sábado, 10 de janeiro de 2026

Héteros Afeminados

 





Estava vendo outro dia um humorista chamado Leandro Leitte que faz um stand up sobre "homens afeminados". Conta que todo mundo acha que ele é gay, por ser muito sensível, por ter um jeitinho assim, delicado, meio afeminado. Então ele diz jocosamente querer dar voz a essa minoria esquecida e que sofre preconceitos: Os homens héteros afeminados. Sua própria namorada acha que ele é gay, conta. Perguntada então por quê ela namora com ele,  sua resposta foi que se não der certo, eles podem continuar amigas...

Pois então, esse é mesmo um assunto delicado. Eles existem. Os homens héteros delicados demais. Você deve conhecer um. Eu conheço e tenho amizade com um  há uns 20 anos. Jamais o vi com uma namorada. Mora com a mãe. É professor de francês. Tem gestos suaves e delicados. Fala manso, até com biquinho. Mas ele não é gay. Particularmente, depois de tantos anos, ainda tenho minhas dúvidas. E não que isso seja problema. Meu padrinho de casamento é um gay bem gay. Divertidíssimo.

Mas o barato da coisa é que existe um monte de homens gays brutos e nada delicados. Já viu aquela figura máscula, cheia de músculos protuberantes, aquela barbona bem tratada, aquela voz potente de homem com H? Gay...quem diz?

E tem a teoria moderna de que homem muito macho na verdade está escondendo sua real natureza sexual: gay...como se dizia antigamente, uma bichona. Acho que bichona não é mais pejorativo, pois as bichonas tomaram para si o termo e ele foi domesticado. As bichas se chamam de bichas numa boa. Parecido com os nerds que eram chamados pejorativamente de nerdolas e tomaram pra si o termo e hoje têm orgulho de se dizerem nerdolas. 

Voltando aos homens afeminados, não sei se já é o resultado da militância extremista feminista que está em plena guerra contra os homens machos e contra os filhos. Outro dia estava lendo um livro com esse título: "Contra os Filhos". Elas dizem que os machos precisam se descontruir e abraçar o feminismo militante com unhas e cílios. Os adeptos homens à seita são chamados lindamente de feministos. 

Elas não querem só derrubar o patriarcado , querem destruir a macheza... Essa mudança está em pleno vigor. Quem já não viu um filme recente onde mulheres são fodonas, batem em homens duas vezes maiores que elas, estão sempre comandando uma grande empresa ou são as chefes do grupo militar tático de ação? E o mais engraçado é que tentaram tanto destruir o jeito masculino de ser e estão se tornando aquilo que criticavam: mulheres machos. 

Bem, apesar que essas já existiam na boa música de Gonzagão, paraiba masculina mulher macho sim, senhor... 

Sou do tempo em que menino não brincava de boneca. Que menino era ensinado a falar grosso, ter atitudes de homens. Isso incluía respeitar e proteger as mulheres. Isso hoje é condenável. Aliás, até as leis hoje são feitas contra os homens em favor das mulheres. Já tem lei aí à pouco aprovada que se um homem interromper enfaticamente a fala de uma mulher ele pode ser processado e condenado.

O que as mulheres feministas fodonas mais têm prazer em dizer é que "não precisam que um homem as protejam". Isso é lindo! De cinco filmes que assisto hoje em dia, no mínimo três tem uma cena onde uma mulher diz para um homem "não preciso que me proteja". Vi uma cena em que uma mulher era atacada por um maníaco que a queria estuprar. Ele a derruba no chão e se senta em sua barriga, dominando-a por completo. Um outro homem atira no maníaco e ele cai ao lado da mulher. E a mulher, ao invés de dizer "muito obrigado" ela grita e esbraveja contra ele: "Eu não precisava da sua ajuda!".

Vai que não precisava mesmo.

Homens afeminados e mulheres machos. Coisa bem moderna e progressista. 


Volto ao assunto - talvez - na próxima semana.









30 comentários:

  1. Querido Eduardo

    Gosto de ir fundo na minha leitura e já peço desculpa no tamanho dela tá?eu penso que:
    O texto cutuca feridas que não cicatrizaram e expõe, a confusão do nosso tempo. O texto não fala apenas de homens afeminados ou mulheres machonas, fala de rótulos, de medos e de uma sociedade que parece ter perdido a capacidade de conviver com a diversidade sem precisar transformar tudo em guerra.

    No texto, há uma inquietação legítima: a de que estamos trocando o diálogo pela caricatura. O masculino vira sinônimo de opressão, o feminino de fragilidade ou, no extremo oposto, de força agressiva. E no meio disso, pessoas reais, complexas, contraditórias, vão sendo esmagadas por expectativas que não pediram para carregar.

    Quando você fala dos homens delicados, talvez o incômodo não seja a delicadeza em si, mas o quanto ainda precisamos classificar o outro para nos sentirmos seguros. Como se sensibilidade tivesse endereço sexual. Como se gentileza ameaçasse a masculinidade. Como se força precisasse sempre de brutalidade para ser reconhecida.

    O texto também revela uma nostalgia, não exatamente do passado, mas de um tempo em que os papéis pareciam mais claros. O problema é que clareza demais, muitas vezes, vinha acompanhada de silêncios forçados, dores engolidas e identidades reprimidas. Nem tudo que era simples era justo.

    Por outro lado, há exageros do presente que cansam. A militância que não escuta, o discurso que não admite nuances, a ideia de que proteger virou crime e de que ser homem é, por definição, suspeito. Quando tudo vira extremo, a humanidade some.

    Talvez a reflexão mais honesta que o texto provoca seja esta: não estamos preparados para lidar com a liberdade do outro. Nem do homem sensível. Nem da mulher forte. Nem do gay másculo. Nem do hétero delicado. Queremos encaixar, rotular, explicar, controlar.

    No fundo meu amigo, o que assusta não é o homem afeminado ou a mulher machona. O que assusta é um mundo onde as fronteiras antigas caíram e ainda não aprendemos a atravessar as novas com maturidade.

    Entre o passado engessado e o presente barulhento, talvez esteja faltando só isso: menos tese, menos guerra, menos performance… e mais gente sendo gente, do jeito que consegue ser.
    Gostei muito do seu texto

    Abraço
    Fernanda

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    1. Entendo perfeito sua crítica ao "rotular" mas é impossível não "definir" as coisas, ainda que as definições nunca sejam absolutas.

      obrigado pelo lúcido comentário

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  2. Oi, Eduardo! Assunto polêmico, não? Pelo andar da carruagem os homens serão impedidos de estar num mesmo ambiente com as mulheres. É provável que num futuro não muito distante se às coisas continuarem do jeito que estão haver a separação entre os sexos pra evitar a colisão de ideias e o confronto da agressão física entre homem e mulher. Triste, não? De todo modo os tempos mudaram e mudará ainda mais daqui pra frente. Antes a mulher era tida como o sexo frágil e oprimido, hoje é o oposto. E como sabemos em geral o homem tem enorme dificuldade de adaptação e isso acaba por assustar grande parte dos homens em geral. Isso porque não estou falando de homem afeminado, ou homem machão, estou a falar do homem comum contemporâneo sem estereótipos e rótulos. Abraço!

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    1. sim, os homens passam hoje pela maior crise de identidade da sua história. Precisam lidar de preferência, de forma equilibrada com todas essas questões.

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  3. Boa tarde e um excelente domingo Eduardo. Um tema polêmico e atual. Difícil até comentar. Concordo com tudo que você escreveu. Lembro de um amigo da Bahia e bissexual, que chamava o irmão dele de viado. Não sou juiz de ninguém. Acho pior o que engana a esposa e os filhos. Grande abraço carioca.

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  4. Olá Eduardo Medeiros.
    A crônica provoca ao expor como a sociedade ainda se sente desconfortável com quem foge dos padrões tradicionais de gênero. Por meio do humor e da observação cotidiana, o texto mostra a pressa em rotular comportamentos e como isso gera julgamentos automáticos, mesmo em um tempo que se diz mais livre e diverso.
    Há também uma crítica às contradições atuais: discursos que defendem libertação acabam criando novas regras sobre como homens e mulheres devem agir. Em vez de ampliar possibilidades, muitas vezes apenas se trocam os extremos, substituindo antigos modelos por outros igualmente rígidos.
    Ao final, a reflexão que fica é simples e incômoda: talvez o verdadeiro avanço esteja menos em inverter papéis e mais em aceitar que força, delicadeza, proteção e autonomia podem coexistir sem precisar de etiquetas.
    Muito bom!
    Tenha uma excelente semana.

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  5. Existe um certo machismo que deu vazão a tudo isso. Fato.
    Mas, em vez de se preocuparem com o equilíbrio das coisas, querem simplesmente colocar o oposto. Existem o feminismo e o empoderamento feminino. O feminismo luta por direitos, mas também faz a mulher se sentir um ser humano melhor junto ao homem, para o homem, com o homem. O empoderamento feminino não gosta do homem, quer ser superior a ele, quer descontruir todo e qualquer sinal masculino e, se isso continuar, será crime simplesmente você ser você.
    A mulher feminista tende a ser conservadora. Ela quer seus direitos, mas também quer o homem, o macho, quer ser metida (no bom sentido) junto com ele, constituir família etc. A mulher empoderada tende a ser progressista, porque é ali que o povo consegue viajar na maionese e aprovação da sociedade. Fiz um vídeo, ontem, falando da Ana Paula Padrão, excelente jornalista, inteligentissima e tal, mas está encabeçando vídeos de empoderamento feminino. Como falei no vídeo, quero ver essa mulherada reunida na construção de casas e prédios. Enquanto isso, vou visitar os maridos "do lar" em casa, pra gente jogar videogame e ver netflix junto.

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    1. Achei interessante sua distinção entre "feministas e empoderadas" - aliás, tenho certo ranso do termo "empoderada". As feministas, as raízes, essas são muito bem vindas, já as empoderadas, são chatas, chatas, chatas...e dizer que elas são "chatas" será interpretado como "machismo tóxico"...

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  6. Edu,
    Eu li tudinho de seu texto,
    mas sabe que não me ligo
    nesse assunto ou em assuntos
    que abrem parenteses.
    Mas eu sempre fui de cuidar
    das pessoas , de me por no
    lugar delas. Tenho reparado nas
    mudanças da sociedade e do
    mundo em geral, vou me
    encaixando sem questionar
    porque sei que daqui a pouco
    poderei passar por alguma
    situação com familiares proximos
    e aí? Se eu não estiver encaixada
    e pensando : e se for comigo?
    Gosto de suas publicações
    sempre abrindo espaço para
    ideias.
    Ótima nova semana pra
    Nós todos.
    Bjins
    CatiahôAlc.

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    1. Gosto dessa sua forma de pensar.

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    2. "encaixar sem questionar" eu acho um problema. Sou do tipo que gosta de questionar tudo.

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    3. Eu entendi o que você colocou, por isso comentei que gosto desse jeito de pensar. Porque, no fundo, nossa realidade comum sempre exigiu que nos adaptassemos ao presente, a cada novidade.
      Não vou me meter no seu viés político, mas deixo bem claro minha descrença nesse povo que aí está. Todos eles.
      Acho que você também não precisa ficar se justificando e se preocupando sobre o que o Edu entendeu. As pessoas entendem o que elas querem entender, e tudo bem.

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  7. Outro dia, estávamos conversando e uma das noras contou sobre um podcast que escuta. Disse ser muito engraçado e parece que o tema gira em torno de heteros afeminados. Até inventaram uma associação: ABHA – Associação Brasileira de Heteros Afeminados. Creio que quando alguém se excede nos maneirismos logo dizem que “esse já está com o cadastro aprovado”, ou algo assim.
    Para mim, esse assunto funciona deste jeito: eu julgo os outros de acordo com “minha régua e compasso”. Já contei isso lá no blog, mas um de meus cunhados (todos machões) disse que eu era viado, porque eu era muito delicado. Até hoje sou (já fiz o cadastro) e não ligo a mínima, pois sei que há mulheres (geralmente as mais interessantes) que sentem atração por homens mais delicados, gentis, educados. Da mesma forma, há aquelas que só valorizam os brutamontes, os casca grossa e que, talvez uma dia as vão encher de porrada.
    Ouvi uma vez uma mulher (deliciosa) dizer que não sentia atração por caras certinhos demais. Como prova disso, terminou o noivado com um sujeito que só faltava lamber o chão onde pisava e enfiou o pé na jaca (os dois), com direito a se tornar mãe solo (antigamente dizia-se mãe solteira). Então é isso. Como em uma antiga propaganda, “o que seria do azul se todos gostassem do amarelo?” Para finalizar, dois dos meus cunhados machões à moda antiga tem filhos gays.

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    1. Rapaz, eu até ouvi falar da tal associação...não vejo problemas em homens serem delicados e sensíveis, acho até louvável, o problema é a pressão das feministas radicas contra a masculinidade.

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  8. Ao ler o seu texto penso que não ligo a esse tipo de coisas. Mas é um assunto delicado. Só que não
    me toca. Cada um é como é.
    Que 2026 seja um ano de paz e saúde.
    Um beijo.

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  9. A Natureza proporciona todo o género de pessoas, sejam elas homens ou mulheres.
    Excelente crónica, gostei de ler.
    Boa semana.
    Um abraço.

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  10. Interessante o seu texto. Isso prova que nem sempre é o estereótipo que conta e quem vê cara não vê coração.

    Boa semana!

    O JOVEM JORNALISTA está no ar cheio de posts novos e novidades! Não deixe de conferir!

    Jovem Jornalista
    Instagram

    Até mais, Emerson Garcia

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  11. Olá, amigo Edu.
    Em todas as gerações sempre houve pessoas diferentes. Faz parte da espécie humana.
    É a vida e a sua circunstância.

    Abraço de amizade, e boa semana!

    Mário Margaride

    http://poesiaaquiesta.blogspot.com
    https://soltaastuaspalavras.blogspot.com

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  12. Olá, Eduardo
    Eis um texto que aborda um tema algo delicado.
    Enquanto a sociedade não se encaixar no progresso
    dos tempos não conseguiremos chegar ao bom porto.
    É como diz a Fernanda: a nossa preocupação em classificar
    e rotular leva-nos a embrulharmo-nos nestes sofismas
    de homens efeminados e mulheres machonas.
    No nosso Adn temos uma parte masculina e outra feminina.
    Em alguns de nós uma parte está mais evidenciada sem que
    para isso tenhamos sido chamados a dar a nossa opinião.
    Assim, somos como somos.
    E seríamos todos felizes se aceitássemos cada um com a
    sua idiossincrasia.
    Boa semana, amigo
    Abraço
    Olinda

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    1. Olinda, ser como se é não é o problema. O problema é a politização ideológica de uma parte da sociedade que se vê como "boa" e o resto que se vê como "mau".

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  13. Boa noite, Eduardo
    Fui lendo seu texto e lembrado dos homens afeminados que conheço, dos gays, das mulheres machos.... e por fim fiquei aqui rindo para tela. Continuo inconstante e borboleta. Ser feminina, eu adoro.
    beijos

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  14. Olá, amigo Edu, hoje em dia homens e mulheres que não virava a casaca, devem ter muito cuidado
    ao se relacionar com homens afeminados e mulheres masculinizadas, pois eles querem ser tratados
    desta forma:
    A- os afeminados querem ser tratados com delicadeza, as feministas querem ser tratadas, como normalmente são tratados os homens.
    Um boa semana semana,
    Abraço.

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  15. Oi, Eduardo, não acho que o valor de uma pessoa esteja na sua escolha sexual, e sim no seu caráter. As pessoas se preocupam muito com isso, e na verdade, o que é importante é a pessoa, seu caráter, seu comportamento, sua educação, sua delicadeza para com os outros, e faça de sua vida o que for melhor para ela!
    Esses julgamentos são errados, em nada mudará, e sim as inimizades que podem surgir, pra quê?
    O mundo já é tão violento que as pessoas ainda se pegam em preconceitos. Muitas vezes deixam de ver o lado bom da pessoa, divertido, amigo porque o lado de fora não é igual o delas. Mas, amigo, nada vai mudar, basta ver os times de futebol jogando... está ali outro preconceito, e bem visível.
    Gostei muito de ler tua crônica, mostra a vida como ela é.
    Um feliz fim de semana do 2026!
    Beijos.

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  16. Homens devem ser princesos. A época do cavalheirismo acabou. Quem insistir em ser macho "das antigas", fatalmente se dará mal com as leis e maioria das mulheres que temos hoje.

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  17. Olá grande Eduardo! Como sempre... gosto imenso das suas reflexões. Percebo perfeitamente que são genuínas e diz grandes verdades. Percebo perfeitamente onde quer chegar. Um forte abraço para si! 🤗

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  18. Ah ! se todos os homens fossem um Chico Buarque , Edu
    masculinamente elegante , ama e canta as mulheres com estilo e bem a moda feminina.
    E , as meninas que acidentalmente, pensam ser super poderosas deixemo-las ... esqueceram
    quão melhor as vezes ser submissa, ,chorona ,sensível e que força é de dentro pra fora.
    Um tema difícil, Edu como você gosta rs Beijinho e bom final e semana.


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  19. Boa noite ! Ah, eu amei a forma como c descreveu esse tema . É isso aí , a inversão de valores . E acredito que nessa quem perde é a sociedade que caminha a cada dia mais para o abismo . Abraços .

    https://kantinhodaedite..blogspot.com

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Oi. Se leu e gostou,
Obrigado e volte sempre!
Se não gostou, perdoe-me a falta de talento "escriturístico..."

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