sábado, 27 de junho de 2026

Palavrão!

 



Ele tinha oito anos. Chegou dizendo que o amiguinho da sua turma tinha falado "merda". "Pai, que é merda?" - me perguntou. Vi que era hora de uma aulinha particular sobre palavrão. Desculpe se algum pai ou mãe ou avó ler esta crônica e desaprovar totalmente meus métodos de ensino, mas aqui em casa, até agora, ele com quase 16 anos, foi assim: Tête à Tête na total abertura pra se falar de tudo.

Isso porque tenho uma experiência ruim com palavrões na minha pré-adolescência. 

Lá em casa as regras sobre certas atitudes eram bem rígidas: Não se pode roubar nada de ninguém. Um dia vindo da escola, eu achei um carrinho largado na rua. Olhei e pensei: "O carrinho tá na rua, eu não tô roubando!". Levei todo feliz o carrinho pra casa como se aquele achado fosse uma grande aventura. Assim que minha mãe me viu perguntou: "Que carrinho é esse?" "Mãe, eu não roubei de ninguém, tava na rua largado...". "Pois então volta e deixa no mesmo lugar, pois o dono do carrinho pode ter esquecido e vai voltar para procurar". Então, meio contrariado, voltei e deixei o carrinho no exato lugar onde tinha encontrado.

Outra regra rígida, cujo descumprimento poderia resultar em punições dolorosas era não falar palavrão nunca. Palavrão era um pecado terrível, dizia minha mãe, evangélica bem conservadora. E era só isso. Era só a proibição. Nada de explicações. Cheguei à pré-adolescência sem entender nada do que os meninos na escola diziam mas que eu sabia que era "nome feio". 

Um dia um desafeto meu (gostávamos da mesma menina) me chamou de "viado" - xingamento bem comum nos anos 70 que hoje em dia os viados tomaram para si. Boiei...nem pude replicar porque não sabia do que estava sendo chamado...

Fui aprendendo os significados dos palavrões por deduções, como tudo o mais em relação a sexo, já que em casa falar disso era totalmente tabu. Jamais meu pai veio conversar comigo sobre "conversas de homem", e eu não queria que fosse assim com meu filho.

Voltando ao início, ao me perguntar o que era "merda", vi que meu filho precisa aprender certas palavras que ele poderia ouvir na rua de colegas, digamos, menos educado, ou sem certos limites. Aqui em casa ele nunca me ouviu falar palavrão, já que cresci com o hábito de não dizer nunca (já que era pecado mortal e eu não queria morrer!).

Então fui lhe mostrando  os palavrões (que não vou repetir aqui para não perder o mínimo de elegância da crônica) mais usuais e seus significados. E ele foi entendendo. E deixei a regra: Você já sabe  o que significa e sabe que é "nome feio" então não é pra ficar repetindo nem dizendo para os amigos. "Sim, pai" , foi a resposta. Esta conversa foi praticamente na mesma época em que ele me perguntou como os bebês vão parar na barriga das mães, e eu, claro, lhe disse como - evidente, de um jeito bem simples que ele pudesse entender. Quem pergunta quer saber.

Até hoje ele não tem hábito de falar palavrão em casa, mas não está proibido de dizer, se for como alguma expressão não dirigida ofensivamente a ninguém, do tipo, "Caramba, Vinícius Júnior é foda"!


3 comentários:

  1. Olá, Eduardo!
    Eu nao fui acostumada a dizer também.
    Conheço pessoas que se dizem um poço de cultura e a boca é uma m... pra cá e pra lá... fora outros mais "sofisticados ".
    Cada um tem seus costumes, paciência...
    Palavrão virou normal na boca do povo.
    Você faz muito bem em explicar tudo ao seu filho.
    Antigamente não era assim e era horrível.
    Tenha um final de semana abençoado!
    Abraços fraternos

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  2. Teu filho está sendo muito bem educado desse jeito e claro, levará pra vida esses princípios...Se os seguirá ou não quando adulto, é outra coisa... E, vamos combinar: há horas que só com um baita ´palavrao podemos expressar o que sentimos,rs... abração,chica

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  3. Hola, Eduardo:
    Está claro que crecimos en la misma época y que en ambos hogares regían normas muy similares.
    Estoy totalmente a favor de hablar con los niños y explicarles los principios de los buenos modales. En cuanto a lo que hagan con eso cuando crezcan... bueno, esa es otra historia completamente distinta.

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