Me parou no meio do calçadão. Trazia nas mãos um caixa larga com vários Chokitos e Prestígios. Levantou a mão com um sorriso largo na cara me oferecendo um comprimento.
- E aí, parça, tudo bem?
- ...?
- Lembra de mim não, parça? Tiaguinho.
- Estou bem mas...não lembro de você.
- Jura? Que isso, parça. Tu tá lá ainda? Eu saí de lá.
- Saiu?
- Pois é, não tava legal não. Agora tô aqui vendendo os melhores chocolates do mercado: Chokito e Prestígio.
- Sei...então, você era de qual setor lá?
- Mas tu é mesmo esquecido, parça! Eu era arquivista!
- Arquivista...mas o arquivista lá é o Tenório há uns dez anos...
- Parça, eu era ajudante do Tenório, grande Tenório. E como vai o Tenório?
- Vai bem, tá prestes a se aposentar agora.
- Sei, sei, que bom, que bom, mas parça...
- É que eu não lembro mesmo de você lá. Devo tá esquecido mesmo.
- Saí de lá e agora tô cá...vendendo essas iguarias chocolatóricas! São três por dez, vai dar uma moral aí?
- Mas tu saiu de lá mesmo? Parece que agora tô lembrando de você!
- Pois é, te disse: saí de lá.
- Aqui tá melhor?
- Bem melhor, parça. Faço meu horário. Vendo meus seletos chocolates e vou pra casa. Sem stress.
- Pois é.
- Vai querer quantos?
- Ah, meu filho adora Chokito. Vou levar seis.
- Beleza, dá vintão.
- Tá aí.
- Obrigado, parça, vai com Deus.
- Vê se passa lá para ver o pessoal.
- Passo, com certeza.
-

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