Pousou a vista, depois, nas árvores que algum remoto prefeito deu à rua, e que ainda ninguém se lembrou de arrancar, talvez porque haja outras destruições mais urgentes.
(Carlos Drummond de Andrade)
PASSEI PARTE DA MINHA pré-adolescência em um condomínio naval que era rodeado por uma área imensa de floresta, montanhas e até uma barragem desativada, pelo qual o condomínio ficou conhecido: "Barragem". Brincar nos matos com os amigos, explorar locais que nunca tínhamos ido, escalar morros, era coisa do dia a dia. Sem celular, sem internet e com a TV lá de casa - uma Telefunken que já era jurássica à época - que mal funcionava, nossa vida era fora de casa.
Também na infância vivi cercado por matas. Nosso quintal lá em Angra dos Reis, no início dos anos 70, dava para uma grande área florestal e era lá que muitas vezes eu ia brincar sozinho com meus 7, 8 anos. A única recomendação da minha mãe era: "Não vai muito longe, fica perto". E eu obedecia. Fui uma criança e adolescente bem obediente aos pais. Na medida do possível.
Em 1970 estreou na TV Tupi a novela "Meu Pé de Laranja Lima", que viria a ter depois mais duas adaptações em 1980 e 1998, pela TV Band. Novela baseada no romance homônimo de José Mauro de Vasconcelos com atuações marcantes de Cláudio Corrêa e Castro e Eva Wilma. Eu assistia essa novela com minha mãe. Meus primeiros contatos imediatos do terceiro grau com árvores foi por influência dessa novela. Na trama, o menino Zezé tinha uma relação afetuosa com um pé de laranja lima, inclusive a ouvia falar e lhe respondia com a naturalidade que só as crianças que já conversaram com árvores podem ter. Pois então, também quis eu ter meu pé de laranja lima.
Era uma árvore grande, tronco grosso que ficava a apenas alguns metros depois do meu quintal. Adotei aquela árvore como minha amiga. Eu falava com ela. Ela não respondia (pelo menos não audivelmente), mas ela me respondia na minha imaginação - e isso bastava. E eu me tornei tão amigo da árvore que muitas vezes passava a manhã toda conversando e só me despedia dela com um abraço, quando minha mãe me chamava.
Já com meus 10 anos, morando agora na já citada Barragem em Paripe, Salvador, estreou na TV Globo a novela Sinal de Alerta em 1978. A novela de Dias Gomes abordava temas ecológicos como poluição ambiental. Se destacaram na novela o ator Paulo Gracindo e a atriz Yoná Magalhães. Também assisti essa novela junto com minha mãe - eu e minha mãe éramos noveleiros - e aqueles temas que a novela abordava me deixavam preocupado e triste. Afinal, porque se poluía os ares das cidades? Eu vivia ali, naquele santuário verde e não havia poluição. A ideia de que um dia a floresta da Barragem pudesse ser destruída me causava sincera preocupação.
A novela Sinal de Alerta me tornou um militante ecológico sem eu saber que era um militante. Passei a defender as florestas, as árvores, os rios... dava palestras para os amigos de como a preservação da natureza era importante. Mas aí, meu pai foi transferido para o Rio de Janeiro - fato que eu odiei - e fomos morar agora em uma casa em que não havia florestas por perto. Então, me desliguei da minha precoce militância ecológica. Ontem, lendo uma crônica do Drummond - de onde tirei a frase lá do início - me voltaram essas lembranças.
Lembrei também que meu pé de acerola - a única árvore que eu tinha aqui no meu quintal - tive que cortar pois estava dando muitos insetos que acabavam indo pra casa da minha sogra e segundo ela, lhes atacavam implacavelmente dia e noite. Para não deixá-la tão nervosa, cortei a acerola.
E olhando agora para a minha grande varanda (deve ter uns 15 metros de largura), lembrei-me dos meus planos de enchê-la com vasos de plantas de ponta a ponta. Plantas que não atraiam insetos, pois minha sogra lá de baixo, voltaria com as mesmas reclamações. Ainda mais agora (como eu já contei aqui) que ela acredita que a quero expulsar da casa.
VIVA A NATUREZA...!
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post scriptum: Procurei fotos da Barragem atualmente e não achei muita coisa. Só uma notícia que a Marinha tinha inaugurado mais uns blocos de apartamentos no condomínio. Presumo que a grande floresta já não seja assim tão grande.

Oi, Edu! Ainda está em tempo de você encher a varanda de plantas. Pra mim quanto mais plantas melhor! Nunca morei perto de uma floresta, mas quando criança nossa casa tinha um quintal enorme cheio de árvores frutíferas e ainda tinha um jardim. Sua sogra deve ser uma figura, viu? Boa semana! :-)
ResponderExcluirConcordo com a Ane! Ainda vai a tempo...
ResponderExcluirBjxxx,
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As árvoires da tua vida ... Que legal essa teu carinho,amor pelas árvores. Isso é TRI LEGAL! E vai colocando, pouco a pouco uns vasinhos na tua varanda! Pena lá na barragem já bem menos árvores ter. O progresso(?) atrapalha!!! Aff... abração, linda semana,chica
ResponderExcluirOi, Eduardo! Que saibamos cuidar da nossa Natureza que nos foi dada pela Criação como uma benção. O mais impressionante é que até a qualidade de vida muda quando se vive com as árvores por perto. Não é nada fácil morar na grande São Paulo por exemplo, vez que ali praticamente não existe árvores, não? Um abraço!
ResponderExcluirEste comentário foi removido pelo autor.
ResponderExcluirEduardo é melhor não mexer com a sogra, feliz terça-feira abraços.
ResponderExcluirOie Eduardo.
ResponderExcluirGosto muito dos seus escritos pois quase sempre me identifico. Eu temo um mini jardim e uma mini horta na minha varanda. Antes tinha uma arvore da felicidade que por ter ficado muito grande tive que doa-la. Hoje temo 2 roseiras. alface, cebolinha, salsa. E milho. O milho é para meus doguinhos comerem quando estão com dor de barriga. Tenho também um pé de pimentão e outo de tomatinho. Nao dão insetos. Fica a dica.
Feliz dia
Também nasci e vivi numa casinha isolada no campo, rodeada de arvoredo. Adoro o campo.
ResponderExcluir.
Saudações poéticas
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“” Alma que Chora ““
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Boa tarde, Edu.
ResponderExcluirAdoro árvores, tendo passado a minha infância e adolescência em casa com quintal e jardim, em Luanda.
Coloca alguns vasos com plantas, pois dão vida á nossa vida!
Beijinho e ótima semana.😘
Que linda crônica Edu. O destaque foi ter mencionado, além das árvores, é claro, a sutileza em assistir novelas. Que tempo bom amigo, quando na sua Telefunken ( aqui em casa também tinha uma) na companhia de sua mãezinha, assistia as melhores novelas do mundo. Naquele tempo as novelas eram excelentes, tinham atores consagrados e tocavam efetivamente a nossa alma, Dava gosto de acompanhar! Sua infância na companhia das árvores também me lembrou a minha, pois eu adorava subir morros e também em árvores. Nas verdade, eu subia barrancos lá na minha cidade da infância chamada Santa Teresa. Gostava de subir pés de goiaba vermelha, porque os galhos são mais finos, mas bem fortes e perfeitos para se segurar lá do altão.
ResponderExcluirMas a sua crônica também deu aquele aperto no coração porque lembrou a farta natureza daquela época, onde o verde se sobressaía. Creio que você terá que driblar sua sogra amigo, já basta ter se despedido do seu pé de acerola ( ela não traz insetos, ao contrário. Sugiro encher a sua varanda de vasos e incluir a planta chamada citronela. Um verdadeiro espanta insetos natural. Além dela, o alecrim, o manjericão e hortelã também são incríveis para espantar esses bichos indesejáveis, além de deixar um cheirinho de erva fresca na sua varanda. Sua sogra não vai ter como contestar! rsrs
Beijos e uma ótima semana!! :))))
Oba, valeu pela dica, Adriana.
ExcluirOlá, Edu, mas que crônica gostosa de ler, fui lembrando que eu adorava vasinhos com plantas, roseiras que minha mãe plantava e muitas coisas da época que hoje nem vemos mais esse amor pelas plantas, árvores...
ResponderExcluirEm nossa casa, eu ainda criança, tinha um caramanchão com muitas plantas, nunca esqueci. Brincava muito ali, levava meus livrinhos pra lá e passava momentos maravilhosos, coisa que nada tem a ver com as crianças de hoje. E eu adorava plantar, também. Como são lindas as nossas memórias, né Edu?
Adorei ler um pouco da sua, sem celular! rss
Um abraço e uma feliz semana, muita paz por aí.
A vida no campo também marcou parte do meu viver! 😘
ResponderExcluirPassei boa parte das férias de infância em uma casa de campo à beira da lagoa, em Lagoa Santa, MG. Era um terreno gigantesco (meia quadra) e havia um bosque magnífico onde eu gostava de andar, pisando no chão forrado de folhas mortas.
ResponderExcluirEu não sou chato... sou redondinho, mas subo em árvores rapidinho... e você consegue? rsrsrsrs
ResponderExcluirNova Tirinha Publicada. 😼
Abraços 🐾 Garfield Tirinhas Oficial.
Olá, amigo Edu, que sorte a sua por viver uma vida livre
ResponderExcluirem meio à natureza, numa vida saudável, tão diferente
da vida das crianças e adolescentes de hoje. Para sua sorte,
naquela época não existia Smatphone e nem redes sociais.
Uma época invejável, que deve ter servido de norte para sua vida.
Uma ótima semana,
grande abraço.
muito bom ter na infância contato com a natureza. beijos, pedrita
ResponderExcluirTambém amo a natureza e árvores é meu grande fascínio, acho-as adoráveis, acolhedoras.
ResponderExcluirSe viveu parte da sua infância entre o verde das matas ,certamente vai ter sempre o espírito ecológico, haja visto a crônica nostálgica . Recomendo comprar umas plantinhas que se assemelhe as da sua casa antiga e sua varanda vai ganhar outra vida , você também rsrs
Um abraço grande ,Edu
- Juro que li esse post imaginando que iria comentar perguntando se tu já teria visto a árvore hoje em dia pelo menos pelo Google Street View. Eu gosto de posts como os teus, que fazem eu imaginar tudo e depois procurar sobre. Fiquei muito curioso! Se encontrar, me manda o link pra eu ver, por favor.
ResponderExcluirrapaz, não pensei nisso, dificilmente eu a identificaria, lá se vão uns 50 anos!
ExcluirTambém amo a natureza e o verde. Se eu pudesse, morava no interior de alguma cidade, pois prezo pelo silêncio e pelo verde.
ResponderExcluirBoa semana!
O JOVEM JORNALISTA está no ar cheio de posts novos e novidades! Não deixe de conferir!
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Até mais, Emerson Garcia