sexta-feira, 12 de junho de 2026

Filhos, Melhor Não Tê-los (?)




      Aí você me pergunta "Que negócio é esse aos 60 ter um filho de 15? Na tua idade eu já era avô...". Não refuto, aceito a crítica. Se é que tal coisa é criticável. Ora, hoje em dia está cheio de coroas 50 + sendo pais, e mais chocante ainda, mulheres sendo mães!

 A maternidade foi sendo jogada pra frente desde que as mulheres ganharam autonomia e foram para o mercado de trabalho. Filhos aos 20 por ter casado é coisa muito do passado. Coisa do presente, infelizmente, é adolescentes de 15 que vão pro segundo filho...

     Isso nos anos de antigamente seria um escândalo.

Pois então, quando Eduardinho nasceu eu tinha 45 - mas todo mundo me dava 37...abrindo um parênteses, sempre me deram uns 8 anos a menos da minha idade real, mas parece que agora, o tempo está querendo ir à forra, pois olho no espelho e digo, "Tu tem cara mesmo de 60!" - ainda que ,alguns, ainda me digam: "está muito bem pra 60, nem parece!". Sei.

Casei-me pela primeira vez aos 24 anos, ela tinha 17. Pois é. Mas o pai autorizou. Queríamos ter 2 filhos. Mas o casamento foi pras cucuias. A imaturidade de ambos foi fator relevante pro fracasso. Pra mim foi bem traumático. Eu tinha uma paixão doentia por ela. Levei uns 5 anos pra superar.

Não quero mais saber de filhos. Nem de esposas. Depois da recuperação emocional, levei 10 anos numa boa, sem compromisso. Eu era livre. Não gastava dinheiro com colégio particular, roupas, tênis, passeios de escola, passeios com amigos...

Mas aí eu conheci a mãe dele que me tirou da solteirice. Ainda não queria filhos, ela sim. Aí combinamos. Um basta. E está bastando.


Vou abrir  parênteses. 

O "Poema Enjoadinho" de Vinícius de Moraes retrata com humor e afeto as dores e delícias da paternidade, destacando o caos do cotidiano com crianças. (eu, já prevendo, só tive um mesmo). O texto alternado entre a vontade não ter filhos e a admiração por eles reflete a ambivalência do amor paterno.


Filhos... Filhos?
Melhor não tê-los!
Mas se não os temos
Como sabê-lo?
Se não os temos
Que de consulta
Quanto silêncio
Como os queremos!
Banho de mar
Diz que é um porrete...
Cônjuge voa
Transpõe o espaço
Engole água
Fica salgada
Se iodifica
Depois, que boa
Que morenaço
Que a esposa fica!
Resultado: filho.
E então começa
A aporrinhação:
Cocô está branco
Cocô está preto
Bebe amoníaco
Comeu botão.
Filhos? Filhos
Melhor não tê-los
Noites de insônia
Cãs prematuras
Prantos convulsos
Meu Deus, salvai-o!
Filhos são o demo
Melhor não tê-los...
Mas se não os temos
Como sabê-los?
Como saber
Que macieza
Nos seus cabelos
Que cheiro morno
Na sua carne
Que gosto doce
Na sua boca!
Chupam gilete
Bebem xampu
Ateiam fogo
No quarteirão
Porém, que coisa
Que coisa louca
Que coisa linda
Que os filhos são!

E é isso aí mesmo, meu velho poetinha. 



Fecha parênteses

Desde que nasceu eu já comecei a influenciar o menino. Quando desmamou já comecei a encher seu berço de livros infantis. Começou a falar e começamos a levar altos papos. Lá pelos 5 anos, comecei a oprimi-lo lhe ensinando a fazer flexões e abdominais. Isso pode ser chamado de "opressão atlética"?? O que diz o ECA, POR FAVOR!!!?

Aos 8 foi pro judô e pra natação. E livros, livros e livros. Aqui o lema era "corpo ativo num cérebro ativo". Comecei a fazer alguns treinos junto com ele. Isso durou até mais ou menos os 12. Era treino e diversão ao mesmo tempo. Tempo cronometrado: polichinelos, flexões, corridas estáticas, agachamentos...nós é atleta, pensando o quê??

Sempre muito magro, começou a pegar musculatura. O corpo que eu queria ter hoje: magro e com músculos. No meu caso, tenho alguns músculos acompanhado de enxúndias chatas na barriga que não saiu nem por decreto do STF.

Tempo de Copa.

Esse negócio de torcer pra time é coisa que passa de pai pra filho. Meu pai não me passou nada, logo, não passei nada pra ele, a não ser, o gosto pelo esporte, incluindo, o futebol. Meu pai era digamos, um torcedor nominal do Bahia. E só. Nunca foi a um estádio ver o time jogar.

Eduardinho nunca teve jeito com bola. Eu lhe dava um passe e ele todo sem jeito, parecia que ia dar nós nas pernas. Tentei (tento até hoje) fazê-lo melhorar no domínio da bola, mas ele não nasceu pra isso. Agora, joga ele numa piscina que parece um peixe.

Não torce pra time mas torce pra seleção. Em 2014 foi sua primeira copa. Tinha 4 anos. Assistimos os jogos juntos e juntos vimos o Brasil perder de 7 a 1 pra Alemanha. tadinho, tão novinho e já com um golpe desses...

Mesmo assim, assistimos a de 2018 e 2022 - esta particularmente, o deixou furioso. "O Neymar foi lá, fez o gol , era só todo mundo ficar na defesa, mas não...deixaram a Croácia empatar!!!" - compartilhei do seu lúcido comentário.

E chegamos agora a mais uma copa. E diferente do que foi até hoje, ele me diz que vai ver o primeiro jogo do Brasil na casa do amigo...

Como assim? Sempre vimos juntos!!!!

É a tal da independência chegando. Em dezembro faz 16 anos e já poderá votar (ele retruca, "quero ver quem vai me obrigar"), tão novo e já decepcionado com nossa política...e já avisei que se o projeto for adiante, já poderá responder criminalmente aos 16. Com seu humor negro, brinca: "Quer dizer que não vou poder traficar humanos mais aos 16"? Fêlo da mãe!

E agora, absurdo dos absurdos, não quer mais treinar comigo. Agora segue o próprio plano de exercícios que ele pesquisou na Internet. No fundo, no fundo (ele não admite), deve pensar que eu não consigo mais acompanhar o seu ritmo...vê se pode? Como diria Gonzaga, "Luis, respeita os 8 baixos do seu pai..."


_____________________________


Olha a cara de tédio quando eu pedi pra tirar a foto...


18 comentários:

  1. Apesar de tudo que muda desde qe eram pequenos até agora, vale muito sim! E as fotos, podes esquecer! Detestam mesmo. Mas, de repente, vemos caras e bocas deles próprios postados no InstaQ! Vai entender,rs...abração, bom jugos com ele ou não! chica

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  2. Olá Edu Medeiros
    Gostei muito da sua reflexão. Confesso que também senti uma certa nostalgia nas suas palavras. Como mãe de dois filhos, entendo bem esse misto de orgulho e aperto no coração quando percebemos que eles estão crescendo e querendo trilhar os próprios caminhos. Tive uma educação bastante rígida e, por isso, escolhi educar de outra forma: orientar, estar presente, saber com quem estão e por onde andam, mas sem prender. A preocupação nunca deixa de existir, faz parte do amor que sentimos. Mas acredito que uma das maiores provas de que fizemos um bom trabalho é justamente vê-los ganhando autonomia e vivendo a própria vida.
    Sim, devemos tê-los, assim é a vida.
    Bom final de semana.
    Abraço.

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  3. Meu bom amigo Eduardo,
    "Mas se não os temos, como sabê-lo?" - como bem disse o grande botafoguense, Vinicius de Moraes.
    Agora, quando começam a dizer "está muito bem para (tal idade), nem parece!". Estamos mesmo ficando velhos. É como um ateu que não acredita em Deus, mas, se Deus não existe, em que o ateu nega acreditar?
    Os casamentos da nossa época foram para a cucuia, já os atuais vão para o cemitério da Cacuia. 😂😄😂 - As pessoas se casam querendo viver como solteiras, vivem na "vadiagem" em aplicativos de namoro e não é incomum que casais encontrem perfis de ambos neles.
    As coisas nem podem mais estar preta, porque, hoje em dia é bullying dizer isso.
    E outra, se o "poetinha" estivesse vivo, queimariam sua ironia em praça pública, pois, existe uma passagem dele durante a ditadura militar, onde o regime exigia o afastamento do serviço público de "bêbados, boêmios e homossexuais" (Ato Institucional nº 5). Ao ser informado do desligamento, Vinicius de Moraes brincou: "Eu sou o bêbado". 😂😄😂 - Ao que o ministro Magalhães Pinto rebateu e ordenou a demissão: "Demita esse vagabundo!".
    Um abraço!!!

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  4. Dudualdo Bú...
    Eu também tive o Samuel mais tarde. Tinha 39 anos.
    Hoje ele tem 14 e eu 53.
    Cara, é bom, mas não é...
    Eu já estou com o saco cheio de trabalhar, mas tenho que continuar provendo escola, cursos, jiu-jitso, etc, etc, etc...
    Acho que o ideal seria ter tido filho dos 25 a no máximo 30.
    Mas aí eu nem conhecia a mãe dele ainda.
    Agora aos 14, tem horas que acho ele chato pra caramba. Os adolescentes tem momentos chatos pra caramba. Mas no geral, ele é um ótimo menino. Tranquilo, carinhoso.

    Um abraço Dudu.

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  5. Eu sempre quis ter filhos, mas não imaginava como seria porque me dei ao luxo de nem pensar pra frente.
    Pensar que eles ia crescer, não pensei.
    Meu 1º filho nasceu quando eu ainda estava terminando a Faculdade.
    E foi maravilhoso.
    Estou feliz com meu casal de filhos.
    Mas não gosto deles terem crescido.

    Eduardo, ler calhamaço é chato porque é incômodo.
    Abraço,

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  6. Olá grande Edu! Excelente crónica, como sempre. 😁 A independência deles chega sempre sem avisar e de repente somos trocados. Mas esse respeito pelos oito baixos do pai continua lá, mesmo que eles não o admitam. Quanto à cara dele na foto, é a imagem de marca de qualquer jovem de 15 anos! Também era assim 🤣... Um forte abraço e bom fim de semana! 🤗

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  7. Olá, amigo Edu, gostei dessa excelente postagem sobre a
    sua família. Ontem mesmo tive o prazer de ler esse poema
    que você mencionou, que foi declamado pelo grande Paulo Autran,
    em vídeo. Aliás, recomendo a todos que ouçam esse magnífico poema
    de Vinícius de Morais ( que casou muitas vezes).
    Um abraço e ótimo final de semana.

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  8. Oi, Eduardo! Bom dia! Nunca fui pai, então não posso opinar muito sobre a relação entre pais e filhos. Mas, assim como qualquer relacionamento, acho que essa conexão pode ter seus conflitos, mesmo sendo muito enriquecedora para quem a vive de forma próxima. Que a relação entre você e seu filho possa se fortalecer ainda mais com o passar dos anos. Um abraço amigo Eduardo!

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  9. Olá, Eduardo
    Quando nos dizem que muuito bem para a idade aí é que sabemos que
    estamos mesmo a ficar velhos :))) Como bem referiu o Douglas.
    Ter filho ou não ter eis a questão! Chega uma idade em que já não querem
    andar connosco; a minha filha com 15, 16 anos andava uns dez passos à minha
    frente. Mas, com o tempo isso foi mudando...
    Gostei muito da sua crónica.
    Boa semana.
    Abraço
    Olinda

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  10. Olá, Edu, agora já dá pra rir, quando pequenos são umas gracinhas, na adolescência a coisa enrosca... Nós éramos chatos, também, lembro bem, tínhamos aquela coisa da afirmação, uma idade chata que não queremos depender tanto dos pais, mas dependíamos rssss.
    Não me queixo muito da minha adolescência, fui para o esporte, uma coisa muito boa nessa fase. Fui para a Alemanha como prêmio de um campeonato que ganhei, fiquei 3 meses, conhecendo uma Escola de hipismo de lá - ganhei a viagem como prêmio, voltei, continuei... e não posso me queixar.
    Deixei o esporte quando Pedro apareceu, aí o casamento, filhos...e a vida foi outra. Os meus não foram muito rebeldes, não, mas lembro dessa fase da independência! Diria que vale muito a pena, sim, as fases passam e o amor fica. E aumenta.
    Muito boa essa tua postagem, o filhote é muito bonito, heim!?
    Abraços pra família!

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  11. Oi, Edu. Tudo bem? Gostei muito do relato. Eu tinha esperanças de ser mãe hoje em dia, pelo menos era algo que eu achava que simplesmente aconteceria um dia, mas não aconteceu. Inúmeros fatores. Acho melhor ter filho quando mais velho, mas com intenção de criar da maneira como você está fazendo do que tê-los de surpresa.

    Tenha uma boa semana!
    Até breve;

    Helaina (Escritora || Blogueira)
    https://hipercriativa.blogspot.com (Livros, filmes e séries)
    https://universo-invisivel.blogspot.com (Contos, crônicas e afins)

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  12. Os filhos crescem. Acredito na máxima que criamos os filhos não para nós, mas para o mundo. Parabéns pela paternidade e pelo filho!

    Boa semana!

    O JOVEM JORNALISTA está no ar cheio de posts novos e novidades! Não deixe de conferir!

    Jovem Jornalista
    Instagram

    Até mais, Emerson Garcia

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  13. Olá Eduardo
    Eu não tenho vocação pra me casar
    Mas admiro quem tem.
    Filhos são uma benção
    Mas como o Nosso Criador nos disse: multiplicai!
    Acho que vale a pena ter uma grande família, o que admiro muito quem tem.
    Obrigada pela visita, bjs Larissa

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  14. Muito bom o seu relato e a foto encerrou bem o texto porque ilustrou tudo o que voce disse.

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  15. Deliciosa a sua crônica. Imagino quão saudável é a sua relação com o "moleque" (leia-se rapaz). Imitando-o, abro um parêntese: Bruno é vizinho do primeiro andar e eu moro no oitavo. Ele nasceu no prédio em que moro e hoje é médico. Quando ainda era pequeno, cruzei com ele e os pais e o chamei de moleque: “E aí, moleque, tudo bem?”. Bruno fez biquinho, dizendo que não era moleque. Hoje penso duas vezes antes de chamar uma criança assim, por isso me retratei aqui, imediatamente, sobretudo porque seu filho, independente, já quer a chave, risos.
    Mais duas coisas: tenho duas filhas e, ao perceber como o tempo passou, vejo que o Bruno já é médico. Fecho o parêntese e não digo mais nada.
    Um grande abraço

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  16. Que texto gostoso!
    Que foto bonita!
    Dá para sentir daqui o orgulho que vc tem dele, não só nesta postagem mas sempre que vc comenta sobre ele.
    Desejo muitas felicidades para a sua família.
    PS: Gostei do negócio de dardos.

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Oi. Se leu e gostou,
Obrigado e volte sempre!
Se não gostou, perdoe-me a falta de talento "escriturístico..."

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