade das Cruzadas era passear pelo deserto em busca de aventuras.


E por aí vai.

Não sei até que ponto isso é verdade ou se não passa de piadas, mas conhecendo o nosso sistema público de ensino, eu diria que essas afirmações são totalmente compatíveis e possíveis com nossa realidade educacional. 

sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

Sensibilidades Genéticas

 


Nem queria mais voltar ao tema da crônica anterior, mas preciso só fechar um assunto.


Existe uma diferença entre homens afeminados héteros e homens sensíveis, héteros ou não. Sobre os afeminados já escrevi antes, mas preciso falar dos homens sensíveis, pois eu mesmo sou um dos tais...

Sou a junção genética de uma mãe de alma de artista; cantava, compunha, escrevia poemas e tinha uma sensibilidade à flor da pele e de um pai durão, firme em suas convicções, que não achava graça em quase nada e que eu só vi chorando quando me ligou noticiando que minha mãe tinha falecido. 

Então vejo em mim partes desses duas criaturas abençoadas escolhidas não sei por quem ou o quê para serem meus genitores.

Posso ter momentos de dureza impositiva (muitas vezes exageradas) ou momentos de pura sensibilidade. Sou capaz de escrever um conto com muita violência ou um poeminha singelo sobre uma flor desabrochando ou uma crônica engraçadinha mas ordinária.

Aprecio homens sensíveis. Homens que choram. Homens que tem sua masculinidade segura e não liga para serem sempre "o machão", mesmo porquê, o tempo dos machões à moda antiga já passou. Ou deveria ter passado.

Então, nunca fui um machão típico como meu pai foi. Cuidei do meu filho a partir dos 7 meses para que a mãe voltasse a trabalhar, já que eu  estava reformado da Marinha quando ele nasceu. A maior parte do dia ele ficava comigo. Às vezes lamentei em não ter sido pai mais jovem, mas ao mesmo tempo, me vejo agradecendo à vida ou a Deus ou ao Destino, dele ter nascido em um momento em que eu não precisava mais trabalhar. 

Meu trabalho foi ver ele crescer, lhe ensinar coisas, brincar com ele até cansar. Que pai hoje em dia pode se dar a esse luxo?  Vejo nele também essa dualidade genética, talvez herdada também do avô?

Eu já lhe disse que homem chora. Que homem lava louça, varre casa, lava roupa, mas também faz aqueles serviços mais pesados, serviços que um homem não deixa uma mulher fazer por puro instinto masculino de saber-se mais forte e querer poupar a mulher do esforço - ainda que ela conseguisse fazer tão bem a coisa quanto um homem. Se ela não for uma feminista radical, vai se sentir privilegiada. E pra ele ter cuidado num futuro próximo com as feministas radicais...

Gente, eu chorei vendo Titanic... pode? 


Termino lembrando dos versos do Roberto Carlos.


Ama, independente da moda

Macho mas não se incomoda

De ser um doce com sua mulher...


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sábado, 10 de janeiro de 2026

Héteros Afeminados

 





Estava vendo outro dia um humorista chamado Leandro Leitte que faz um stand up sobre "homens afeminados". Conta que todo mundo acha que ele é gay, por ser muito sensível, por ter um jeitinho assim, delicado, meio afeminado. Então ele diz jocosamente querer dar voz a essa minoria esquecida e que sofre preconceitos: Os homens héteros afeminados. Sua própria namorada acha que ele é gay, conta. Perguntada então por quê ela namora com ele,  sua resposta foi que se não der certo, eles podem continuar amigas...

Pois então, esse é mesmo um assunto delicado. Eles existem. Os homens héteros delicados demais. Você deve conhecer um. Eu conheço e tenho amizade com um  há uns 20 anos. Jamais o vi com uma namorada. Mora com a mãe. É professor de francês. Tem gestos suaves e delicados. Fala manso, até com biquinho. Mas ele não é gay. Particularmente, depois de tantos anos, ainda tenho minhas dúvidas. E não que isso seja problema. Meu padrinho de casamento é um gay bem gay. Divertidíssimo.

Mas o barato da coisa é que existe um monte de homens gays brutos e nada delicados. Já viu aquela figura máscula, cheia de músculos protuberantes, aquela barbona bem tratada, aquela voz potente de homem com H? Gay...quem diz?

E tem a teoria moderna de que homem muito macho na verdade está escondendo sua real natureza sexual: gay...como se dizia antigamente, uma bichona. Acho que bichona não é mais pejorativo, pois as bichonas tomaram para si o termo e ele foi domesticado. As bichas se chamam de bichas numa boa. Parecido com os nerds que eram chamados pejorativamente de nerdolas e tomaram pra si o termo e hoje têm orgulho de se dizerem nerdolas. 

Voltando aos homens afeminados, não sei se já é o resultado da militância extremista feminista que está em plena guerra contra os homens machos e contra os filhos. Outro dia estava lendo um livro com esse título: "Contra os Filhos". Elas dizem que os machos precisam se descontruir e abraçar o feminismo militante com unhas e cílios. Os adeptos homens à seita são chamados lindamente de feministos. 

Elas não querem só derrubar o patriarcado , querem destruir a macheza... Essa mudança está em pleno vigor. Quem já não viu um filme recente onde mulheres são fodonas, batem em homens duas vezes maiores que elas, estão sempre comandando uma grande empresa ou são as chefes do grupo militar tático de ação? E o mais engraçado é que tentaram tanto destruir o jeito masculino de ser e estão se tornando aquilo que criticavam: mulheres machos. 

Bem, apesar que essas já existiam na boa música de Gonzagão, paraiba masculina mulher macho sim, senhor... 

Sou do tempo em que menino não brincava de boneca. Que menino era ensinado a falar grosso, ter atitudes de homens. Isso incluía respeitar e proteger as mulheres. Isso hoje é condenável. Aliás, até as leis hoje são feitas contra os homens em favor das mulheres. Já tem lei aí à pouco aprovada que se um homem interromper enfaticamente a fala de uma mulher ele pode ser processado e condenado.

O que as mulheres feministas fodonas mais têm prazer em dizer é que "não precisam que um homem as protejam". Isso é lindo! De cinco filmes que assisto hoje em dia, no mínimo três tem uma cena onde uma mulher diz para um homem "não preciso que me proteja". Vi uma cena em que uma mulher era atacada por um maníaco que a queria estuprar. Ele a derruba no chão e se senta em sua barriga, dominando-a por completo. Um outro homem atira no maníaco e ele cai ao lado da mulher. E a mulher, ao invés de dizer "muito obrigado" ela grita e esbraveja contra ele: "Eu não precisava da sua ajuda!".

Vai que não precisava mesmo.

Homens afeminados e mulheres machos. Coisa bem moderna e progressista. 


Volto ao assunto - talvez - na próxima semana.









sábado, 3 de janeiro de 2026

Manguaça

 



Este ano quero ser mais sério.

Quero escrever sobre os grandes temas

da humanidade. O amor, a morte, a justiça

e ...a manguaça!!!


ANO NOVO!


JÁ TINHAM BEBIDO todas. Saíram de braços dados do bar em direção ao bar vizinho. 

- Duas cachaças, Aleotério, por favor! 

A fala era arrastada, picotada, prejudicada. A marvada estava a fazer suas marvadezas.

— Cês já não beberam demais, não? Já sei que vieram do bar do Apolônio. Por que não vieram aqui primeiro? Agora cês já tão de manguaça e não aquentam mais bebê—, isso se ainda tiver dinheiro -  diz o dono do bar, seu Aleotério.

— No dia que Dom Pedro gritou "independência ou morte" e libertou os escravos, ele estava bebaço, Aleotério...

—  Não foi a princesa lá que libertou os escravos...???

—  Nada, ela só levou a fama...e nós ainda temos dinheiro sim...olha aqui! 

Tirou do bolso algumas notas amassadas. 

—  Não vou vendê mais nenhuma birita procês. Vou ligar pra tua mulher, Genival. Vai pra casa comemorar o ano novo com ela!

—  Aí, não, é jogo sujo, chute no saco, deixa a patroa do Genival fora disso, protestou o amigo Afonso.

—  Minha mulher é pior que o capeta chupando cana...liga pra ela não, Aleotério...vou tomá é uma coça porque ela marcou churrasco de ano novo às oito e já são quase uma da manhã e eu ainda estou aqui...não suporto o bando de cunhados que devem estar lá...Aliás, viva o ano novo!!

— Bem que merecia. Quase todo dia cês dois só sabem bebê, bebê e bebê. Inda mais em ano novo. E cês sempre vem prá cá por último...

—  O imperadô Nero da Austrália, que construiu a ponte Rio-Niterói também bebia...bebia muito....

—  Imperadô quem...? Aleotério, manda só uma rodada, por favor! 

Afonso olhou pro amigo Genival e protestou:

—  Mas só uma?

—  Já falei que praocês não vendo mais. Aliás, esse dinheiro toda amassado parece dinheiro de mendingo.

—   Recebi o benefício ontem! Dinheiro bom! Quando a presidenta Dilma criou o Real ela fez coisa muito boa porque a merda daquele cruzeiro e cruzado era tudo lascado, não valia nada...Aleotério, manda uma garrafa de 51, aliás, muito apreciada pelo nosso presidente!

— O Bolsonaro?

— Dêxa de ser burro, Afonso, o Bolsonaro tá preso! O presidente é o careca...o tar de Moraes!


O  ano novo prometia.






O ATOR, O PRESIDENTE E O IRMÃO DO ATOR

  No século 19, Edwin Booth era considerado o melhor ator dos Estados Unidos. Era uma verdadeira lenda. Podemos dizer que Edwin era o George...